MORNING CALL NOVA FUTURA
1º de outubro | Quinta-feira
Datafolha fecha a urna, Treasury volta a 5,3% e petróleo recupera US$ 100
A quinta-feira começa com duas forças puxando o mercado em direções diferentes. O PCE mais comportado reduziu a urgência de uma nova alta do Fed, mas a economia americana segue forte e o Treasury de 10 anos volta à região de 5,3%.
No Brasil, a reta final eleitoral domina o fluxo: Datafolha sai depois do fechamento e o último debate ocorre à noite, enquanto o mercado já começa a ajustar posições para o primeiro pregão pós-eleição.
DATAFOLHA HOJE AGORA O MERCADO QUER CONFIRMAÇÃO
Nova pesquisa sai no início da noite, a três dias do primeiro turno.
Os levantamentos recentes continuam mostrando disputa apertada. Ontem, Indexa/Broadcast trouxe 43% a 42% em eventual segundo turno, dentro da margem de erro; Meio/Ideia também mostrou diferença pequena.
Comentário: Nesta altura da campanha, o número isolado vale menos. O mercado vai procurar tendência: quem está ganhando, perdendo ou simplesmente mantendo posição na chegada à urna.
DEBATE À NOITE MAS SEM LULA
Flávio Bolsonaro participa do debate da Globo; Lula estará no Flow praticamente no mesmo horário.
Flávio participa com Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema. Lula confirmou ausência e concederá entrevista ao podcast a partir das 20h45.
Comentário: Para o trader, o ponto não é avaliar quem “ganhou” o debate. É medir se alguma fala produz informação nova suficiente para alterar a percepção já embutida nas pesquisas.
TREASURY 10 ANOS VOLTA PARA 5,3%
Yield alcança novamente a região mais alta em mais de duas décadas.
O 10 anos chegou ontem a 5,305% e o 30 anos bateu 5,652%, mesmo depois de um PCE melhor que o esperado.
A economia forte continua impedindo uma queda mais consistente da curva.
Comentário: Aqui está o recado mais importante do exterior: inflação melhor ajuda o Fed; crescimento forte continua cobrando prêmio no Treasury. Por isso a ponta longa não acompanhou o alívio da ponta curta.
PCE MELHOR COMPROU TEMPO PARA O FED
Inflação veio abaixo do esperado e reduziu as apostas em alta já em outubro.
O PCE subiu 0,3% no mês, abaixo dos 0,4% esperados, enquanto a probabilidade de alta em outubro caiu de 50,9% para 38,2%, segundo o CME citado no material.
Dezembro continua concentrando a maior parte das apostas em novo aperto.
Comentário: Setembro entregou uma mudança relevante: o mercado saiu de “quando o Fed sobe?” para “ele precisa subir já?”. Não é dovish. É menos urgente.
BRENT VOLTA PARA US$ 100
Petróleo recupera terreno com Ormuz ainda sem solução definitiva.
Os fluxos físicos do Oriente Médio melhoraram com rotas alternativas, mas os riscos geopolíticos continuam presentes.
Nesta manhã, o Brent voltou para perto de US$ 100.
Comentário: O barril continua sendo o elo entre geopolítica e juros. Abaixo de US$ 100 ajuda a desinflar a narrativa. Acima dele, o mercado volta a cobrar seguro.
R$ 92 BILHÕES DE LTN VENCEM HOJE
Tesouro também oferta novos prefixados em um dia importante para a curva local.
Vencem aproximadamente R$ 92 bilhões em LTNs, enquanto o Tesouro oferta LTNs 2027, 2028 e 2030 e NTN-Fs 2031, 2033 e 2037.
Comentário: É dia para observar reinvestimento. Parte desse dinheiro pode voltar para a curva e a demanda nos leilões ajuda a medir o apetite por duration no meio do risco eleitoral.
DI NÃO CONSEGUIU COMPRAR TODA A FESTA DA BOLSA
Ibovespa subiu 1,37%, dólar caiu para R$ 5,1750, mas juros longos resistiram.
Jan/31 fechou em 13,96% e Jan/33 em 14,00%, com os Treasuries impedindo fechamento mais forte.
Comentário: Essa divergência é importante. Bolsa e câmbio negociam mais o evento eleitoral; a curva longa ainda precisa prestar contas ao Treasury e ao fiscal.
10H: PMI BRASILEIRO TESTA A DESACELERAÇÃO
Indústria vem de leitura de 46,3 pontos, abaixo de 50.
O PMI industrial da S&P Global mostra se o enfraquecimento da atividade continua no início do quarto trimestre.
Comentário: Se seguir abaixo de 50, reforça a narrativa de desaceleração que sustenta cortes de Selic. Mas atividade fraca ajuda o DI curto; não resolve sozinha o prêmio eleitoral e fiscal do longo.
11H: ISM PODE VOLTAR A MEXER NO FED
Mercado espera ISM industrial americano em 55 pontos.
O indicador vem logo depois de PIB revisado para 2,2% e ADP acima do esperado.
Comentário: Depois do PCE benigno, o próximo obstáculo é atividade. Se a economia continuar entregando números muito fortes, o mercado pode aceitar menos urgência em outubro mas não abandonar a discussão de dezembro.
MICRON MANTÉM A IA ACESA
Resultado acima do esperado reforça demanda por memória ligada à inteligência artificial.
A companhia destacou oferta apertada e demanda forte para 2027 e 2028.
Comentário: Enquanto Treasury pressiona valuation, a IA continua oferecendo crescimento real de lucros. Esse é o cabo de guerra que mantém o Nasdaq resistente mesmo com juros longos tão altos.
RADAR DIRETO PARA O TRADER
Datafolha: após o fechamento.
Debate Globo: à noite.
Lula: entrevista no Flow.
Treasury 10Y: região de 5,3%.
Treasury 30Y: acima de 5,6%.
Brent: perto de US$ 100.
Dólar: fechou em R$ 5,1750.
Vencimento LTN: cerca de R$ 92 bilhões.
10h: PMI Brasil.
10h45: PMI EUA.
11h: ISM industrial.
Fed: vários dirigentes falam hoje.
Amanhã: payroll.
Domingo: primeiro turno.
LEITURA DA MESA
O PCE deu tempo ao Fed, mas não deu paz ao mercado. A inflação melhorou, só que a economia americana continua forte e o Treasury voltou para 5,3%. Aqui, a Bolsa já negocia o domingo, o dólar caiu abaixo de R$ 5,20 e o DI longo ainda segura o freio. Hoje o Datafolha fecha mais uma fotografia antes da urna; depois dela, o mercado começa a descobrir quanto desse trade eleitoral era convicção e quanto era apenas posição.
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