MORNING CALL NOVA FUTURA
29 de setembro | Terça-feira
Atlas mantém disputa apertada, petróleo sustenta pressão e Treasury segue nas máximas
A terça começa com pouca folga para o risco. O petróleo continua acima de US$ 100, os Treasuries permanecem em níveis extremos e o dólar brasileiro já fechou acima de R$ 5,22.
No Brasil, a nova AtlasIntel mantém Lula numericamente à frente no primeiro turno, mas mostra empate no segundo. Ao mesmo tempo, a agenda entrega inflação no atacado, desemprego, fiscal e Caged. Lá fora, o JOLTS abre a bateria que antecede PCE e payroll.
ATLAS: LULA ~45%, FLÁVIO ~42% SEGUNDO TURNO EMPATADO
Lula mantém vantagem numérica no primeiro turno; no segundo, os dois aparecem perto de 48%.
A AtlasIntel/Bloomberg ouviu 5.005 pessoas entre 23 e 28 de setembro, com margem de erro de 1 ponto percentual.
Na semana anterior, o primeiro turno marcava 45,8% a 43,4%.
Comentário: A eleição continua sem entregar resolução para o segundo turno. Para o trader, quanto menor a distância entre as pesquisas e a urna, maior o peso de fluxo, hedge e gerenciamento de posição.
PETRÓLEO CONTINUA ACIMA DE US$ 100 DIPLOMACIA NÃO DESTRAVOU
Brent segue pressionado com EUA e Irã ainda distantes sobre Ormuz e sanções.
Trump negou ter oferecido alívio de sanções e o Irã também rejeitou relatos de mudança em sua posição nuclear.
Mediadores do Catar seguem tentando montar uma proposta, mas os principais obstáculos permanecem.
Comentário: A leitura continua simples: enquanto o barril permanecer acima de US$ 100, inflação global e juros continuam pagando prêmio de guerra.
TREASURY NÃO DESARMA E O 10 ANOS JÁ PASSOU DE 5,25%
Curva americana segue nas máximas em quase duas décadas.
O 10 anos chegou a 5,25% e fechou em 5,234%; o 30 anos avançou para 5,552%, maior nível desde 2004.
Petróleo, fiscal americano, emissões e expectativa de Fed mais duro continuam alimentando a pressão.
Comentário: Aqui está o teto para qualquer entusiasmo. Com Treasury nesse nível, Bolsa e emergentes precisam entregar muito resultado para competir com renda fixa americana.
DÓLAR ROMPEU R$ 5,20
Moeda fechou ontem a R$ 5,2265, maior valor desde março.
O movimento refletiu dólar global forte, Treasuries elevados, petróleo e aumento do prêmio eleitoral doméstico.
Comentário: Esse nível começa a importar para o Copom. Atividade mais fraca pede corte. Dólar mais alto reduz a liberdade para cortar.
DI LONGO VOLTOU PARA CIMA DE 14%
Jan/31 terminou em 14,05% e Jan/33 em 14,08%.
A ponta longa acompanhou a piora dos Treasuries e incorporou prêmio adicional com fiscal e eleição.
Comentário: Aqui continua a divisão da curva: o curto negocia desaceleração e Copom; o longo negocia dívida, eleição e Treasury. São trades diferentes dentro da mesma curva.
8H: IGP-M VOLTA PARA O POSITIVO
Mercado espera alta perto de 1,55% em setembro, após queda de 0,22%.
O atacado deve sentir principalmente petróleo e derivados.
Comentário: IGP-M não decide Selic sozinho. Mas, com petróleo pressionado e IPCA-15 já acima do esperado, mais inflação no atacado adiciona ruído à história de dois cortes consecutivos.
9H: PNAD TESTA O ÚLTIMO PILAR FORTE DA ECONOMIA
Desemprego deve permanecer em 5,3%, próximo das mínimas históricas.
O Copom já reconheceu desaceleração da atividade e do crédito, mas continua apontando o mercado de trabalho como resistente.
Comentário: Essa é uma variável importante para o DI. Se emprego continuar muito forte, o BC ganha menos espaço para acelerar cortes, mesmo com PIB perdendo tração.
10H: FISCAL VOLTA PARA A TELA
Governo Central deve mostrar déficit perto de R$ 14 bilhões em agosto.
A mediana indicada no material está em aproximadamente R$ 14,4 bilhões negativos, depois de superávit de R$ 10,8 bilhões em julho.
Comentário: Às vésperas da eleição, fiscal não precisa apenas melhorar. Precisa convencer que a melhora é sustentável. É isso que define se a ponta longa consegue voltar a retirar prêmio.
14H30: CAGED DEVE ACELERAR MAS O DETALHE É A TENDÊNCIA
Expectativa é de aproximadamente 95 mil empregos formais em agosto.
O número anterior foi de 58,6 mil vagas. Apesar da melhora esperada no saldo, economistas seguem procurando sinais de perda gradual de força das contratações.
Comentário: Um Caged forte pode parecer hawkish. Mas o mercado vai olhar além do número: o importante é descobrir se emprego ainda acelera ou simplesmente continua positivo enquanto a economia perde velocidade.
11H: JOLTS ABRE A SEMANA DECISIVA DO FED
Mercado espera queda das vagas abertas nos EUA para perto de 7,18 milhões.
O dado antecede o PCE e o payroll, justamente quando o mercado já discute necessidade de mais aperto monetário.
Comentário: Com Treasury acima de 5,2%, a assimetria fica interessante: JOLTS fraco ajuda muito. JOLTS forte pode custar caro.
FISCAL DE 2027 JÁ ESTÁ ENTRANDO NA ELEIÇÃO
Medidas recentes aumentaram a discussão sobre arrecadação, gasto e trajetória da dívida.
O material destaca perdas de receitas com bets e custos de outras medidas recentes, enquanto economistas colocam o comportamento fiscal do próximo governo como variável central para inflação e ativos.
Comentário: A urna define governo. Mas para DI longo e câmbio, a pergunta seguinte será: qual é o plano para estabilizar a dívida? O mercado não consegue responder isso apenas com pesquisa eleitoral.
RADAR DIRETO PARA O TRADER
Atlas: Lula ~45% x Flávio ~42% no 1º turno.
2º turno Atlas: perto de 48% x 48%.
Brent: região de US$ 105.
Treasury 10Y: acima de 5,2%.
Treasury 30Y: acima de 5,5%.
Dólar: R$ 5,22.
DI Jan/31: 14,05%.
8h: IGP-M.
9h: PNAD.
10h: resultado do Governo Central.
11h: JOLTS.
14h30: Caged.
Amanhã: PCE.
Sexta: payroll.
Quinta: Datafolha.
LEITURA DA MESA
Hoje o mercado entra espremido entre três preços: petróleo acima de US$ 100, Treasury acima de 5,2% e dólar acima de R$ 5,20. Ao mesmo tempo, a eleição continua apertada e o Brasil entrega emprego, inflação e fiscal no mesmo pregão. O Copom ainda enxerga desaceleração suficiente para cortar mas o exterior e o câmbio estão deixando cada ponto-base mais caro. Hoje é dia de prestar atenção menos à manchete e mais à reação da curva depois dela.
Este conteúdo possui caráter meramente informativo e educacional, não devendo ser interpretado como oferta, solicitação de oferta, recomendação personalizada de investimento ou aconselhamento financeiro, jurídico ou tributário. As decisões de investimento devem considerar os objetivos, perfil de risco e situação financeira específica de cada investidor.
Investimentos nos mercados financeiro e de capitais envolvem riscos, incluindo a possibilidade de perda do capital investido. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.
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