Call diário 30/09/2026

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MORNING CALL NOVA FUTURA

30 de setembro | Quarta-feira

PCE testa o Fed, Treasury respira e petróleo devolve parte do choque

A quarta começa com leve alívio nos yields, mas sem desmontar o estresse construído nos últimos dias. O 10 anos americano chegou ontem a 5,292% e o 30 anos passou de 5,60% antes de recuar.

Hoje o foco muda da geopolítica para o dado: ADP às 9h15 e PCE às 9h30 podem recalibrar novamente o Fed. No Brasil, fiscal, fluxo cambial e reta final eleitoral dividem a tela.


9H30: PCE PODE REDESENHAR OUTUBRO

Núcleo deve subir 0,3% no mês e permanecer em 3,3% em 12 meses.

O PCE chega depois de uma sequência de Treasuries nas máximas de décadas e de discursos predominantemente hawkish do Fed.

Comentário: Hoje o mercado não precisa de inflação explosiva para se incomodar.

Com o 10 anos acima de 5%, um PCE apenas resistente já é suficiente para manter o Fed no jogo.


TREASURY RECUA MAS O NÍVEL CONTINUA EXTREMO

Yields aliviam nesta manhã depois de novas máximas ontem.

O 10 anos chegou a 5,292%; o 30 anos tocou 5,620%, maior nível desde 2002.

John Williams ajudou a reduzir o estresse ao dizer que não existe urgência para uma nova alta.

Comentário: Não confunda recuo com normalização.

O Treasury pode cair alguns pontos e ainda continuar caro o suficiente para pressionar Bolsa, emergentes e valuation.


9H15: ADP ABRE O TESTE DO EMPREGO AMERICANO

Mercado espera recuperação moderada da criação de vagas privadas.

O dado antecede o payroll de sexta-feira e chega depois de JOLTS abaixo do esperado.

Comentário: Se ADP vier fraco e PCE comportado, o mercado ganha argumento para aliviar juros.

Se emprego e inflação surpreenderem juntos, o Treasury pode voltar rapidamente às máximas.


PETRÓLEO DÁ UM RESPIRO MAS ORMUZ CONTINUA FECHADO

Brent reage nesta manhã depois da maior queda em mais de uma semana.

Os fluxos do Oriente Médio estão se recuperando por rotas alternativas. A Kpler estimou que os embarques da região já chegaram a cerca de 80% dos níveis anteriores à guerra.

A diplomacia entre EUA e Irã, porém, continua sem solução.

Comentário: Essa é uma melhora importante para inflação.

Se o petróleo conseguir ficar longe das máximas, tira combustível da tese de Fed cada vez mais agressivo.


FISCAL BRASILEIRO VOLTA PARA O CENTRO

Setor público deve mostrar déficit primário perto de R$ 15 bilhões em agosto.

A expectativa é de reversão do superávit registrado em julho. Também sai a relação dívida/PIB.

Comentário: Para o DI longo, essa é a conta que permanece depois da eleição.

Pesquisa movimenta preço hoje. Dívida determina prêmio por muito mais tempo.


EMPREGO BRASILEIRO VEIO FORTE E O DI IGNOROU

Caged criou 165,8 mil vagas, bem acima das 93,5 mil esperadas.

A PNAD manteve desemprego em 5,3%, mas a curva fechou mesmo assim, apoiada pelo alívio dos Treasuries.

Comentário: Isso mostra onde está o comando do mercado neste momento:
emprego brasileiro ainda importa para o Copom, mas Treasury e eleição estão falando mais alto no preço.


TSE COLOCA A DISPUTA JUDICIAL NA TELA

Caso envolvendo publicações sobre Nossa Senhora Aparecida entra em sessão virtual do TSE.

O tema envolve decisão de André Mendonça restringindo determinadas postagens e decisões posteriores no STF. O edital oficial do TSE convocou sessão extraordinária virtual entre 30 de setembro e 2 de outubro.

Comentário: Para o trader, não é uma discussão jurídica isolada.

Na última semana de campanha, qualquer decisão com repercussão eleitoral pode rapidamente chegar ao câmbio, DI e Bolsa.


FLUXO CAMBIAL MOSTRA SE O R$ 5,20 TEM FUNDAMENTO

BC divulga hoje o fluxo cambial semanal.

Ontem o dólar fechou em R$ 5,2170, mesmo com o DXY subindo.

Comentário: O número ajuda a separar duas coisas:
pressão por proteção eleitoral ou saída efetiva de dinheiro.

Essa diferença importa bastante para medir a resistência do real.


CHINA VOLTA AO TERRITÓRIO DE EXPANSÃO

PMIs oficiais melhoraram em setembro.

O PMI industrial oficial subiu para 50,1, enquanto o não manufatureiro foi para 50,2. As leituras privadas também mostraram expansão.

Comentário: É um contraponto positivo para commodities.
Não resolve o choque global de juros, mas ajuda a colocar algum piso para ativos ligados à China.


VALE: CHINA ENTRA TAMBÉM NO FUNDING

Mineradora avalia primeira emissão de dívida em yuans.

A operação pode chegar a 3,5 bilhões de yuans, cerca de US$ 520 milhões, segundo o material.

Comentário: Depois de a ação cair mais de 2% ontem, o papel continua sensível a minério, frete e China.
Funding em yuan diversifica fonte de capital, mas o driver diário ainda é commodity.


RADAR DIRETO PARA O TRADER

  • 8h30: fiscal brasileiro.
  • 9h15: ADP.
  • 9h30: PCE + renda e consumo.
  • PCE núcleo: expectativa de 0,3% no mês.
  • Treasury 10Y: já tocou 5,292%.
  • Treasury 30Y: já passou de 5,60%.
  • Brent: perto de US$ 103 nesta manhã.
  • 14h30: fluxo cambial.
  • Dólar: região de R$ 5,21.
  • TSE: sessão virtual em andamento nesta reta final eleitoral.
  • Sexta: payroll.
  • Vale: possível emissão em yuan.

LEITURA DA MESA

Hoje a tela troca o barulho da geopolítica pela precisão do dado. O petróleo cedeu, o Treasury respirou e agora o PCE precisa dizer se esse alívio merece continuar. Se inflação e emprego vierem comportados, a curva americana ganha espaço para descomprimir. Se vierem fortes, o mercado volta rapidamente para a discussão que incomoda há semanas: até onde o Fed ainda precisa subir para realmente esfriar a economia.

Este conteúdo possui caráter meramente informativo e educacional, não devendo ser interpretado como oferta, solicitação de oferta, recomendação personalizada de investimento ou aconselhamento financeiro, jurídico ou tributário. As decisões de investimento devem considerar os objetivos, perfil de risco e situação financeira específica de cada investidor.

Investimentos nos mercados financeiro e de capitais envolvem riscos, incluindo a possibilidade de perda do capital investido. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.

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