Call diário 02/7

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Resumo do dia 02/07

Hoje o mercado para para um único número: o Payroll. Depois de Kevin Warsh retirar o forward guidance e dizer que os dados vão comandar o Fed, o relatório de emprego passa a ser o principal driver global. No Brasil, a curva já aposta em corte da Selic em agosto, enquanto dólar, juros e Bolsa continuam sensíveis ao risco político. Hoje é dia de volatilidade.


Payroll decide o próximo movimento do Fed

O principal evento do dia é o Payroll americano. O mercado espera criação de cerca de 110 a 113 mil vagas, desemprego em 4,3% e salários ainda resilientes. Depois das declarações de Kevin Warsh em Sintra, ficou claro que o Fed não pretende antecipar os próximos passos da política monetária. Agora, cada indicador econômico passa a ter peso muito maior.

Comentário: Hoje o mercado deixa de negociar discurso e volta a negociar dado. Payroll forte reduz apostas de corte de juros e fortalece o dólar. Payroll fraco reacende a discussão sobre flexibilização monetária.


Selic segue caminhando para corte em agosto

Mesmo com a correção dos DIs ontem, a curva continua precificando aproximadamente 18 pontos-base de corte na reunião de agosto. A leitura combinada da Ata do Copom, do Relatório de Política Monetária, IPCA-15 mais benigno e petróleo em queda mantém o mercado confortável com esse cenário.

Comentário: O mercado continua acreditando mais na desaceleração da atividade do que em uma nova pressão inflacionária. Enquanto essa percepção permanecer, os vértices curtos da curva tendem a seguir comportados.


Petróleo devolve totalmente o prêmio da guerra

O Brent voltou para perto de US$ 70, abaixo dos níveis observados durante o conflito no Oriente Médio. A normalização do tráfego no Estreito de Ormuz, negociações entre EUA e Irã e expectativa de aumento da produção da OPEP+ ampliam a percepção de excesso de oferta.

Comentário: Essa talvez seja hoje a principal variável favorável para o Banco Central. Energia mais barata reduz pressão inflacionária e reforça a narrativa de corte da Selic.


Tecnologia perde força e mercado faz rotação

O setor de tecnologia voltou a sofrer realização global. Samsung e SK Hynix lideraram as perdas após crescerem preocupações sobre possível excesso de capacidade em inteligência artificial. Enquanto isso, investidores migram para setores mais ligados à economia tradicional.

Comentário: Não é mudança estrutural da tese de IA. É uma realização após um movimento extremamente forte de valorização e uma rotação natural de portfólio.


Política continua adicionando prêmio de risco no Brasil

As sanções anunciadas pelos Estados Unidos contra brasileiros e empresas por suposta ligação com o PCC aumentaram a tensão política. O governo criticou a decisão e o mercado voltou a incorporar prêmio de risco. Ao mesmo tempo, Lula reforçou apoio a Jaques Wagner, e Flávio Bolsonaro segue tentando reduzir o desgaste político.

Comentário: O mercado continua monitorando o ambiente eleitoral de 2026. Sempre que aumenta a incerteza política, dólar e juros tendem a responder rapidamente.


Tesouro testa novamente a demanda pelos prefixados

Depois do leilão reduzido de NTN-B no início da semana, hoje o Tesouro oferta LTNs e NTN-Fs. O mercado também acompanha o vencimento de US$ 2,05 bilhões em linhas de câmbio e o comportamento do fluxo cambial.

Comentário: A demanda pelos prefixados continua sendo um excelente termômetro da confiança do mercado na trajetória dos juros e da política fiscal.


Agenda do dia

Brasil

Fenabrave: vendas de veículos

Leilão de LTNs e NTN-F

Vencimento de US$ 2,05 bilhões em linha de câmbio

Eventos de Lula no Ceará

Reuniões de Gabriel Galípolo

Estados Unidos

09h30: Payroll

Taxa de desemprego

Pedidos de auxílio-desemprego

Encomendas à indústria

Mercado americano fecha mais cedo devido ao feriado de 4 de julho.


Fechamento

Depois que o Fed deixou de dar direção, quem passa a comandar os mercados são os dados. Hoje não importa opinião, importa o Payroll.

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