Call diário 05/08/2026 | Copom, Selic e petróleo | Nova Futura

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Resumo do dia 05/08

Copom corta com a porta aberta, petróleo testa acordo em Ormuz e eleição aperta novamente.

O mercado chega ao dia do Copom sem grande dúvida sobre a decisão: a Selic deve cair 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. O verdadeiro ativo da noite será o comunicado.

A produção industrial despencou 1,8% em junho, o petróleo voltou para baixo de US$ 80 e a inflação corrente perdeu força. O Banco Central ganhou argumentos para cortar. Mas fiscal, expectativas desancoradas e eleição apertada impedem uma mensagem abertamente dovish.

Na política, a pesquisa Genial/Quaest mostra Lula com 44% e Flávio Bolsonaro com 39% no segundo turno. A diferença caiu de oito para cinco pontos, enquanto Flávio anuncia hoje seu candidato a vice em meio à dificuldade de ampliar alianças.

No exterior, o mercado aguarda um possível acordo temporário para a navegação em Ormuz, mas os houthis voltaram a ameaçar o Mar Vermelho. Wall Street opera com cautela antes dos dados de emprego e serviços dos Estados Unidos.


O Copom vai cortar; a discussão começa depois das 18h30

A redução para 14% está no preço. O comunicado decidirá o trade de setembro.

O consenso praticamente unânime aponta para corte de 0,25 ponto percentual da Selic.

O Banco Central chega à reunião com um conjunto mais favorável de informações:

  • IPCA-15 próximo de zero;
  • núcleos de inflação mais comportados;
  • petróleo abaixo de US$ 80;
  • produção industrial em forte queda;
  • mercado de trabalho perdendo velocidade;
  • menor pressão recente sobre salários e atividade.

A expectativa é de que o Copom reconheça essa melhora, mas mantenha cautela com as projeções de inflação acima da meta e com o balanço de riscos ainda inclinado para cima.

Comentário: O corte não move o mercado porque já está contratado. O preço estará na escolha das palavras: "cautela", "dependência dos dados", "assimetria" e "expectativas" podem valer mais que os 25 pontos-base.


O Banco Central precisa simplificar a mensagem

Depois de um comunicado confuso, menos texto pode gerar mais clareza.

Analistas esperam que o Copom retire trechos sobre trajetórias alternativas para a taxa de juros, considerados pouco objetivos na última decisão.

A tendência é de um comunicado mais simples, reconhecendo a melhora dos dados sem oferecer guidance explícito para setembro.

O BC deve preservar todas as opções: novo corte, pausa ou mudança de estratégia caso o cenário volte a piorar.

Comentário: Não sinalizar setembro não significa fechar a porta. Significa obrigar o mercado a construir a próxima decisão com base nos dados, exatamente o que o Banco Central precisa em um cenário eleitoral, fiscal e geopolítico instável.


Setembro já está sendo negociado

A curva precifica extensão parcial do ciclo antes de ouvir o Copom.

Os DIs já incorporam a possibilidade de um novo corte em setembro.

A tese ganhou força com a sequência de surpresas baixistas da inflação, o recuo da atividade e a queda do petróleo. Mas as expectativas de longo prazo continuam acima da meta, com atenção especial ao IPCA projetado para 2028.

Parte dos economistas prevê Selic em 13,75% em setembro. Outros esperam pausa prolongada após a decisão de hoje.

Comentário: Comunicado neutro mantém setembro vivo. Comunicado mais duro pode retirar rapidamente essa aposta. O trader não deve confundir ausência de guidance com autorização automática para comprar toda a ponta curta.


A indústria despencou e entregou mais um argumento para o corte

Produção cai 1,8%, três vezes mais que o esperado.

A produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho, mostrando desaceleração muito mais intensa que a prevista pelo mercado.

O resultado reforça que a política monetária restritiva finalmente atingiu a atividade econômica.

A fraqueza ocorre junto com sinais de moderação do emprego, menor pressão salarial e inflação corrente mais benigna.

Comentário: O dado ajuda o Copom hoje, mas aumenta o desafio para os próximos meses. Cortar pouco demais pode aprofundar a desaceleração. Cortar rápido demais, com fiscal frágil e expectativas elevadas, pode devolver pressão ao câmbio e à inflação.

O fiscal continua sendo o calcanhar de Aquiles

A atividade pede alívio; as contas públicas exigem cautela.

Mesmo com petróleo e indústria favorecendo o fechamento da curva, os juros médios e longos continuaram pressionados pelo risco fiscal e eleitoral.

O mercado teme que o avanço do calendário político amplie despesas, subsídios e medidas de estímulo sem uma compensação estrutural.

Também permanece a discussão sobre mudanças no arcabouço fiscal e sobre a capacidade do governo de controlar gastos obrigatórios.

Comentário: O Copom consegue reduzir a Selic. Não consegue resolver a dívida pública. Enquanto o fiscal permanecer sem direção clara, a ponta longa continuará cobrando prêmio, mesmo que a inflação mensal melhore.


Petróleo abaixo de US$ 80 muda o balanço de riscos

A possível reabertura de Ormuz retirou uma parcela importante do prêmio de guerra.

O Brent fechou abaixo de US$ 80 após dois pregões de forte queda, apoiado pela expectativa de um acordo para restabelecer a navegação pelo Estreito de Ormuz.

Estados Unidos, Irã e Omã podem anunciar um protocolo temporário de 60 dias para organizar o fluxo marítimo.

O acordo teria como prioridade reabrir a principal rota de exportação do Golfo Pérsico, deixando temas mais complexos, como o programa nuclear iraniano, para uma segunda etapa.

Comentário: O mercado retirou prêmio porque a oferta pode voltar a circular. Mas um acordo de navegação não é um acordo de paz. A queda reduz a inflação esperada, porém continua vulnerável a qualquer rompimento diplomático.


Os houthis lembram que Ormuz não é a única rota

O petróleo volta a subir com novas ameaças no Mar Vermelho.

Os houthis do Iêmen retomaram as ameaças contra embarcações no Mar Vermelho, recolocando o Estreito de Bab el-Mandeb no radar.

Mesmo que Ormuz seja parcialmente normalizado, problemas no Mar Vermelho ainda podem elevar fretes, seguros e tempo de transporte.

A produção da Opep cresceu em julho, mas segue abaixo dos níveis anteriores à guerra devido às dificuldades logísticas e aos bloqueios.

Comentário: A inflação energética depende de dois fatores: produção e transporte. Não adianta haver petróleo disponível se o custo e o risco para movê-lo continuarem elevados.


ADP e serviços testam a paciência do Fed

Depois do enfraquecimento das vagas abertas, o emprego privado pode mudar setembro.

A pesquisa ADP deve mostrar criação de aproximadamente 75 mil vagas no setor privado americano em julho.

O dado chega depois de o relatório JOLTS indicar redução mais intensa nas vagas abertas.

Também serão divulgados os PMIs e o ISM de serviços, importante termômetro do maior segmento da economia dos Estados Unidos.

Dirigentes do Fed continuam divididos entre a necessidade de combater a inflação e o risco de apertar demais uma economia que começa a perder velocidade.

Comentário: Emprego fraco ajuda os Treasuries e reduz a pressão por alta imediata. Mas inflação de serviços persistente pode neutralizar essa leitura. O Fed precisa ver desaceleração sem perder controle sobre os preços.


Lula segue à frente, mas Flávio reduz a distância

A vantagem cai de oito para cinco pontos no segundo turno.

A pesquisa Genial/Quaest mostra:

  • Lula: 44%;
  • Flávio Bolsonaro: 39%.

No levantamento anterior, a vantagem do presidente era de oito pontos.

A aprovação do governo aparece em 48%, enquanto a desaprovação está em 47%, indicando estabilidade na avaliação da administração.

Segundo a Quaest, a recuperação de Flávio está associada à reorganização do eleitorado antipetista e à redução de conflitos internos na direita.

Comentário: Lula ainda lidera, mas a margem diminuiu. Para o mercado, uma eleição mais competitiva significa maior sensibilidade a discursos fiscais, alianças, propostas econômicas e relações internacionais.


Flávio anuncia o vice em meio ao isolamento partidário

A chapa será apresentada antes de uma coalizão ampla estar construída.

Flávio Bolsonaro anuncia hoje, às 11h, seu candidato a vice-presidente.

União Brasil, Podemos e Republicanos formalizaram neutralidade, reduzindo as opções para uma composição com partidos de centro.

Rogério Marinho aparece entre os nomes mencionados, enquanto a campanha também avaliava a escolha de uma mulher para ampliar o diálogo com o eleitorado feminino.

Comentário: A definição pode organizar a campanha, mas não resolve a ausência de alianças. Uma chapa competitiva precisa de votos e de estrutura política. Flávio está recuperando o primeiro ativo, mas ainda precisa construir o segundo.

Brasil e Estados Unidos elevam o tom diplomático

Revogação de visto e acusações de interferência aumentam o risco político.

Os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, classificando a decisão como resposta recíproca a medidas adotadas pelo Brasil.

O governo brasileiro repudiou a ação e acusou Washington de promover uma escalada hostil com possível interesse na eleição presidencial.

A tensão já havia pressionado dólar e juros futuros, principalmente nos vencimentos médios e longos.

Comentário: O impacto direto ainda é diplomático, mas o mercado monitora três canais: comércio, sanções e interferência na campanha eleitoral. Quanto mais o conflito avançar para esses campos, maior tende a ser o prêmio exigido nos ativos brasileiros.

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