MORNING CALL – NOVA FUTURA
25 de agosto | Terça-feira
Brent perde os US$ 90, Treasury respira e salário mínimo devolve o fiscal brasileiro para a tela
A terça-feira começa com uma combinação mais amigável para o risco: Brent abaixo de US$ 90, yields americanos em leve queda e Nasdaq tentando recuperar terreno antes do balanço da Nvidia.
Mas o alívio ainda é frágil. Nos Estados Unidos, o mercado continua questionando a tentativa de Scott Bessent de segurar a ponta longa dos Treasuries sem resolver o problema fiscal. No Brasil, a discussão migra para NTN-B, arrecadação e Orçamento de 2027, justamente quando o novo salário mínimo de R$ 1.741 aumenta também despesas indexadas à Previdência e benefícios sociais.
BRENT PERDE US$ 90 E DEVOLVE OXIGÊNIO AOS JUROS
Petróleo cai cerca de 3% depois de o pacote americano contra o Irã vir menos agressivo do que o mercado temia.
As novas sanções atingiram empresas chinesas e de Hong Kong, mas pouparam os grandes bancos da China.
O Brent volta para perto de US$ 89, quebrando temporariamente a sequência de pressão inflacionária das últimas semanas.
Comentário: Essa queda vale muito mais que três dólares no barril. Petróleo abaixo de US$ 90 devolve espaço para Fed e Copom respirarem. Mas Ormuz continua longe da normalidade. Alívio ainda não é solução.
BESSENT TENTA MEXER NO PREÇO O MERCADO CONTINUA OLHANDO O FUNDAMENTO
Druckenmiller entra no debate e critica a recompra de Treasuries longos.
Explicação
O investidor afirmou que governos que tentam defender preços contra os fundamentos acabam perdendo.
Os yields recuam hoje, mas os vencimentos longos continuam próximos das máximas de várias décadas.
Comentário: Esse é o dilema americano: o Tesouro pode criar comprador para o título; não consegue criar confiança fiscal por decreto. Enquanto dívida e déficit não melhorarem, qualquer queda forte dos yields continuará sendo testada.
NVIDIA É AMANHÃ E O NASDAQ JÁ ESTÁ POSICIONANDO A APOSTA
Tecnologia tenta recuperar terreno antes do balanço mais importante da temporada.
Os futuros do Nasdaq avançam depois da forte venda recente dos fabricantes de chips.
A Nvidia chega ao resultado depois de relatos de reajustes de até 15% nos preços de servidores equipados com seus chips.
Comentário: O mercado não quer apenas crescimento. Quer saber se o retorno econômico da IA continua justificando o volume gigantesco de capital investido. Amanhã, Nvidia testa mais do que uma ação. Testa um trade inteiro.
BITCOIN PASSA DOS US$ 80 MIL E O DÓLAR ENTRA NO DEBATE
Cripto volta às máximas recentes enquanto cresce a procura por alternativas à moeda americana.
Bitcoin supera US$ 80 mil, enquanto o ouro também avança em meio às dúvidas sobre os efeitos da atuação do Tesouro sobre o dólar no longo prazo.
Comentário: O movimento em ouro e Bitcoin conta uma história parecida: quando o mercado começa a questionar moeda, dívida e credibilidade fiscal, ativos alternativos ganham prêmio.
SALÁRIO MÍNIMO VAI A R$ 1.741 E A CONTA NÃO PARA NO CONSUMO
Alta de R$ 120 em 2027 também alcança Previdência e benefícios indexados.
O governo confirmou salário mínimo de R$ 1.741 em 2027, acima dos atuais R$ 1.621.
O reajuste será incorporado ao Orçamento e preservará a indexação dos benefícios sociais.
Comentário: Para renda disponível, é positivo. Para o fiscal, a leitura é diferente. O trader precisa olhar menos para os R$ 120 de aumento e mais para quantos bilhões essa indexação adiciona à despesa obrigatória. Esse é o número que interessa ao DI longo.
NTN-B VOLTA AO MERCADO E O TESOURO TESTA A CONFIANÇA
Oferta de papéis de 2029, 2033 e 2040 mede o apetite por duration brasileira.
O Tesouro volta a oferecer NTN-B depois de ampliar bastante a emissão na semana passada, na esteira do grande vencimento desses títulos.
Comentário: Esse leilão funciona como um termômetro fiscal. Quanto mais prêmio o investidor exige para comprar inflação longa, mais cara fica a confiança no Brasil.
ARRECADAÇÃO GANHA MAIS PESO COM O ORÇAMENTO DE 2027
Receita de julho sai às 11h e entra diretamente na discussão sobre o superávit prometido.
A mediana das projeções aponta arrecadação próxima de R$ 284,6 bilhões, contra R$ 264,4 bilhões no mês anterior.
Petróleo e imposto de importação devem ajudar o resultado.
Comentário: A conta fiscal é simples: se a despesa obrigatória cresce, receita precisa acompanhar ou o ajuste reaparece na curva.
BOLSA ESTÁ BARATA O PROBLEMA É QUE O GRINGO AINDA NÃO COMPROU A TESE
71% dos participantes de pesquisa do Santander consideram ações brasileiras baratas.
O Ibovespa subiu novamente ontem, mas o estrangeiro já retirou R$ 23,2 bilhões da B3 em agosto.
Fiscal e eleição aparecem como os principais possíveis catalisadores para os próximos meses.
Comentário: Essa talvez seja a melhor definição da Bolsa brasileira hoje: não falta valuation. Falta gatilho. Enquanto o fluxo não virar, barato continua sendo condição não catalisador.
DÓLAR EM R$ 5,15 ENTRA EM MODO DE ESPERA
Câmbio estabiliza depois do estresse acima de R$ 5,20.
O dólar fechou próximo de R$ 5,15, acompanhando um ambiente externo mais calmo e algum fechamento dos Treasuries.
Comentário: Essa região virou importante. Se o dólar romper para baixo com fluxo estrangeiro melhorando, muda a conversa. Se voltar para R$ 5,20, o prêmio doméstico continua vivo.
BRASKEM GANHA CRÉDITO MAS PERDE O IBOVESPA
Petrobras amplia limite comercial para R$ 2,35 bilhões, enquanto a ação será retirada de vários índices da B3.
A linha de crédito para matéria-prima ajuda a Braskem a preservar caixa durante a recuperação extrajudicial.
O apoio está condicionado à adesão mínima de credores e à aprovação da governança da Petrobras.
Comentário: A linha melhora liquidez. Mas a exclusão dos índices cria potencial pressão técnica adicional. Braskem continua sendo um trade de reestruturação, não de resultado operacional.
HAPVIDA VOLTA AO RADAR PELO PREÇO DOS CONTRATOS
Companhia avalia reajustar ou encerrar contratos coletivos considerados defasados.
A discussão envolve cerca de 947 mil beneficiários, enquanto a Squadra reduziu sua participação acionária.
Comentário: Esse movimento é importante para a tese. Se a companhia conseguir corrigir contratos ruins sem perder volume demais, margem melhora. Se perder cliente sem recompor rentabilidade, troca um problema por outro.
RADAR DIRETO PARA O TRADER
Brent: abaixo de US$ 90 reduz pressão inflacionária.
Ormuz: continua sendo risco de cauda.
Treasury: yields aliviam, mas fiscal permanece sem solução.
Nasdaq: pré-Nvidia domina o posicionamento.
Bitcoin: acima de US$ 80 mil reforça trade de liquidez/desdolarização.
NTN-B: leilão mede prêmio fiscal e apetite por prazo.
Arrecadação: importante para o PLOA de 2027.
Salário mínimo: melhora renda, mas aumenta despesa indexada.
Ibovespa: barato, mas ainda com R$ 23,2 bi de saída estrangeira.
Dólar: R$ 5,15 vira região importante de teste.
Braskem: crédito ajuda caixa; reestruturação continua mandando.
Hapvida: repricing de contratos pode ser peça importante para recuperação de margem.
LEITURA DA MESA
Hoje o mercado ganhou um presente: Brent abaixo de US$ 90. Isso tira pressão da inflação, ajuda os juros e devolve fôlego ao risco. Mas os dois problemas estruturais continuam intactos. Nos Estados Unidos, Bessent tenta administrar a curva sem resolver o déficit. No Brasil, salário mínimo maior aumenta renda, mas também despesa obrigatória, exatamente no dia em que o Tesouro testa NTN-B. A energia aliviou. Agora o fiscal precisa entregar.
Este conteúdo possui caráter meramente informativo e educacional, não devendo ser interpretado como oferta, solicitação de oferta, recomendação personalizada de investimento ou aconselhamento financeiro, jurídico ou tributário. As decisões de investimento devem considerar os objetivos, perfil de risco e situação financeira específica de cada investidor.
Investimentos nos mercados financeiro e de capitais envolvem riscos, incluindo a possibilidade de perda do capital investido. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.
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