Call diário 21/08/2026 | Treasury, Brent e Datafolha | Nova Futura

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MORNING CALL – NOVA FUTURA

21 de agosto | Sexta-feira

Treasury tenta respirar, Brent fecha a semana perto de US$ 94 e Datafolha devolve a eleição para o centro da tela

A sexta-feira começa com algum alívio nos yields americanos, mas sem mudança estrutural: o mercado continua desconfiado de que as recompras de Treasuries sejam suficientes para resolver o problema fiscal dos EUA. Scott Bessent promete uma nova iniciativa de consolidação, enquanto o petróleo caminha para alta semanal próxima de 6%, mantendo inflação e Fed sob vigilância.

No Brasil, setembro continua vivo para o Copom, mas o estrangeiro já retirou mais de R$ 20 bilhões da B3 em agosto, o dólar mudou de faixa e a eleição volta ao centro do pregão com o Datafolha previsto para o início da noite.


TREASURY RESPIRA MAS O PROBLEMA NÃO FOI EMBORA

Yields recuam, enquanto o mercado espera algo mais concreto de Bessent para o fiscal.

O Treasury de dez anos volta para perto de 4,69%, depois de uma semana marcada por forte pressão nos vencimentos longos.

As recompras anunciadas pelo Tesouro americano aliviaram temporariamente as taxas, mas não alteraram dívida superior a US$ 40 trilhões nem a elevada necessidade de financiamento.

Comentário: O mercado já entendeu a diferença: recompra compra tempo; consolidação fiscal compra credibilidade. Sem a segunda, qualquer fechamento mais forte dos yields continua sujeito a devolução.


O DÓLAR GLOBAL ENFRAQUECE E ISSO DEVOLVE OXIGÊNIO AO RISCO

DXY recua enquanto o mercado questiona a sustentabilidade dos juros americanos elevados.

A moeda americana perde força com yields cedendo e com expectativa de que o Fed já tenha passado pelo pico do discurso mais hawkish.

O Citi passou a projetar um dólar globalmente mais fraco diante dos últimos dados benignos de inflação e emprego.

Comentário: Dólar fraco é bom para emergentes. Mas o Brasil precisa parar de produzir risco próprio para transformar vento externo em fluxo doméstico.


BRENT PERTO DE US$ 94 CONTINUA SENDO O PRINCIPAL RISCO DE CAUDA

Petróleo caminha para alta semanal de quase 6% com o cerco econômico ao Irã.

O Brent permanece próximo de US$ 94, enquanto Washington prepara novas sanções e ameaça também parceiros comerciais do Irã.

Ao mesmo tempo, o petróleo iraniano disponível às refinarias chinesas começa a diminuir.

Comentário: A alta do petróleo é mais perigosa hoje porque acontece justamente quando o mercado começava a relaxar a discussão de juros. Se energia continuar subindo, o Fed ganha novamente um problema inflacionário que não estava no roteiro.


SETEMBRO CONTINUA DE PÉ MESMO COM O PETRÓLEO

Curva curta ainda aposta em corte de 25 pontos-base da Selic.

A desaceleração da atividade e as recentes surpresas benignas da inflação continuam sustentando a expectativa de redução da Selic.

Ontem, mesmo com Treasury e petróleo pressionando, o DI Jan/27 terminou praticamente estável.

Comentário: O mercado está dizendo que setembro resiste. Mas o verdadeiro teste começa depois dele: câmbio, petróleo e fiscal podem decidir se o ciclo termina em 13,75% ou continua.


MAIS DE R$ 20 BILHÕES JÁ SAÍRAM O FLUXO CONTINUA SENDO O VOTO MAIS DURO

Estrangeiro mantém retirada forte da Bolsa brasileira em agosto.

A B3 registrou nova saída de aproximadamente R$ 1,7 bilhão, levando a retirada mensal para mais de R$ 20 bilhões.

O movimento acompanha aumento da cautela com eleição, fiscal e desaceleração doméstica.

Comentário: Preço barato ajuda. Juro alto ajuda. Carry ajuda. Mas nenhum deles substitui comprador. Enquanto o estrangeiro continuar reduzindo Brasil, a recuperação da Bolsa continuará frágil.


O IBOVESPA PAROU DE CAIR AINDA NÃO COMEÇOU A SUBIR

Depois de onze quedas, o índice continua sem força para uma recuperação consistente.

O Ibovespa fechou ontem praticamente estável, em torno dos 167,9 mil pontos, depois da reação observada na sessão anterior.

Commodities ajudaram, mas bancos continuaram pressionados pela preocupação com crédito.

Comentário: O índice saiu do mergulho e entrou na lateralização. Agora precisa provar que existe absorção da oferta não apenas falta momentânea de vendedor.


DATAFOLHA PODE MEXER MAIS NO LONGO QUE NO ÍNDICE

Nova pesquisa sai no início da noite e pode recalibrar o prêmio eleitoral.

O Datafolha deve divulgar nova rodada da corrida presidencial com entrevistas realizadas entre 18 e 20 de agosto.

O mercado acompanha não apenas a distância entre os candidatos, mas como os números alteram a percepção sobre fiscal e trajetória econômica após a eleição.

Comentário: Pesquisa não muda lucro de empresa hoje. Mas pode mudar dólar, DI longo e prêmio exigido pelo estrangeiro. É aí que o trade eleitoral aparece primeiro.


FLÁVIO FALA EM TRANSIÇÃO E O MERCADO PROCURA O DESENHO ECONÔMICO

Candidato reforça discurso de responsabilidade fiscal e redução tributária.

Flávio Bolsonaro afirmou a empresários que gostaria de entrar para a história mesmo como presidente de transição e voltou a defender redução da carga tributária acompanhada de equilíbrio das contas.

Comentário: O mercado já passou da fase de slogans. Agora quer saber como reduzir imposto sem deteriorar receita e como reduzir gasto sem comprometer governabilidade.


PMIs TESTAM SE A DESACELERAÇÃO GLOBAL É CONTROLADA

Atividade americana e europeia entram no radar depois da semana de estresse nos juros.

Os PMIs preliminares de agosto devem mostrar alguma moderação nos Estados Unidos e na Europa.

Nos EUA, o PMI composto é esperado em torno de 54,3, ainda em território de expansão.

Comentário: O melhor cenário para o mercado é simples: atividade desacelera sem quebrar e inflação perde força. Qualquer combinação diferente complica Treasury, Bolsa e Fed.


BITCOIN ACIMA DE US$ 77 MIL VOLTA A SER TERMÔMETRO DE LIQUIDEZ

Cripto dispara com dólar mais fraco e algum alívio nos juros.

O Bitcoin sobe forte e supera US$ 77 mil, caminhando para uma das melhores semanas dos últimos anos.

Comentário: Bitcoin está funcionando como leitura rápida da liquidez global. Se Treasury fechar e dólar cair, o risco respira. Se os yields voltarem a abrir, esse trade pode devolver rápido.


BRASKEM: CREDORES CONTINUAM SENDO MAIS IMPORTANTES QUE EBITDA

Companhia avalia novas medidas de proteção financeira.

A Braskem segue analisando alternativas para preservar caixa e negociar com credores enquanto a reestruturação permanece no centro da tese.

Comentário: Aqui, o mercado já não discute trimestre. Discute liquidez, dívida e poder de negociação.


RADAR DIRETO PARA O TRADER

Treasury 10Y/30Y: alívio hoje, mas fiscal continua sendo o driver estrutural.

Brent: perto de US$ 94 mantém pressão inflacionária.

DXY: fraqueza externa ajuda emergentes.

DI curto: setembro continua com corte no preço.

DI longo: eleição + fiscal + Treasury continuam cobrando.

Dólar: carry ajuda, mas fluxo estrangeiro continua negativo.

Ibovespa: parou de cair; falta fluxo para confirmar reversão.

Datafolha: maior risco doméstico de volatilidade no fim do dia.

PMIs: testam cenário de desaceleração sem recessão.

Bitcoin: segue como termômetro de liquidez.


LEITURA DA MESA

O mercado termina a semana tentando separar alívio de solução. Treasury recua, mas o fiscal americano continua aberto. O dólar perde força, mas o Brasil ainda perde estrangeiro. O Ibovespa parou de cair, mas ainda não encontrou fluxo. E o Brent perto de US$ 94 lembra que inflação continua viva. Hoje, o Datafolha pode devolver o prêmio eleitoral para a curva e mostrar se a calmaria foi pausa ou virada.


Este conteúdo possui caráter meramente informativo e educacional, não devendo ser interpretado como oferta, solicitação de oferta, recomendação personalizada de investimento ou aconselhamento financeiro, jurídico ou tributário. As decisões de investimento devem considerar os objetivos, perfil de risco e situação financeira específica de cada investidor.

Investimentos nos mercados financeiro e de capitais envolvem riscos, incluindo a possibilidade de perda do capital investido. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.

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