MORNING CALL – NOVA FUTURA
24 de setembro | Quinta-feira
Treasury volta à zona de perigo, Brent reacelera e Galípolo entra no centro do DI
A quinta-feira começa com o exterior devolvendo parte do alívio dos últimos dias. Treasuries voltam a subir, o 30 anos americano alcança o maior rendimento desde 2004, o Brent retorna para perto de US$ 105 e o dólar ganha força globalmente.
No Brasil, o dia é carregado: Relatório de Política Monetária às 8h, relatório fiscal às 9h30, casadão de até US$ 1 bilhão às 10h30 e Galípolo às 11h. Depois do fechamento, Datafolha traz nova fotografia da eleição.
TREASURY ROMPEU 5% E AGORA O PROBLEMA É A PONTA LONGA
10 anos voltou acima de 5% e o 30 anos atingiu o maior yield desde 2004.
O movimento veio da combinação de atividade americana forte, petróleo subindo, Fed hawkish e demanda fraca por dívida longa.
O 10 anos chegou a 5,135% e fechou ontem em 5,105%; o 30 anos foi para perto de 5,40%.
Comentário: Esse é o principal freio para risco hoje. Quando o Treasury longo abre desse jeito, não é só discussão de Fed é inflação, fiscal e prêmio de prazo juntos. Bolsa, emergentes e ativos long duration sentem primeiro.
PETRÓLEO VOLTA PARA US$ 105 E DESFAZ PARTE DO ALÍVIO
Brent sobe novamente depois do fracasso das conversas entre EUA e Irã.
As negociações em Nova York terminaram sem avanço relevante e Teerã manteve condições para normalizar o trânsito por Ormuz.
O risco de oferta voltou ao preço mesmo com estoques americanos maiores que o esperado.
Comentário: Abaixo de US$ 100, o petróleo ajudava os juros. Perto de US$ 105, volta a fazer exatamente o contrário. Para o Brasil, melhora termos de troca, mas piora inflação e limita o espaço do Copom.
FED ESTÁ GANHANDO MAIS ALTAS NO PREÇO
Mercado passou a precificar ciclo mais duro depois de atividade forte e petróleo mais caro.
A curva americana já incorpora três altas de 25 pontos-base no próximo ano, com proteção relevante para uma quarta, enquanto dirigentes continuam reforçando preocupação com inflação.
Comentário: O ponto importante não é uma reunião específica. O mercado está redesenhando o tamanho inteiro do ciclo de aperto. Isso mantém Treasury e dólar fortes mesmo quando aparecem notícias positivas em outras frentes.
8H: RPM VAI MOSTRAR ATÉ ONDE O COPOM CONSEGUE IR
BC atualiza projeções de inflação, PIB, hiato e juro neutro.
O foco principal será a projeção de inflação para o 2º trimestre de 2028, que passa a ser horizonte relevante para as reuniões de novembro e dezembro.
O mercado também procura confirmação da desaceleração da atividade já indicada pela ata.
Comentário: Depois da ata, o mercado começou a discutir Selic em 13,25%. O RPM precisa mostrar se os modelos do BC sustentam essa leitura principalmente agora que petróleo e Treasury voltaram a incomodar.
11H: GALÍPOLO PODE DEFINIR O TOM DE NOVEMBRO
Presidente do BC comenta o RPM em coletiva.
Depois de uma ata interpretada como marginalmente dovish, a fala de Galípolo passa a ser o próximo teste da narrativa de continuidade dos cortes.
Comentário: O mercado vai caçar principalmente uma coisa: quanto da desaceleração já permite cortar e quanto do choque externo exige paciência. Se Galípolo equilibrar os dois lados, o DI curto pode continuar negociando novembro sem assumir dezembro como garantido.
9H30: FISCAL VOLTA A DISPUTAR ESPAÇO COM O COPOM
Governo divulga Relatório Bimestral com expectativa de piora do resultado primário.
Entre as pressões estão revisão de receitas, custo das medidas para combustíveis e PIB oficial menor.
A estimativa para receitas com IRRF sobre lucros e dividendos teria caído de R$ 29,9 bilhões para R$ 10,5 bilhões.
Comentário: Aqui está a divisão da curva: Copom pode ajudar o curto. Fiscal continua decidindo o longo. Se a piora fiscal vier maior que o esperado, Jan/31 e Jan/33 podem ignorar qualquer mensagem mais dovish do BC.
10H30: BC VOLTA AO CÂMBIO COM US$ 1 BILHÃO
Autoridade monetária realiza novo casadão diante da pressão de liquidez no fim do trimestre.
Se vender toda a oferta, o BC terá realizado US$ 4 bilhões em intervenções em setembro, entre linhas e operações conjugadas.
Comentário: O dólar já respondeu ao estresse externo e voltou para perto de R$ 5,17. A atuação não é necessariamente defesa de preço é defesa do funcionamento do mercado.
REAL PERDEU A FAIXA DOS R$ 5,10
Dólar fechou ontem a R$ 5,1682, alta de 1,28%.
Treasury, DXY e petróleo subiram juntos, impondo pressão mesmo sobre uma moeda que vinha mostrando bastante resistência.
Comentário: Esse movimento é importante para o Copom. O câmbio vinha dando liberdade para cortar. Acima de R$ 5,15, começa a cobrar parte dessa liberdade de volta.
TRUMP–XI: A TRÉGUA AVANÇA, MAS A GUERRA TECNOLÓGICA CONTINUA
EUA e China acertaram extensão de dois meses da trégua comercial antes do encontro dos presidentes.
Tarifas, IA, terras raras e restrições tecnológicas seguem no centro das negociações.
Comentário: Para o mercado, prorrogar a trégua já evita uma nova fonte de estresse. O melhor resultado hoje talvez não seja um grande acordo seja simplesmente não criar uma nova crise.
DATAFOLHA À NOITE E O CÂMBIO JÁ MOSTRA MAIS PROTEÇÃO
Nova pesquisa presidencial sai após o fechamento.
A Atlas divulgada ontem mostrou segundo turno dentro da margem de erro. Ao mesmo tempo, o risk reversal de três meses do real subiu para 2,29%, maior nível em um mês, mostrando aumento da procura por proteção contra alta do dólar.
Comentário: Essa é a forma correta de ler o trade: pesquisa apertada não entrega direção, mas aumenta a demanda por hedge. Até a eleição, volatilidade passa a valer tanto quanto direção.
BANCOS SENTIRAM A ABERTURA DO DI
Ibovespa caiu 0,86%, com bancos entre as principais pressões.
BB caiu 2,21%, Bradesco PN 2,17% e Itaú PN 1,88%, enquanto Petrobras subiu mais de 2,5% acompanhando o petróleo.
Comentário: Ontem ficou didático: juros abrindo machucam bancos e domésticas; petróleo subindo sustenta Petrobras. Se Treasury continuar pressionando hoje, essa rotação pode continuar.
RADAR DIRETO PARA O TRADER
8h: Relatório de Política Monetária.
9h30: relatório fiscal.
10h30: casadão de até US$ 1 bi.
11h: Galípolo.
18h45: Datafolha.
Treasury 10Y: novamente acima de 5%.
Treasury 30Y: maior nível desde 2004.
Brent: região de US$ 105.
Dólar: voltou para perto de R$ 5,17.
Fed: mercado aumenta apostas em novas altas.
Trump–Xi: encontro hoje.
DI: curto olha BC; longo olha exterior + fiscal.
Petrobras: favorecida pelo petróleo.
Bancos: sensíveis à reabertura da curva.
LEITURA DA MESA
Ontem o mercado recebeu um lembrete de que o Copom não opera sozinho. A ata abriu espaço para cortar juros aqui, mas petróleo voltou a subir, o Fed endureceu e o Treasury de 30 anos foi ao maior nível desde 2004. Hoje o Brasil coloca quatro cartas na mesa RPM, fiscal, câmbio e Galípolo. Se o BC mostrar espaço para aliviar mesmo com o exterior piorando, o DI curto pode resistir. Mas se o câmbio continuar sentindo e o fiscal decepcionar, a ponta longa vai lembrar rapidamente quem manda no prêmio de risco.
Este conteúdo possui caráter meramente informativo e educacional, não devendo ser interpretado como oferta, solicitação de oferta, recomendação personalizada de investimento ou aconselhamento financeiro, jurídico ou tributário. As decisões de investimento devem considerar os objetivos, perfil de risco e situação financeira específica de cada investidor.
Investimentos nos mercados financeiro e de capitais envolvem riscos, incluindo a possibilidade de perda do capital investido. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.
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