MORNING CALL – NOVA FUTURA
23 de setembro | Quarta-feira
Atlas mantém eleição no milímetro, Fed endurece mesmo com petróleo abaixo de US$ 100 e Copom abre espaço para 13,25%
A quarta-feira começa com três forças puxando o mercado em direções diferentes. O petróleo segue abaixo de US$ 100 e ajuda a inflação global; o Fed, mesmo assim, mantém discurso duro; e no Brasil a ata do Copom reforçou a possibilidade de novos cortes da Selic.
Na política, a nova AtlasIntel/Bloomberg mantém a disputa extremamente apertada: Lula aparece numericamente à frente no primeiro turno, enquanto o cenário de segundo turno continua dentro da margem de erro. Amanhã vem Datafolha.
ATLAS: 47,7 A 47,4 NADA RESOLVIDO NO SEGUNDO TURNO
Lula aparece com 47,7% e Flávio Bolsonaro com 47,4% num eventual segundo turno.
A diferença é de apenas 0,3 ponto percentual, dentro da margem de erro de 1 ponto. No primeiro turno, Lula aparece com 45,8% contra 43,4% de Flávio. A pesquisa ouviu 5.015 pessoas entre 17 e 22 de setembro.
Comentário: A pesquisa não entrega direção conclusiva para o segundo turno.
O mercado continua sem poder tratar uma diferença numérica tão pequena como tendência.
Amanhã, o Datafolha passa a ser o próximo teste para saber se existe convergência entre institutos ou apenas oscilação estatística.
9H30: NILTON DAVID PODE MEXER COM O DI
Diretor de Política Monetária do BC fala depois de uma ata que aumentou as apostas em novos cortes.
A ata mostrou mais confiança na desaceleração da atividade e dedicou atenção inédita à transmissão da política monetária pelo crédito.
Depois do documento, 19 de 33 instituições consultadas pelo Broadcast passaram a projetar dois cortes de 25 pontos, levando a Selic para 13,25% no fim do ano.
A curva agora quer saber se o BC vai validar essa leitura.
A ata deixou novembro e dezembro vivos. Qualquer nuance de Nilton David sobre ritmo, atividade ou expectativas pode mexer principalmente no DI curto.
COPOM E FED ESTÃO ANDANDO EM DIREÇÕES OPOSTAS
Brasil discute mais cortes enquanto os EUA voltam a precificar nova alta.
Nos Estados Unidos, o mercado passou a atribuir cerca de 54% de probabilidade a uma alta de 25 pontos em outubro, após novas falas duras de dirigentes do Fed.
No Brasil, a mediana do mercado para a Selic no fim do ano caiu de 13,50% para 13,25% depois da ata.
Esse é um dos trades mais importantes da tela.
Fed querendo apertar e Copom querendo aliviar significa diferencial de juros menor.
Enquanto o real permanecer perto de R$ 5,10, o BC ganha liberdade. Se o câmbio mudar de comportamento, essa liberdade diminui rápido.
PETRÓLEO ABAIXO DE US$ 100 AJUDA MAS NÃO DOMOU O FED
Brent gira perto de US$ 99 e WTI abaixo de US$ 90.
A retomada das conversas entre Estados Unidos e Irã ajudou o Brent a registrar a maior sequência de quedas em mais de um ano.
Apesar disso, dirigentes do Fed continuam argumentando que as pressões inflacionárias vão além da energia.
Comentário: Essa divergência é importante.
O petróleo está retirando inflação da mesa; o Fed está dizendo que ainda existe inflação embaixo da mesa.
Para derrubar Treasury com mais força, o mercado precisará de mais do que gasolina barata.
FAZENDA CORTA PIB E CONFIRMA O FREIO DA ECONOMIA
Projeção de crescimento de 2026 caiu de 2,3% para 2%.
Para 2027, a Fazenda reduziu a previsão de PIB de 2,5% para 2,3%.
A Pasta também revisou o IPCA de 2026 para 4,9%, ainda acima do teto da meta, e reconheceu que juros altos já aparecem na indústria, nos serviços e principalmente no crédito.
Comentário: Isso conversa diretamente com a ata.
Copom e Fazenda estão enxergando a mesma coisa: atividade perdendo velocidade.
Para o DI curto, é argumento pró-corte. Para acelerar o ciclo, porém, inflação e expectativas ainda precisam colaborar.
DÓLAR EM R$ 5,10 ESTÁ DESAFIANDO O CARRY
Real continua forte mesmo com Fed mais duro e Copom potencialmente mais dovish.
O dólar fechou ontem a R$ 5,1029, enquanto o DXY voltou para cima dos 100 pontos.
Ou seja: a moeda brasileira voltou a descolar do movimento externo.
Comentário: Esse comportamento merece atenção.
O carry está ficando matematicamente menos atraente, mas o real continua firme.
Enquanto fluxo e percepção de risco doméstico compensarem, funciona. O perigo é acreditar que essa equação é permanente.
ESTRANGEIRO ESTÁ COLOCANDO DINHEIRO NA B3
Entrada estrangeira alcançou R$ 3,6 bilhões na sexta-feira.
O saldo do mês avançou para R$ 9,2 bilhões e, no acumulado do ano, está positivo em R$ 27,5 bilhões.
O Ibovespa fechou ontem aos 187.422 pontos, alta de 0,44%.
Comentário: Aqui existe algo mais importante que discurso: dinheiro.
Enquanto o estrangeiro estiver comprando Brasil, quedas tendem a encontrar absorção com mais facilidade.
Fluxo não garante tendência mas mostra quem está pagando o preço.
TREASURY NÃO CONSEGUE SE AFASTAR DOS 5%
10 anos fechou em 4,953%, praticamente estável mesmo com a forte queda do petróleo.
O Fed hawkish neutralizou parte do efeito desinflacionário da energia. O título de 30 anos subiu para 5,292%.
Comentário: Esse é o alerta do exterior.
Se cinco quedas consecutivas do petróleo não conseguem derrubar o Treasury, é porque o mercado ainda está cobrando inflação e política monetária.
Os 5% continuam sendo uma fronteira importante para o apetite global por risco.
TRUMP–XI: IA ENTRA NO CENTRO DA GEOPOLÍTICA
Xi Jinping chega aos Estados Unidos com tecnologia, comércio e minerais críticos no radar.
As negociações continuam, mas permanecem divergências relevantes sobre tecnologia e empresas chinesas.
O Nasdaq vem renovando máximas com o entusiasmo em torno da inteligência artificial.
Comentário: Aqui o mercado não precisa necessariamente de um grande acordo.
Precisa evitar uma grande briga.
Se EUA e China reduzirem risco de novas restrições tecnológicas, semicondutores e ativos de crescimento ganham espaço. Uma escalada faz o movimento contrário.
PETROBRAS TEM TCU NA TELA
Tribunal analisa hoje, em sessão reservada, a política de preços da estatal.
A companhia também anunciou resgate antecipado de US$ 1,08 bilhão em títulos globais com vencimento em 2028.
Comentário: PETR4 está vivendo uma combinação curiosa:
petróleo abaixo de US$ 100 ajuda o macro brasileiro, mas reduz o preço da principal commodity da companhia.
Somando política de preços, o papel pode continuar descolando do Brent no intraday.
RADAR DIRETO PARA O TRADER
9h30: Nilton David, diretor do BC.
Atlas: Lula 45,8% x Flávio 43,4% no 1º turno; 47,7% x 47,4% no 2º.
Amanhã: Datafolha.
Selic: mercado amplia apostas em 13,25% no fim do ano.
Fed outubro: mercado volta a discutir nova alta.
Brent: perto de US$ 99.
WTI: abaixo de US$ 90.
Dólar: região de R$ 5,10.
Treasury 10Y: perto de 4,95%.
10h45: PMI dos EUA.
11h30: estoques de petróleo do DoE.
11h30: BC conclui rolagem de swaps.
14h30: fluxo cambial.
Petrobras: TCU acompanha política de preços.
Suzano: reajuste global de celulose em outubro.
LEITURA DA MESA
O mercado está montando uma combinação rara: petróleo abaixo de US$ 100, Copom enxergando economia mais fraca e dinheiro estrangeiro entrando na B3. Só que o Fed continua dizendo “calma lá” e mantém o Treasury grudado perto dos 5%. Aqui dentro, a eleição continua apertada demais para oferecer direção definitiva. Hoje o trader tem dois relógios para acompanhar: Nilton David pode mexer no preço dos juros brasileiros, enquanto lá fora o Fed continua colocando limite na festa.
Este conteúdo possui caráter meramente informativo e educacional, não devendo ser interpretado como oferta, solicitação de oferta, recomendação personalizada de investimento ou aconselhamento financeiro, jurídico ou tributário. As decisões de investimento devem considerar os objetivos, perfil de risco e situação financeira específica de cada investidor.
Investimentos nos mercados financeiro e de capitais envolvem riscos, incluindo a possibilidade de perda do capital investido. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.
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