Call diário 20/08/2026 | Fed, petróleo e eleição | Nova Futura

Tempo de leitura: 5 min.

MORNING CALL – NOVA FUTURA

20 de agosto | Quinta-feira

Bessent tenta segurar o juro longo, petróleo flerta com US$ 93 e eleição mantém o prêmio Brasil

O mercado começa o dia com uma mensagem desconfortável: o Tesouro americano ampliou a recompra de títulos longos, mas os yields já voltaram a subir. A medida comprou alívio, não resolveu o problema estrutural de déficit, dívida e excesso de emissão nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, Trump anunciou uma “guerra econômica sem precedentes” contra o Irã, levando o Brent para perto de US$ 93 e recolocando inflação na conta. No Brasil, o Ibovespa finalmente interrompeu 11 quedas consecutivas, mas eleição, fiscal e fluxo continuam no comando. Lula chega às últimas seis semanas da campanha como favorito nas pesquisas citadas pelas fontes, enquanto o debate do mercado se desloca para o ajuste fiscal que virá depois das urnas.

BESSENT COMPROU TEMPO — NÃO COMPROU CREDIBILIDADE

Tesouro americano amplia recompra de títulos longos, mas yields voltam a subir.

O Tesouro anunciou que pretende ao menos dobrar as recompras de Treasuries entre 10 e 30 anos, depois de o rendimento do papel de 30 anos superar 5,30%.

O primeiro movimento foi forte: juros caíram, dólar enfraqueceu e emergentes respiraram. Hoje, parte desse alívio já está sendo devolvida.

Comentário

A intervenção resolve liquidez. Não resolve déficit.

Se o mercado continuar exigindo prêmio para financiar Washington, recomprar título vira analgésico — não tratamento.

A ATA DO FED VEIO HAWKISH — MAS CHEGOU ATRASADA

Mais dirigentes queriam subir juros em julho do que os votos mostraram.

A ata revelou que “diversos” membros defenderam alta de 25 pontos e vários consideravam necessário novo aperto caso a inflação não cedesse.

Só que payroll, varejo, CPI e PPI divulgados depois da reunião mudaram parcialmente o cenário, e a probabilidade de manutenção em setembro permaneceu majoritária.

Comentário

A fotografia de julho era hawkish.

O filme de agosto ficou mais dovish.

Por isso, a próxima perna do Fed depende mais dos próximos dados do que da ata de ontem.

BRENT PERTO DE US$ 93 DEVOLVE O PETRÓLEO AO CENTRO DO JOGO

Trump troca negociação por “guerra econômica” contra o Irã.

Os Estados Unidos prometem ampliar sanções contra empresas, instituições e países que ajudarem Teerã a contornar o isolamento.

Com as negociações travadas, o Brent avança para perto de US$ 93, mesmo com produção e estoques americanos mais elevados.

Comentário

Essa é a pior combinação para os bancos centrais:

atividade desacelera, mas energia reacelera.

O petróleo pode acabar decidindo quanto espaço Fed e Copom realmente terão para relaxar juros.

O IBOVESPA FINALMENTE SUBIU — AGORA PRECISA PROVAR QUE NÃO FOI SÓ RESPIRO

Depois de 11 quedas, a Bolsa reagiu com o alívio nos Treasuries.

O Ibovespa chegou a romper os 170 mil pontos intraday, mas perdeu parte da força e fechou em alta de 0,90%, aos 167,8 mil pontos.

A queda dos yields americanos e do dólar ajudou a devolver apetite por emergentes.

Comentário

Parar de cair é condição necessária.

Não suficiente.

A reversão só ganha qualidade quando o fluxo estrangeiro confirmar que voltou a comprar Brasil.

DÓLAR VOLTA PARA R$ 5,17 — MAS O PRÊMIO ELEITORAL NÃO SUMIU

Alívio global melhora o real, mas o câmbio continua vulnerável ao cenário doméstico.

O dólar caiu para R$ 5,1761, acompanhando a fraqueza global da moeda americana depois do anúncio das recompras.

O JPMorgan, porém, continua alertando para a possibilidade de aumento da volatilidade conforme a eleição se aproxima.

Comentário

O exterior abriu uma janela.

O Brasil precisa decidir se usa essa janela para atrair fluxo ou para voltar a colocar prêmio político no câmbio.

LULA CHEGA FAVORITO — E O MERCADO JÁ OLHA PARA O DIA SEGUINTE

A pergunta começa a migrar de “quem vence?” para “qual será o ajuste fiscal?”.

As fontes descrevem Lula chegando às últimas seis semanas da eleição em posição favorável, enquanto integrantes de sua equipe reconhecem que um eventual novo mandato exigiria algum ajuste fiscal.

O desafio apontado é conciliar disciplina nas contas com a defesa de investimento público como instrumento de crescimento.

Comentário

Para os ativos, essa é a discussão central.

Não basta ganhar a eleição: o próximo governo precisa mostrar como estabiliza a dívida sem desmontar sua própria agenda econômica.

TESOURO BRASILEIRO TESTA O PREFIXADO

Depois da NTN-B, o mercado precisa mostrar apetite por taxa nominal longa.

O Tesouro oferta LTNs de 2027 a 2030 e NTN-Fs até 2037, depois de elevar a oferta de papéis indexados à inflação na terça-feira.

A curva brasileira continua sensível aos juros americanos, fiscal e eleição.

Comentário

Esse leilão é outro teste de confiança.

Quanto mais prêmio o investidor exige para alongar prazo, mais cara fica a discussão fiscal brasileira.

BITCOIN PASSA DE US$ 70 MIL COM LIQUIDEZ — MAS JURO LONGO AINDA É O CHEFE

Cripto reage ao alívio dos yields e à fraqueza do dólar.

O Bitcoin voltou para cima de US$ 70 mil, beneficiado pelo movimento de queda recente dos rendimentos e aumento da liquidez percebida.

Comentário

O trade funciona enquanto o juro longo colaborar.

Se Treasury voltar a abrir de forma consistente, ativos de duration e liquidez abundante voltam a enfrentar o mesmo inimigo.

CASAS BAHIA GANHA PROTEÇÃO — MAS A CRISE CONTINUA

Justiça impede vencimentos antecipados enquanto analisa a recuperação judicial.

A companhia conseguiu proteção contra determinadas acelerações de dívida, enquanto a Justiça realizará perícia antes de decidir pelo processamento da recuperação.

Comentário

O evento deixou de ser operacional.

Agora o mercado negocia liquidez, credores, garantia e capacidade de atravessar a reestruturação.

RADAR DIRETO PARA O TRADER

Treasury 30Y: recompra alivia, mas fiscal continua dominando.
Fed: ata foi hawkish; dados posteriores seguram setembro.
Brent: perto de US$ 93 aumenta o risco inflacionário.
DI curto: corte continua possível, mas petróleo aumenta o obstáculo.
DI longo: fiscal doméstico + Treasury continuam no comando.
Dólar: R$ 5,17 traz alívio, não mudança estrutural.
Ibovespa: primeira alta após 11 quedas precisa de confirmação.
Eleição: foco migra gradualmente para o desenho fiscal de 2027.
Prefixados: leilão do Tesouro testa apetite por duration.
Petrobras: petróleo mais alto continua sendo suporte imediato.

LEITURA DA MESA

Bessent mostrou que existe goleiro no Treasury, mas goleiro não resolve déficit. A ata do Fed veio hawkish, só que os dados já mudaram o jogo, enquanto o Brent perto de US$ 93 devolve inflação para a tela. No Brasil, a Bolsa finalmente respirou e o dólar voltou para R$ 5,17 — mas eleição e fiscal continuam esperando logo depois da curva. O mercado ganhou alívio. Ainda não ganhou convicção.


Este conteúdo possui caráter meramente informativo e educacional, não devendo ser interpretado como oferta, solicitação de oferta, recomendação personalizada de investimento ou aconselhamento financeiro, jurídico ou tributário. As decisões de investimento devem considerar os objetivos, perfil de risco e situação financeira específica de cada investidor.

Investimentos nos mercados financeiro e de capitais envolvem riscos, incluindo a possibilidade de perda do capital investido. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.

Deixe um comentário