Call diário 19/08/2026 | Fed, petróleo e Selic | Nova Futura

Tempo de leitura: 5 min.

MORNING CALL NOVA FUTURA

19 de agosto | Quarta-feira

Ata do Fed testa o alívio dos juros, petróleo passa dos US$ 90 e o Brasil continua perdendo fluxo

O mercado chega ao meio da semana com uma divisão cada vez mais clara: a ponta curta dos juros globais começa a encontrar alívio com inflação e atividade mais fracas, enquanto os vencimentos longos continuam pressionados por fiscal, oferta de dívida e petróleo.

No Brasil, setembro ainda carrega probabilidade majoritária de corte da Selic, mas o ambiente continua hostil: R$ 18,15 bilhões de estrangeiros já deixaram a Bolsa em agosto, o dólar permanece acima de R$ 5,20 e o Ibovespa completou 11 pregões sem alta. Às 15h, a ata do Fed pode mexer nessa equação.


A ATA DO FED É SOBRE JULHO MAS O MERCADO VAI NEGOCIAR SETEMBRO

Documento pode mostrar quantos dirigentes estavam realmente inclinados a subir juros.

A ata do Fomc sai às 15h e pode revelar se o apoio a um novo aperto monetário era maior que o indicado pelos três dissidentes da reunião.

O detalhe importante é que CPI, PPI e dados posteriores enfraqueceram parte do argumento hawkish existente naquela reunião.

Comentário: A ata olha pelo retrovisor; o mercado dirige olhando para frente. Uma ata hawkish pode gerar volatilidade, mas precisa ser forte o suficiente para vencer dados que vieram depois dela.


O FED PODE PARAR O JURO LONGO NÃO ESTÁ NEM AÍ

Treasury longo continua negociando déficit, emissão e falta de compradores estruturais.

O Treasury de 30 anos segue perto das máximas em quase duas décadas, enquanto Japão e Europa também convivem com juros longos elevados.

Investidores japoneses vêm reduzindo posições em Treasuries justamente quando Washington precisa financiar déficits maiores.

Comentário: Essa separação é decisiva: ponta curta negocia banco central; ponta longa negocia confiança fiscal. É perfeitamente possível ter Fed mais dovish e custo estrutural de capital ainda subindo.


PETRÓLEO ACIMA DE US$ 90 VOLTA A COMPLICAR TUDO

Brent sobe pelo quarto dia e Ormuz continua mais fechado do que o discurso americano sugere.

Dois superpetroleiros ligados à China deram meia-volta no Estreito, os Emirados romperam relações econômicas com o Irã e Washington e Teerã seguem sem negociação concreta.

O Brent permanece acima de US$ 90, com tráfego comercial bastante reduzido.

Comentário: O petróleo virou a ponte entre geopolítica e juros. Enquanto Ormuz não normalizar, qualquer discussão de corte ou pausa monetária continuará carregando um asterisco chamado energia.


A SELIC AINDA PODE CAIR MAS A CURVA ESTÁ CADA VEZ MAIS DIVIDIDA

Setembro segue vivo enquanto o longo cobra petróleo, fiscal e eleição.

A curva ainda apontava aproximadamente 70% de probabilidade de corte de 25 pontos-base em setembro, sustentada pela desaceleração recente da atividade.

Ao mesmo tempo, os vencimentos longos permanecem pressionados por juros globais e aumento do prêmio doméstico.

Comentário: A curva conta duas histórias: o curto acredita no IBC-Br; o longo não acredita que o problema fiscal desapareça com 25 pontos de corte.


R$ 18,15 BILHÕES SAÍRAM O GRINGO AINDA ESTÁ VOTANDO COM O DINHEIRO

A fuga estrangeira acelera enquanto o Ibovespa tenta encontrar fundo.

A saída estrangeira acumulada da B3 alcançou R$ 18,15 bilhões até 14 de agosto.

O índice já soma 11 sessões consecutivas sem alta, mesmo após diversas tentativas de recuperação intraday.

Comentário: Existem gestores dizendo que o Brasil ficou barato. Pode até ter ficado. Mas ativo barato sem fluxo pode ficar mais barato. O primeiro sinal de mudança continua sendo o estrangeiro parar de vender.


DÓLAR ACIMA DE R$ 5,20 CONTINUA MOSTRANDO O RISCO LOCAL

O real não consegue acompanhar o alívio do dólar no exterior.

A moeda americana terminou ontem em aproximadamente R$ 5,22, enquanto o DXY ficou praticamente estável.

Eleição, fiscal e saída estrangeira continuam impedindo uma normalização mais consistente do câmbio doméstico.

Comentário: Esse é o ponto de veto para o BC. Se o real piorar, o corte de setembro pode até sobreviver a continuação do ciclo fica muito mais difícil.


SACHSIDA ENTRA NO TIME DE FLÁVIO E A CAMPANHA ECONÔMICA GANHA CORPO

Equipe reforça discurso de inflação menor, redução de impostos e aumento de produtividade.

Adolfo Sachsida passou a integrar a equipe econômica de Flávio Bolsonaro ao lado de nomes como Adriano Pires, Lyvia Montezano e Carolina Ragazzi.

Daniella Marques permanece como porta-voz econômica da campanha.

Comentário: O mercado agora entra na fase menos abstrata da eleição. Não basta falar em ajuste: os próximos movimentos serão julgados por proposta, número, prazo e capacidade política de execução.


IA COMEÇA A DESCOBRIR QUE CAPITAL TEM PREÇO

Juros longos elevados atingem justamente o setor que mais precisa investir.

A correção nas ações de chips ganhou força enquanto investidores questionam a sustentabilidade do enorme volume de capital necessário para data centers e infraestrutura de IA.

O Nasdaq caiu mais de 1% ontem, com pressão concentrada em semicondutores.

Comentário: Esse pode ser um dos trades mais importantes do segundo semestre. IA continua sendo uma história de crescimento mas agora precisa competir por capital com governos que também estão pagando mais caro para tomar dinheiro.


JBS QUER 100% DA PILGRIM’S

Oferta de cerca de US$ 1,2 bilhão busca fechar o capital da produtora americana de frango.

A JBS propôs adquirir os aproximadamente 18% da Pilgrim’s Pride que ainda não possui por meio de troca de ações.

A companhia já controla cerca de 82% da empresa.

Comentário: A tese é simples: mais escala, estrutura simplificada e potencial ganho de eficiência. Para o mercado, a conta será sinergia versus preço pago e diluição.


BRASKEM JÁ NEGOCIA REESTRUTURAÇÃO, NÃO RESULTADO

Proteção judicial e mediação com credores colocam liquidez no centro do valuation.

A Braskem continua negociando com credores, enquanto a Idesa conduz recuperação judicial nos Estados Unidos.

A companhia brasileira possui proteção temporária contra determinadas execuções e pode avançar com uma recuperação extrajudicial.

Comentário: Aqui o EBITDA perdeu protagonismo. Quando a discussão vira dívida, prazo e proteção judicial, equity passa a negociar sobrevivência financeira.


RADAR DIRETO PARA O TRADER

Ata do Fed, 15h: risco de volatilidade em Treasury, dólar e Nasdaq.
Treasury 30Y: continua sendo o termômetro do risco fiscal global.
Brent: acima de US$ 90 mantém o trade inflacionário vivo.
DI curto: setembro ainda favorece corte de 25 bps.
DI longo: fiscal + eleição + juros globais seguram prêmio.
Dólar: R$ 5,20 continua sendo região crítica.
Ibovespa: 11 pregões sem alta; fluxo vale mais que valuation.
Fluxo cambial, 14h30: dado importante para confirmar ou aliviar a pressão.
JBS: operação com Pilgrim’s no radar.
Braskem: liquidez e credores dominam a tese.


LEITURA DA MESA

Hoje o mercado precisa separar três coisas. A ata do Fed pode mexer no curto, mas o juro longo está negociando fiscal. O petróleo acima de US$ 90 continua negociando inflação. E o Brasil continua negociando fluxo: R$ 18 bilhões já deixaram a Bolsa, o dólar permanece acima de R$ 5,20 e setembro ainda tem corte no preço. O curto quer alívio. O longo continua pedindo prêmio.


Este conteúdo possui caráter meramente informativo e educacional, não devendo ser interpretado como oferta, solicitação de oferta, recomendação personalizada de investimento ou aconselhamento financeiro, jurídico ou tributário. As decisões de investimento devem considerar os objetivos, perfil de risco e situação financeira específica de cada investidor.

Investimentos nos mercados financeiro e de capitais envolvem riscos, incluindo a possibilidade de perda do capital investido. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.

Deixe um comentário