MORNING CALL – NOVA FUTURA
17 de setembro | Quinta-feira
Copom deixa novembro aberto, Fed endurece e Atlas mantém eleição em 47 a 47
A Superquarta terminou sem encerrar nenhuma discussão. O Copom cortou a Selic para 13,75% e deixou espaço para novas reduções, enquanto o Fed fez o movimento contrário: elevou os juros para 3,75%–4,00% e reforçou que o combate à inflação ainda não acabou.
No Brasil, o trade eleitoral continua sem direção definitiva. A AtlasIntel/Bloomberg divulgada hoje mostra Lula e Flávio Bolsonaro com 47% cada no segundo turno, enquanto o Datafolha chega depois do fechamento. O STF também continua sem conclusão após o pedido de vista de Flávio Dino.
COPOM CORTOU E A PALAVRA MAIS IMPORTANTE FOI “MOSTRA”
Selic cai para 13,75% e BC demonstra maior convicção na desaceleração da economia.
O comunicado trocou a avaliação de que os indicadores “sugerem” moderação da atividade por “mostram” moderação gradual, principalmente nos setores cíclicos. Também retirou o termo “adicional” ao tratar da desancoragem das expectativas.
Comentário: É mudança pequena no texto, mas relevante para a curva. O BC não prometeu novembro mas também não fechou a porta. Agora, atividade, núcleos de inflação e principalmente câmbio decidirão se 13,75% é parada ou apenas escala.
FED SUBIU E WARSH DEIXOU OUTRAS ALTAS NA MESA
Fomc elevou os juros em 25 pontos, para 3,75%–4,00%, por decisão unânime.
O Fed afirmou que a inflação permanece elevada e que a economia segue resiliente. Depois da reunião, o mercado aumentou as apostas em novos apertos.
Comentário: A grande informação não foram os 25 pontos. Foi descobrir que setembro talvez não seja o fim. Isso mantém dólar forte e Treasury alto como obstáculos para ativos de risco.
FED HAWKISH + COPOM MAIS DOVISH = CARRY MENOR
Estados Unidos apertam enquanto o Brasil discute continuar cortando.
O diferencial entre juros brasileiros e americanos diminuiu novamente.
Comentário: O carry continua relevante, mas o colchão ficou menor. Quanto mais o Fed sobe e o Copom corta, mais o real precisa de ajuda de fluxo, commodities e percepção doméstica de risco. Esse é o ponto que merece atenção daqui para novembro.
TREASURY PASSOU DOS 5% E AINDA NÃO SAIU DO JOGO
10 anos permaneceu acima de 5% após o Fed, embora os yields recuem nesta manhã.
A taxa oficial do Treasury de 10 anos chegou a 5,00% no dia da decisão, enquanto o 30 anos ficou próximo de 5,36%.
Comentário: O alívio de hoje ajuda. Mas enquanto o 10 anos continuar rondando 5%, qualquer valuation de Bolsa precisa competir com um ativo americano pagando muito sem assumir risco de equity.
PETRÓLEO RESPIRA MAS AINDA CUSTA MAIS DE US$ 100
Brent cai para a região de US$ 103–104 com sinais de melhora no fornecimento.
O tráfego por Ormuz mostra algum alívio e surgiram sinais de menor tensão com os houthis, levando à realização depois das máximas recentes.
Comentário: Boa notícia para inflação. Mas não confunda alívio com normalização. US$ 104 ainda é petróleo caro apenas menos caro que US$ 108.
ATLAS: 47 A 47 A ELEIÇÃO CONTINUA SEM DONO
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com 47% cada no segundo turno.
No primeiro turno, o levantamento AtlasIntel/Bloomberg traz Lula com 44% e Flávio com 42%. Foram ouvidos 5.018 eleitores entre 11 e 16 de setembro, com margem de erro de um ponto percentual.
O Datafolha sai às 19h15, depois do fechamento.
Comentário: Para o mercado, empate deixou de ser novidade. O que interessa agora é sequência. Se pesquisas diferentes começarem a apontar mudança consistente na mesma direção, aí o DI longo, dólar e Bolsa podem voltar a construir tendência.
STF: O PROBLEMA SAIU DO PREGÃO, MAS NÃO DO CENÁRIO
Pedido de vista de Flávio Dino suspendeu a discussão; mérito não chegou a ser julgado.
O STF discutia se os casos relacionados a Moraes e André Mendonça deveriam tramitar conjuntamente. Com a vista, a análise foi suspensa e não há decisão sobre o mérito das suspeitas envolvendo Moraes.
Comentário: Isso diminui a chance de manchete decisiva imediata. Mas aumenta a duração da incerteza. O STF deixou de ser gatilho horário e voltou a ser risco permanente de fundo.
O MERCADO BRASILEIRO IGNOROU PARTE DO FED
Dólar fechou praticamente estável e DI longo caiu mesmo com Treasury acima de 5%.
O dólar terminou em R$ 5,1514. Jan/31 caiu para 14,07% e Jan/33 para 14,19%, com a leitura doméstica ainda influenciada pelas expectativas eleitorais.
Comentário: Isso é força relativa. Mas também exige cuidado. Se Brasil continua melhor que o exterior, precisa continuar recebendo notícia doméstica suficientemente boa para justificar o descolamento.
IBOVESPA SEGUROU O TRANCO MAS PETROBRAS E VALE PESARAM
Índice caiu apenas 0,51%, para 185.547 pontos, mesmo com forte queda das commodities.
Petrobras PN perdeu 3,53%, Petrobras ON 4,27% e Vale caiu 2,14%, com volume muito elevado na mineradora.
Comentário: O índice mostrou resiliência internamente. Mas atenção à composição: se commodities param de carregar e juros continuam elevados, bancos e ações domésticas precisam assumir o trabalho.
BOJ É O PRÓXIMO TESTE PARA O CARRY
Banco do Japão decide na madrugada de amanhã com expectativa de novo aperto monetário.
O mercado acompanha não apenas a decisão, mas o ritmo que Kazuo Ueda poderá sinalizar para os próximos meses.
Comentário: Fed mais hawkish de um lado e BoJ apertando do outro podem comprimir operações financiadas em iene. Para emergentes, não basta olhar Washington esta semana. Tóquio também pode mexer no fluxo.
RADAR DIRETO PARA O TRADER
Copom: Selic em 13,75%, porta aberta para novos cortes.
Fed: 3,75%–4,00% e viés mais hawkish.
Treasury 10Y: região dos 5%.
Brent: perto de US$ 103–104.
Dólar: R$ 5,15.
DI: mercado continua discutindo novembro.
Atlas: 47% x 47% no segundo turno.
19h15: Datafolha.
STF: julgamento suspenso após pedido de vista.
BoE: decisão hoje.
BoJ: madrugada de amanhã.
Tesouro: leilão de prefixados.
Petrobras: petróleo e política de combustíveis continuam no radar.
LEITURA DA MESA
A Superquarta terminou e deixou uma tesoura aberta: o Fed aponta juros americanos para cima enquanto o Copom admite que talvez ainda consiga cortar aqui. No meio das duas lâminas está o real. Por enquanto, eleição apertada, petróleo recuando e fluxo doméstico seguram o Brasil. Mas com Treasury rondando 5%, a margem de erro diminuiu. Agora novembro não será decidido apenas pelo Copom será decidido também pelo dólar.
Este conteúdo possui caráter meramente informativo e educacional, não devendo ser interpretado como oferta, solicitação de oferta, recomendação personalizada de investimento ou aconselhamento financeiro, jurídico ou tributário. As decisões de investimento devem considerar os objetivos, perfil de risco e situação financeira específica de cada investidor.
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