MORNING CALL – NOVA FUTURA
15 de setembro | Terça-feira
STF entra no pregão às 10h, Treasury bate máxima desde 2007 e Superquarta começa com petróleo acima de US$ 100
A terça-feira concentra um risco doméstico raro: o Supremo começa às 10h uma sessão capaz de mexer diretamente com eleição, dólar, Bolsa e curva de juros durante o pregão.
Ao mesmo tempo, começa a reunião do Copom, o Fed decide amanhã com o Treasury de 10 anos no maior nível desde 2007 e o Brent segue ao redor de US$ 107, depois de superar US$ 108. No meio disso tudo, ainda chegam varejo, CNT/MDA e um novo casadão do BC.
10H: HOJE O STF VIRA TELA DE TRADING
Plenário decide questões que podem levar à abertura de investigação contra Alexandre de Moraes no caso envolvendo Daniel Vorcaro.
Moraes nega irregularidades e questiona a legalidade da investigação. O plenário ainda deverá discutir preliminares como validade das provas, quórum e rito.
Pedido de vista também está no radar.
Comentário: Hoje não existe apenas risco de resultado. Existe risco de processo. Pedido de vista, preliminar, voto decisivo ou abertura de investigação podem produzir leituras completamente diferentes e tudo acontece com o mercado aberto.
CÁRMEN LÚCIA E FACHIN PODEM VIRAR OS VOTOS MAIS CAROS DO DIA
Posições atribuídas aos demais ministros deixam os dois no centro da definição.
Segundo o noticiário citado, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin tenderiam a rejeitar a abertura da investigação, enquanto Mendonça, Nunes Marques e Fux seriam favoráveis.
Comentário: Para o trader, a conta não é jurídica. É de assimetria. Quanto mais apertada parecer a composição do plenário, maior a chance de cada voto transformar expectativa em preço instantaneamente.
ELEIÇÃO VOLTOU A ENTREGAR SINAIS CONTRADITÓRIOS
Quaest mostra Flávio 42% x Lula 40%; BTG/Nexus, Lula 47% x Flávio 46%.
Os levantamentos mantêm a corrida competitiva, mas sem apontar uma direção uniforme entre institutos.
Hoje ainda sai a pesquisa CNT/MDA.
Comentário: Isso muda a natureza do trade eleitoral. O mercado saiu da fase de tendência e entrou na fase de confirmação. Agora, uma única pesquisa vale menos; consistência entre pesquisas vale mais.
TREASURY DE 10 ANOS CHEGA AO MAIOR NÍVEL DESDE 2007
Yields globais seguem avançando na véspera da decisão do Fed.
Petróleo, inflação e preocupação fiscal mantêm a curva americana sob pressão.
O mercado espera alta de 25 pontos-base amanhã.
Comentário: Aqui está o detalhe mais importante da Superquarta: o Fed pode entregar exatamente o que o mercado espera e ainda assim os juros longos continuarem subindo. Se isso acontecer, o problema não é mais a reunião. É o prêmio estrutural exigido pelo mercado.
FED AMANHÃ: A ALTA JÁ ESTÁ NO PREÇO, WARSH NÃO
Mercado chega à reunião com aperto praticamente contratado.
O foco passa do tamanho da decisão para o que Kevin Warsh sinalizará sobre outubro e os meses seguintes.
Comentário: 25 pontos não surpreendem. O risco está na frase seguinte. Alta isolada pode aliviar Treasury e dólar. Sequência de aperto mantém duration, tecnologia e emergentes sob pressão.
BRENT SEGUE ACIMA DE US$ 100 E CONTINUA SABOTANDO A DESINFLAÇÃO
Petróleo opera perto de US$ 107 depois de superar US$ 108 com interrupções no Oriente Médio.
Rotas de fornecimento continuam comprometidas e a alternativa saudita pelo oleoduto Leste-Oeste permanece afetada.
Comentário: O petróleo agora trabalha contra quase todos os bancos centrais. Cada semana acima de US$ 100 aumenta a chance de o choque sair da gasolina e entrar em frete, serviços e expectativas.
COPOM COMEÇA HOJE MAS O DILEMA É AMANHÃ
Diretores iniciam a reunião com corte de 25 pontos ainda como cenário dominante.
Inflação doméstica mais benigna e atividade perdendo força sustentam o corte, enquanto petróleo e juros globais fazem o caminho contrário.
Comentário: A Selic de amanhã é quase detalhe. A mensagem sobre novembro vale mais. Com Fed subindo e Copom cortando, qualquer sinal de continuidade acelera a discussão sobre diferencial de juros e câmbio.
BC VOLTA COM CASADÃO CÂMBIO PRECISA DE ATENÇÃO
Autoridade oferece até US$ 1 bilhão à vista com swap reverso às 9h20.
O BC volta a atuar depois de episódios recentes de saída de fluxo e deterioração das condições de liquidez.
Comentário: Hoje dólar tem quatro drivers simultâneos: STF, pesquisa, BC e Treasury. É ambiente perfeito para falso rompimento e troca rápida de direção.
VAREJO PODE ENTREGAR MAIS UMA PEÇA DA DESACELERAÇÃO
Mercado espera queda de 0,3% nas vendas de julho.
O dado chega depois de indústria, serviços e consumo já mostrarem sinais de perda de força.
Comentário: Se vier fraco, reforça o argumento do Copom. Mas o efeito pode durar pouco. Hoje, um voto no STF provavelmente tem mais capacidade de mexer no DI longo do que uma décima no varejo.
NTN-B LONGA ENTRA NO TESTE DO TESOURO
Oferta inclui NTN-B 2031, 2037 e 2060, além de LFT 2032.
O leilão ocorre justamente com Treasury americano pressionado e forte volatilidade política doméstica.
Comentário: É um bom termômetro de confiança. Se o Tesouro consegue colocar duration longa sem exigir prêmio excessivo num dia como hoje, a demanda doméstica continua saudável.
RADAR DIRETO PARA O TRADER
9h: vendas no varejo.
9h20: casadão de até US$ 1 bilhão.
10h: sessão decisiva do STF.
Hoje: pesquisa CNT/MDA.
Copom: primeiro dia de reunião.
Amanhã: Fed + Copom.
Treasury 10Y: maior nível desde 2007.
Brent: região de US$ 107, após superar US$ 108.
Dólar: atenção a política + diferencial de juros.
DI longo: STF e eleição competem com Treasury.
NTN-B: leilão testa demanda por duration.
Ibovespa: risco político volta a comandar beta doméstico.
LEITURA DA MESA
Hoje o mercado brasileiro tem uma peculiaridade: às 10h, a variável mais importante não estará em Washington nem no Banco Central estará no plenário do STF. Cada voto pode recalibrar eleição, dólar e juros enquanto o Treasury já negocia máximas desde 2007 e o petróleo permanece acima de US$ 100. Amanhã será Superquarta. Mas, antes dela, o Brasil precisa sobreviver à sua própria Superterça.
Este conteúdo possui caráter meramente informativo e educacional, não devendo ser interpretado como oferta, solicitação de oferta, recomendação personalizada de investimento ou aconselhamento financeiro, jurídico ou tributário. As decisões de investimento devem considerar os objetivos, perfil de risco e situação financeira específica de cada investidor.
Investimentos nos mercados financeiro e de capitais envolvem riscos, incluindo a possibilidade de perda do capital investido. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.
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