MORNING CALL NOVA FUTURA
16/09/2016
Superquarta põe Fed e Copom em direções opostas, enquanto STF deixa risco político em suspensão
Hoje o mercado negocia duas decisões que já parecem conhecidas e duas comunicações que não estão: Fed às 15h e Copom a partir das 18h30.
Nos Estados Unidos, a alta de 25 pontos-base está praticamente precificada, depois de petróleo forte e inflação resistente. No Brasil, o corte de 25 pontos para 13,75% também é consenso. O preço, portanto, estará menos na decisão e mais no que Warsh e Galípolo deixam preparado para a próxima reunião.
Enquanto isso, o STF termina o pregão anterior sem conclusão sobre o caso envolvendo Alexandre de Moraes, após pedido de vista de Flávio Dino, e mantém uma camada de incerteza política sobre o mercado doméstico.
15H: O FED PODE SUBIR MAS O DOT PLOT É QUEM MANDA
Mercado atribui mais de 90% de probabilidade a uma alta de 25 pontos-base.
Seria o primeiro aumento de juros desde 2023. O Treasury de 10 anos chegou ontem a 5,041%, máxima desde 2007, e o petróleo continua acima de US$ 100.
Comentário: Os 25 pontos já perderam poder de surpresa. O verdadeiro ativo hoje é a trajetória. Se o Fed sinalizar que setembro é movimento isolado, duration pode respirar. Se o dot plot apontar novas altas, o mercado precisa recalibrar Treasury, dólar e valuation de risco.
18H30: COPOM CORTA MAS NÃO DEVE PROMETER O PRÓXIMO
Selic deve cair de 14% para 13,75%.
Atividade mais fraca e melhora recente da inflação dão espaço para o corte, mas expectativas seguem acima da meta e petróleo, El Niño e juros externos recomendam cautela.
Comentário: O corte é quase burocrático. A frase sobre novembro é que mexe na curva. Se o BC mantiver total dependência dos dados, o mercado continuará discutindo novos cortes. Se endurecer a linguagem, parte dessa aposta pode sair do preço.
FED SOBE, COPOM CORTA: O DIFERENCIAL ENCOLHE HOJE
Brasil e Estados Unidos podem caminhar em direções opostas no mesmo dia.
Com alta americana e corte brasileiro, diminui a diferença entre as duas taxas de juros.
Comentário: Esse talvez seja o ponto mais importante para o câmbio. O real não perde carry de uma vez. Mas começa a perder margem de segurança. Daqui para frente, fluxo, eleição e comunicação dos BCs ganham ainda mais peso.
TREASURY ROMPEU 5% ANTES DO FED
10 anos atingiu ontem o maior rendimento desde 2007.
Nesta manhã há alívio e o yield volta para perto de 4,99%, ajudado pela queda do petróleo.
Comentário: O 5% virou linha psicológica e técnica. Se o Fed vier hawkish e o Treasury voltar acima dela, a pressão deixa de ser exclusivamente monetária e passa novamente para ações, emergentes e crédito.
PETRÓLEO CAI MAS US$ 107 AINDA NÃO É ALÍVIO
Brent recua perto de 1%, mas permanece na região de US$ 107–108.
Estoques americanos maiores provocam realização, mas interrupções na Arábia Saudita e restrições em Ormuz e no Mar Vermelho continuam sustentando prêmio de risco.
Comentário: Não confunda queda diária com normalização. O barril continua caro o suficiente para influenciar inflação e bancos centrais. Para o Fed, o risco energético permanece dentro da sala.
STF EMPATOU E DINO COLOCOU O RISCO NO CONGELADOR
Pedido de vista suspendeu o julgamento envolvendo Moraes depois de empate em questão processual.
Quatro ministros votaram pela análise conjunta com o caso envolvendo André Mendonça e quatro defenderam julgamentos separados. Flávio Dino pediu vista, suspendendo a discussão; segundo o material, a retomada pode ocorrer apenas depois das eleições.
Comentário: O mercado não recebeu solução. Recebeu adiamento. Isso reduz o risco de um desfecho imediato, mas mantém a incerteza política viva por mais tempo. É menos explosivo no curto prazo, porém não é encerramento do assunto.
STF SAI DO INTRADAY MAS NÃO SAI DA ELEIÇÃO
Lula e Flávio Bolsonaro passaram a usar a suspensão do julgamento em suas estratégias políticas.
Lula defendeu investigação rigorosa de eventuais irregularidades. Flávio atribuiu o adiamento a ministros indicados pelo atual presidente.
Comentário: Para a mesa, interessa menos o discurso e mais o efeito nas próximas pesquisas. Se o STF parar de produzir manchete diária, o trade eleitoral volta a depender mais de pesquisa e economia. Se novos fatos surgirem, Brasília retorna rapidamente para o centro da tela.
IBC-BR TESTA SE A ECONOMIA CONTINUA PERDENDO FORÇA
Mercado espera queda de 0,20% em julho.
O dado chega após sinais de desaceleração em indústria, serviços e consumo.
Comentário: IBC-Br fraco ajuda a narrativa de novos cortes. Mas existe uma hierarquia hoje: às 9h o mercado mede atividade; às 18h30 descobre quanto dessa desaceleração o Copom está disposto a comprar.
VAREJO AMERICANO CHEGA ANTES DO FED
Consenso aponta alta de 0,8% em agosto, após queda de 0,6%.
O número entra poucas horas antes da decisão e pode alterar marginalmente a leitura sobre força da economia americana.
Comentário: Um dado forte não muda necessariamente os 25 pontos de hoje. Mas pode mudar o discurso. E nesta Superquarta, discurso vale mais que decisão.
VENCIMENTO DE OPÇÕES PODE TURBINAR O RUÍDO NO IBOVESPA
Dia de vencimento ocorre justamente com Fed, Copom e fluxo político no radar.
Posicionamento em opções pode aumentar movimentos técnicos e deslocar o índice independentemente do fundamento intradiário.
Comentário: Hoje vale separar duas coisas: movimento de preço e mudança de cenário. Nem todo candle será macro. Parte dele pode ser simplesmente vencimento e ajuste de posição.
IA VOLTA A SER BILIONÁRIA OU TRILIONÁRIA
OpenAI avalia captação que poderia levar sua avaliação acima de US$ 1,2 trilhão, segundo a Bloomberg.
Ao mesmo tempo, governos e empresas intensificam discussões sobre segurança e avaliação independente dos modelos.
Comentário: A tese continua dividida entre duas forças: capital entrando cada vez mais rápido e regulação tentando acompanhar a tecnologia. Para Nasdaq, crescimento continua forte, mas o preço do dinheiro hoje será decidido pelo Fed.
RADAR DIRETO PARA O TRADER
9h: IBC-Br.
9h30: varejo dos EUA.
14h30: fluxo cambial semanal.
15h: decisão do Fed.
15h30: coletiva de Kevin Warsh.
18h30: decisão do Copom.
Fed: alta de 25 pontos praticamente precificada.
Copom: corte para 13,75% é consenso.
Treasury 10Y: testou 5% e máxima desde 2007.
Brent: perto de US$ 108 mesmo após correção.
STF: julgamento suspenso após pedido de vista.
Ibovespa: vencimento de opções aumenta ruído técnico.
Dólar: diferencial de juros entra no centro da leitura.
DI: comunicado do Copom vale mais que os 25 pontos.
LEITURA DA MESA
Hoje o mercado não está esperando duas decisões, está esperando duas frases. O Fed provavelmente sobe e o Copom provavelmente corta; isso já cabe no preço. O que não cabe é saber se Warsh prepara novas altas e se Galípolo deixa novembro aberto. Treasury testou 5%, petróleo continua perto de US$ 108 e o STF apenas empurrou sua crise para frente. A Superquarta começa com movimentos conhecidos, mas pode terminar com um cenário completamente diferente para juros, dólar e Bolsa.
Este conteúdo possui caráter meramente informativo e educacional, não devendo ser interpretado como oferta, solicitação de oferta, recomendação personalizada de investimento ou aconselhamento financeiro, jurídico ou tributário. As decisões de investimento devem considerar os objetivos, perfil de risco e situação financeira específica de cada investidor.
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