Call diário 01/10/2026

Tempo de leitura: 4 min.

MORNING CALL NOVA FUTURA

1º de outubro | Quinta-feira

Datafolha fecha a urna, Treasury volta a 5,3% e petróleo recupera US$ 100

A quinta-feira começa com duas forças puxando o mercado em direções diferentes. O PCE mais comportado reduziu a urgência de uma nova alta do Fed, mas a economia americana segue forte e o Treasury de 10 anos volta à região de 5,3%.

No Brasil, a reta final eleitoral domina o fluxo: Datafolha sai depois do fechamento e o último debate ocorre à noite, enquanto o mercado já começa a ajustar posições para o primeiro pregão pós-eleição.


DATAFOLHA HOJE AGORA O MERCADO QUER CONFIRMAÇÃO

Nova pesquisa sai no início da noite, a três dias do primeiro turno.

Os levantamentos recentes continuam mostrando disputa apertada. Ontem, Indexa/Broadcast trouxe 43% a 42% em eventual segundo turno, dentro da margem de erro; Meio/Ideia também mostrou diferença pequena.

Comentário: Nesta altura da campanha, o número isolado vale menos. O mercado vai procurar tendência: quem está ganhando, perdendo ou simplesmente mantendo posição na chegada à urna.


DEBATE À NOITE MAS SEM LULA

Flávio Bolsonaro participa do debate da Globo; Lula estará no Flow praticamente no mesmo horário.

Flávio participa com Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema. Lula confirmou ausência e concederá entrevista ao podcast a partir das 20h45.

Comentário: Para o trader, o ponto não é avaliar quem “ganhou” o debate. É medir se alguma fala produz informação nova suficiente para alterar a percepção já embutida nas pesquisas.


TREASURY 10 ANOS VOLTA PARA 5,3%

Yield alcança novamente a região mais alta em mais de duas décadas.

O 10 anos chegou ontem a 5,305% e o 30 anos bateu 5,652%, mesmo depois de um PCE melhor que o esperado.

A economia forte continua impedindo uma queda mais consistente da curva.

Comentário: Aqui está o recado mais importante do exterior: inflação melhor ajuda o Fed; crescimento forte continua cobrando prêmio no Treasury. Por isso a ponta longa não acompanhou o alívio da ponta curta.


PCE MELHOR COMPROU TEMPO PARA O FED

Inflação veio abaixo do esperado e reduziu as apostas em alta já em outubro.

O PCE subiu 0,3% no mês, abaixo dos 0,4% esperados, enquanto a probabilidade de alta em outubro caiu de 50,9% para 38,2%, segundo o CME citado no material.

Dezembro continua concentrando a maior parte das apostas em novo aperto.

Comentário: Setembro entregou uma mudança relevante: o mercado saiu de “quando o Fed sobe?” para “ele precisa subir já?”. Não é dovish. É menos urgente.


BRENT VOLTA PARA US$ 100

Petróleo recupera terreno com Ormuz ainda sem solução definitiva.

Os fluxos físicos do Oriente Médio melhoraram com rotas alternativas, mas os riscos geopolíticos continuam presentes.

Nesta manhã, o Brent voltou para perto de US$ 100.

Comentário: O barril continua sendo o elo entre geopolítica e juros. Abaixo de US$ 100 ajuda a desinflar a narrativa. Acima dele, o mercado volta a cobrar seguro.


R$ 92 BILHÕES DE LTN VENCEM HOJE

Tesouro também oferta novos prefixados em um dia importante para a curva local.

Vencem aproximadamente R$ 92 bilhões em LTNs, enquanto o Tesouro oferta LTNs 2027, 2028 e 2030 e NTN-Fs 2031, 2033 e 2037.

Comentário: É dia para observar reinvestimento. Parte desse dinheiro pode voltar para a curva e a demanda nos leilões ajuda a medir o apetite por duration no meio do risco eleitoral.


DI NÃO CONSEGUIU COMPRAR TODA A FESTA DA BOLSA

Ibovespa subiu 1,37%, dólar caiu para R$ 5,1750, mas juros longos resistiram.

Jan/31 fechou em 13,96% e Jan/33 em 14,00%, com os Treasuries impedindo fechamento mais forte.

Comentário: Essa divergência é importante. Bolsa e câmbio negociam mais o evento eleitoral; a curva longa ainda precisa prestar contas ao Treasury e ao fiscal.


10H: PMI BRASILEIRO TESTA A DESACELERAÇÃO

Indústria vem de leitura de 46,3 pontos, abaixo de 50.

O PMI industrial da S&P Global mostra se o enfraquecimento da atividade continua no início do quarto trimestre.

Comentário: Se seguir abaixo de 50, reforça a narrativa de desaceleração que sustenta cortes de Selic. Mas atividade fraca ajuda o DI curto; não resolve sozinha o prêmio eleitoral e fiscal do longo.


11H: ISM PODE VOLTAR A MEXER NO FED

Mercado espera ISM industrial americano em 55 pontos.

O indicador vem logo depois de PIB revisado para 2,2% e ADP acima do esperado.

Comentário: Depois do PCE benigno, o próximo obstáculo é atividade. Se a economia continuar entregando números muito fortes, o mercado pode aceitar menos urgência em outubro mas não abandonar a discussão de dezembro.


MICRON MANTÉM A IA ACESA

Resultado acima do esperado reforça demanda por memória ligada à inteligência artificial.

A companhia destacou oferta apertada e demanda forte para 2027 e 2028.

Comentário: Enquanto Treasury pressiona valuation, a IA continua oferecendo crescimento real de lucros. Esse é o cabo de guerra que mantém o Nasdaq resistente mesmo com juros longos tão altos.


RADAR DIRETO PARA O TRADER

Datafolha: após o fechamento.

Debate Globo: à noite.

Lula: entrevista no Flow.

Treasury 10Y: região de 5,3%.

Treasury 30Y: acima de 5,6%.

Brent: perto de US$ 100.

Dólar: fechou em R$ 5,1750.

Vencimento LTN: cerca de R$ 92 bilhões.

10h: PMI Brasil.

10h45: PMI EUA.

11h: ISM industrial.

Fed: vários dirigentes falam hoje.

Amanhã: payroll.

Domingo: primeiro turno.


LEITURA DA MESA

O PCE deu tempo ao Fed, mas não deu paz ao mercado. A inflação melhorou, só que a economia americana continua forte e o Treasury voltou para 5,3%. Aqui, a Bolsa já negocia o domingo, o dólar caiu abaixo de R$ 5,20 e o DI longo ainda segura o freio. Hoje o Datafolha fecha mais uma fotografia antes da urna; depois dela, o mercado começa a descobrir quanto desse trade eleitoral era convicção e quanto era apenas posição.

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