Resumo do dia 14/07
Petróleo explode, CPI testa o Fed e o mercado volta a negociar inflação.
A terça-feira começa com uma mudança importante no humor global. O conflito entre Estados Unidos e Irã voltou a escalar, Donald Trump anunciou um bloqueio naval no Estreito de Ormuz e o Brent saltou para perto de US$ 88 por barril, recolocando o risco inflacionário no centro das atenções justamente no dia em que sai o CPI americano e Kevin Warsh faz seu primeiro depoimento ao Congresso como presidente do Federal Reserve. O mercado entra em modo de máxima cautela.
No Brasil, o IPCA benigno da última sexta-feira ainda sustenta a expectativa de corte da Selic em agosto, mas a disparada do petróleo pode limitar esse movimento. Além disso, investidores acompanham o leilão de NTN-B, a reunião entre Gabriel Galípolo e integrantes do BRB e seguem monitorando a reta final da decisão americana sobre o tarifaço contra produtos brasileiros.
Petróleo volta a dominar o mercado
O grande evento da madrugada foi a decisão de Donald Trump de restabelecer o bloqueio naval aos navios iranianos no Estreito de Ormuz e anunciar uma cobrança adicional sobre cargas que utilizarem a rota.
A resposta iraniana veio imediatamente, elevando novamente o risco sobre a principal passagem marítima de petróleo do mundo.
O Brent chegou próximo de US$ 88, acumulando cerca de 20% de alta desde a retomada do conflito, enquanto o WTI voltou acima de US$ 81.
O mercado passa novamente a precificar um choque de energia semelhante ao observado em episódios anteriores de crise geopolítica.
Comentário: O petróleo voltou a ser o principal ativo do mercado. Se permanecer acima de US$ 85-90 por vários dias, a discussão deixa de ser apenas geopolítica e passa a ser monetária. Inflação sobe, juros sobem e ativos de risco sofrem.
CPI dos EUA pode definir o humor do dia
Às 9h30 será divulgado o CPI de junho.
O consenso espera:
CPI mensal: -0,1%
Núcleo: +0,2%
CPI anual: 3,8%
O problema é que o indicador reflete um período em que o petróleo ainda estava muito mais barato.
Ou seja, mesmo um CPI benigno pode ter impacto limitado diante da nova disparada das commodities energéticas.
Comentário: Hoje o mercado olhará muito mais para a reação do Fed do que para o número isolado. O CPI é fotografia. O petróleo virou filme.
Warsh faz o primeiro grande teste como presidente do Fed
Logo após o CPI, Kevin Warsh presta depoimento ao Congresso americano.
Será sua primeira grande aparição pública desde que assumiu o comando do Federal Reserve.
Depois do discurso duro de Christopher Waller ontem, o mercado aumentou significativamente as apostas de novas altas de juros.
Hoje qualquer sinal sobre inflação ou petróleo pode alterar novamente toda a curva americana.
Comentário: Mais importante do que o CPI pode ser o tom de Warsh. Se reforçar preocupação com inflação, os Treasuries podem abrir ainda mais e pressionar bolsas e moedas emergentes.
Temporada de balanços começa em Wall Street
Antes da abertura dos mercados divulgam resultados:
JPMorgan
Goldman Sachs
Bank of America
Citigroup
Wells Fargo
O mercado busca sinais sobre crédito, consumo e atividade econômica.
Comentário: Além dos números, os guidances podem mudar completamente o humor da semana. Se os bancos mostrarem economia resiliente, reforçam o cenário de juros elevados por mais tempo.
Selic ainda tem espaço... mas o petróleo complica
O IPCA da última sexta-feira reforçou a expectativa de corte da Selic.
A curva ainda precifica aproximadamente 22 pontos-base de redução em agosto.
Mas a explosão do petróleo reacendeu dúvidas sobre a inflação global.
Comentário: Hoje o mercado brasileiro vive um conflito. Internamente a inflação melhorou. Externamente o petróleo piorou. Quem vencer essa disputa definirá a direção da curva de juros.
Tesouro testa a demanda por NTN-B
O Tesouro volta a ofertar NTN-B após duas semanas consecutivas vendendo apenas lotes mínimos.
Também haverá oferta de LFT.
Comentário: Depois da pressão recente na curva longa, o resultado desse leilão será um bom termômetro do apetite dos investidores por risco fiscal e inflação.
Tarifaço dos EUA entra na reta final
Faltam apenas dois dias para a decisão do USTR sobre as tarifas contra produtos brasileiros.
Nos bastidores, o governo já trabalha com a possibilidade de manutenção da sobretaxa, concentrando esforços na ampliação da lista de exceções.
Comentário: O risco comercial continua sendo uma variável importante para câmbio, exportadoras e percepção de crescimento do Brasil.
China no radar
Durante a noite serão divulgados:
PIB do segundo trimestre
Produção industrial
Vendas no varejo
Comentário: São dados importantes principalmente para minério de ferro, Vale e commodities metálicas.
Radar corporativo
Oncoclínicas prepara pedido de recuperação extrajudicial.
Sabesp fará resgate antecipado de debêntures.
Cyrela e EZTec divulgaram forte crescimento em lançamentos.
Engie Brasil registra elevada demanda em seu follow-on.
Petrobras informou alteração relevante na participação acionária da GQG Partners.
O que mais importa hoje
CPI dos EUA (9h30)
Depoimento de Kevin Warsh ao Congresso
Temporada de balanços dos grandes bancos americanos
Leilão de NTN-B
Swap cambial do BC
Petróleo e Oriente Médio
Expectativas sobre o tarifaço dos EUA ao Brasil
Visão para o trader
Hoje o mercado deixa de negociar apenas dados econômicos e volta a negociar risco geopolítico.
O petróleo voltou a comandar os ativos globais.
Se o CPI vier benigno, mas Warsh endurecer o discurso, o dólar e os juros podem continuar pressionados.
Se, além disso, o petróleo permanecer acima de US$ 85, o mercado passará a discutir menos cortes de juros e mais risco inflacionário.
A palavra do dia é uma só: petróleo.
Deixe um comentário