Call diário 13/7

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Resumo do dia 13/07

Petróleo volta ao centro do mercado enquanto inflação dos EUA e tarifaço colocam a semana à prova.

A semana começa com a geopolítica retomando o protagonismo. A escalada entre Estados Unidos e Irã elevou novamente o prêmio de risco no petróleo, reacendendo preocupações com inflação global justamente na semana em que os mercados acompanharão o CPI americano, os primeiros balanços de Wall Street e a decisão dos EUA sobre as tarifas contra o Brasil.

No mercado doméstico, o IPCA benigno divulgado na sexta-feira abriu espaço para uma forte queda da curva de juros, mas o novo choque do petróleo pode limitar esse movimento. O Focus, a reunião entre Gabriel Galípolo e Dario Durigan e a aproximação do prazo final do tarifaço entram no radar dos investidores.


Geopolítica volta a dominar o mercado

O fim de semana foi marcado por uma nova troca de ataques entre Estados Unidos e Irã. Teerã voltou a afirmar que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado "até novo aviso", enquanto os EUA disseram que manterão a rota aberta militarmente.

O Brent chegou a operar próximo de US$ 79 durante a madrugada, antes de reduzir parte da alta, enquanto o WTI voltou para a região de US$ 73.

O risco de interrupção do fluxo de petróleo recoloca a inflação global no radar justamente quando o mercado começava a discutir cortes de juros.

Comentário: Na última semana o mercado comemorou um IPCA mais fraco no Brasil. Agora, o petróleo pode recolocar pressão sobre expectativas inflacionárias e reduzir parte do otimismo com cortes de juros.


Semana decisiva para o Fed

A agenda internacional ganha força nesta semana com:

CPI dos EUA (terça-feira);

PPI americano;

Livro Bege do Fed;

depoimentos de Kevin Warsh no Congresso;

início da temporada de balanços dos grandes bancos americanos (JP Morgan, Goldman Sachs, Citi, Bank of America e Wells Fargo).

A expectativa é entender se a inflação americana permitirá ao Fed iniciar o ciclo de cortes ainda este ano.

Comentário: Depois do forte movimento provocado pelo petróleo, o CPI passa a ser o principal evento da semana. Um dado acima do esperado pode fortalecer ainda mais os juros americanos.


Petróleo pode limitar o alívio na curva brasileira

Na sexta-feira, o IPCA surpreendeu positivamente:

inflação de junho: 0,16%;

núcleos mostraram desaceleração;

mercado ampliou apostas para cortes da Selic.

A curva passou a precificar aproximadamente:

22 pontos-base de corte em agosto;

aumento das apostas para novos cortes em setembro.

Comentário: O cenário melhorou bastante para os ativos locais, mas um petróleo persistentemente elevado pode voltar a contaminar as expectativas de inflação.


Tarifaço dos EUA entra na reta final

O prazo para a decisão americana sobre as tarifas contra produtos brasileiros termina em 15 de julho.

O governo brasileiro segue negociando, mas fontes em Brasília reconhecem aumento da probabilidade de confirmação das tarifas.

Além disso, cresce a percepção de que minerais críticos passaram a fazer parte da disputa estratégica entre Estados Unidos e China.

Comentário: Caso o tarifaço seja confirmado, o impacto pode atingir exportações, câmbio, expectativas de crescimento e confiança dos investidores.


Focus e reunião entre BC e Fazenda

A agenda doméstica traz:

Boletim Focus;

reunião entre Gabriel Galípolo, Dario Durigan e Rogério Ceron;

reunião trimestral do BC com economistas.

Após o IPCA mais fraco, o mercado buscará sinais sobre o ritmo do ciclo de cortes da Selic.

Comentário: Qualquer indicação de alinhamento entre Banco Central e Fazenda tende a influenciar diretamente a precificação da curva de juros.


Temporada de balanços começa em Wall Street

Os grandes bancos americanos abrem oficialmente a temporada de resultados.

Também seguem no radar:

setor de inteligência artificial;

semicondutores;

expectativa sobre resultados da ASML e empresas ligadas ao ciclo de IA.

Comentário: Depois da forte valorização das ações de tecnologia, os resultados precisarão confirmar que o crescimento dos lucros continua justificando os valuations elevados.


Brasil: política continua no radar

A pesquisa BTG/Nexus mostrou estabilidade eleitoral:

Lula: 47%

Flávio Bolsonaro: 44%

Jair Bolsonaro divulgou carta declarando apoio formal à candidatura de Flávio, enquanto continuam as articulações para definição da chapa da oposição.

Comentário: Embora o foco imediato continue sendo macroeconomia, o mercado permanece atento à evolução do cenário eleitoral e ao debate sobre ajuste fiscal.


Radar corporativo

Petrobras

O BNDES e a Petrobras avaliam a criação de um fundo voltado para investimentos em minerais críticos.

Oi

A companhia assinou a venda da UPI Serviços Telefônicos, dando sequência ao processo de reestruturação.


Agenda do dia

Brasil

08h25 – Boletim Focus

11h30 – Leilão de swap cambial

15h00 – Balança comercial semanal

17h30 – Reunião entre Gabriel Galípolo, Dario Durigan e Rogério Ceron

Exterior

Discurso de Christopher Waller (Fed)


Acompanhe ao longo da semana

CPI dos EUA

PPI dos EUA

Livro Bege do Fed

Balanços dos grandes bancos americanos

Decisão dos EUA sobre tarifas contra o Brasil (15 de julho)

Dados da China (PIB, produção industrial e vendas no varejo)


Encerramento

Depois do alívio proporcionado pelo IPCA brasileiro, o mercado volta a negociar risco geopolítico. A semana promete ser decisiva para entender se o choque do petróleo será apenas temporário ou suficiente para alterar novamente as expectativas para inflação, juros e ativos globais.

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