Resumo do dia 24/06
Mercado entre ata do Copom, petróleo em queda e crise política no radar
ATA NÃO DESATA: BC DEIXA PORTA ABERTA E MERCADO ESCOLHE O LADO DOVISH
A ata do Copom não resolveu a principal dúvida do mercado: o ciclo acabou ou não? O documento trouxe uma leitura dura sobre inflação, atividade e expectativas, mas ao mesmo tempo admitiu trajetórias com pausas e retomadas no processo de calibração dos juros. O resultado foi uma divisão quase perfeita entre economistas que veem pausa em agosto e aqueles que ainda projetam mais um corte de 0,25 ponto.
Comentário: O mercado ignorou a parte hawkish e abraçou a frase que interessa: o BC não fechou a porta. Com petróleo despencando e Ormuz voltando à normalidade, os DIs correram para precificar mais flexibilização. O problema é que a ata não ficou mais clara que o comunicado. Agora o foco migra totalmente para o RPM e para Galípolo.
PETRÓLEO ABAIXO DE US$ 80 MUDA O JOGO
O Brent voltou para a região de US$ 75-76 com a normalização gradual do tráfego em Ormuz e avanço das negociações entre EUA e Irã. Dados mostram fluxo de navios próximo dos níveis anteriores ao conflito, reduzindo o risco de choque de oferta global.
Comentário: Era o principal argumento dos defensores da pausa no Copom. Sem petróleo pressionando inflação, o mercado ganhou conforto para apostar em mais um corte. A guerra saiu das manchetes e virou pano de fundo. Para juros brasileiros, isso vale ouro.
DI DEVOLVE PRÊMIO E VOLTA A SONHAR COM SELIC MENOR
Após a ata, a curva inteira fechou. O mercado voltou a precificar redução de juros em agosto e a Selic implícita para meados de 2027 caiu abaixo de 15%. Os contratos longos lideraram o movimento acompanhando a queda do petróleo e dos yields americanos.
Comentário: O trader de juros está operando um cenário simples: se o petróleo caiu e o BC não vetou novos cortes, a assimetria ficou para baixo. O mercado decidiu antecipar o benefício e esperar Galípolo confirmar ou negar depois.
LULA AVALIA O CASO JAQUES WAGNER
A investigação envolvendo Jaques Wagner continua produzindo desgaste político. Cresce dentro do governo a avaliação de que um afastamento da liderança no Senado pode ser necessário para reduzir o impacto eleitoral. Lula deve discutir o tema diretamente com Wagner.
Comentário: O caso deixou de ser apenas jurídico e virou eleitoral. O governo tenta impedir que o episódio se transforme em símbolo de campanha para a oposição, especialmente após semanas em que Lula vinha recuperando terreno nas pesquisas.
PESQUISAS MOSTRAM CORRIDA PRESIDENCIAL ESTÁVEL
Os levantamentos continuam mostrando Lula na liderança, mas sem avanço expressivo. O Datafolha repetiu praticamente os mesmos números anteriores, enquanto novas pesquisas chegam ao mercado ao longo da semana.
Comentário: O mercado continua lendo política pelo risco fiscal. Qualquer sinal de fortalecimento da candidatura governista tende a gerar cautela adicional em juros longos e câmbio. Por enquanto, o quadro segue estável.
FED SEGUE SENDO O FATOR DE RISCO PARA O DÓLAR
Apesar da queda do petróleo, o mercado americano continua comprando a tese de que Kevin Warsh será mais duro do que se imaginava. As apostas em aperto monetário seguem elevadas e o dólar mantém força global.
Comentário: O principal freio para uma melhora mais forte dos ativos brasileiros não está no Brasil. Está em Washington. Se Warsh mantiver o discurso agressivo, o dólar segue forte e limita o espaço para o real continuar apreciando.
TECNOLOGIA ENTRA EM CORREÇÃO
Após meses de euforia com inteligência artificial, o Nasdaq sofreu forte realização. O mercado começa a questionar valuations e ritmo de retorno dos investimentos em IA. Hoje os futuros tentam recuperação antes dos números da Micron.
Comentário: Não parece mudança estrutural. Parece ajuste de excesso. Mas quando as maiores empresas do mundo corrigem 5% em um dia, o mercado inteiro presta atenção.
PETROBRAS: PRODUÇÃO CRESCE 10%
Magda Chambriard afirmou que a produção de petróleo da Petrobras cresceu 10% entre janeiro e maio. A companhia segue aumentando eficiência operacional mesmo com petróleo em queda.
Comentário: A ação passa a depender menos da commodity e mais da execução. O problema é que petróleo abaixo de US$ 80 reduz parte do suporte que o papel teve nos últimos meses.
BRADESCO ENTREGA R$ 3,5 BI EM JCP
O conselho aprovou distribuição de R$ 3,5 bilhões em juros sobre capital próprio, com pagamento previsto para julho.
Comentário: Em um ambiente de Selic ainda elevada, bancos continuam sendo máquinas de geração de caixa. Dividendos seguem funcionando como colchão para o setor.
O QUE IMPORTA HOJE
Mercado continua digerindo a ata do Copom.
Petróleo segue testando mínimas pós-guerra.
Expectativa por RPM e fala de Galípolo amanhã.
Caso Jaques Wagner permanece no radar político.
Nasdaq tenta recuperação após forte realização.
Fluxo cambial do BC às 14h30.
FECHAMENTO
O mercado escolheu acreditar no lado dovish da ata.
O BC tentou falar duas línguas ao mesmo tempo.
Agora a bola está com Galípolo.
Se ele validar a leitura do mercado, agosto continua vivo.
Se endurecer o discurso, a festa dos DIs desta semana pode acabar rápido.
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