Call diário 19/6

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Resumo do dia 19/06

A guerra saiu da manchete.

Agora o problema voltou a ser o banco central.

O mercado passou semanas discutindo petróleo, Ormuz e Irã. Bastou um comunicado do Copom para tudo mudar.

O Fed entregou um discurso duro e foi tratado como normal. O Copom cortou juros e acabou gerando mais estresse do que a própria guerra.

Resumo da manhã: o mercado não está mais discutindo a Selic de hoje. Está discutindo se ainda confia na comunicação do Banco Central.


COPOM VIRA O PRINCIPAL RISCO DO MERCADO

Explicação

O corte de 0,25 ponto já era esperado.

O problema foi o comunicado.

O BC reconheceu atividade forte, inflação acima da meta, expectativas desancoradas e mesmo assim deixou aberta a possibilidade de novos cortes.

Comentário: O mercado esperava uma pausa clara. Recebeu uma porta entreaberta. A leitura foi simples: o BC ficou mais dovish do que deveria.

Impacto: DI curto fecha. DI longo abre forte. Curva ganha inclinação. Pressão sobre credibilidade do BC.


O DOVISH VIROU HAWKISH

Explicação

O resultado foi exatamente o oposto do esperado.

Ao tentar sinalizar flexibilidade, o BC fez o mercado cobrar prêmio maior nos vencimentos longos.

Comentário: Quando o mercado passa a questionar a função de reação do BC, a curva pune. Foi isso que aconteceu.

Impacto: Jan/29, Jan/31 e Jan/33 dispararam. Curva mais inclinada. Bolsa perde tração.


PETRÓLEO ESTÁVEL, MAS A PAZ AINDA NÃO ESTÁ ASSINADA

Explicação

As negociações entre EUA e Irã foram adiadas.

O mercado ainda acredita no acordo, mas começa a perceber que a implementação será mais lenta do que Trump vendeu.

Comentário: O risco geopolítico caiu. Mas não desapareceu.

Impacto: Brent perto de US$ 80. Menos pressão inflacionária. Menos suporte para Petrobras.


ORMUZ REABRIU, MAS O RISCO CONTINUA

Explicação

Milhões de barris já cruzaram o estreito após o memorando.

Mas há dúvidas sobre pedágios, fiscalização, desminagem e estabilidade política.

Comentário: O mercado saiu da euforia e entrou na fase da execução. E execução é sempre mais difícil.

Impacto: Volatilidade menor no petróleo. Monitoramento constante do Oriente Médio.


FED CONTINUA SENDO O BANCO CENTRAL MAIS DURO

Explicação

A fala hawkish do Fed continua repercutindo.

O mercado voltou a discutir possibilidade de novas altas nos EUA.

Comentário: Enquanto o Brasil discute corte. Os EUA ainda discutem aperto.

Impacto: Dólar forte. Pressão sobre emergentes. Fluxo mais seletivo.


DATAFOLHA E O CASO JAQUES WAGNER

Explicação

O mercado acompanha a nova Datafolha e os desdobramentos da operação da PF envolvendo Jaques Wagner.

Comentário: O caso Master deixou de ser um problema apenas da oposição. Agora o desgaste passou a ser compartilhado.

Impacto: Ruído político. Sensibilidade no câmbio. Sensibilidade na curva longa.


BRASKEM ENTRA EM ZONA DE PRESSÃO

Explicação

Fundos especializados compraram dívida da companhia enquanto crescem dúvidas sobre a reestruturação.

Comentário: Quando distressed funds aparecem, o mercado entende o recado. A disputa pelos ativos começou.

Impacto: BRKM5 segue extremamente volátil. Atenção ao setor petroquímico.


O QUE IMPORTA PARA O TRADER

Radar da Mesa

Mercado digere o comunicado do Copom

Ata do Copom vira evento da próxima semana

Brent perto de US$ 80

Mercados americanos fechados (liquidez reduzida)

Datafolha no radar

Jan/29 continua sendo o principal termômetro do mercado local

Dólar reage ao Fed e à confusão do Copom


RESUMO DE MESA

Guerra saiu do centro das atenções.

Copom virou o principal tema do mercado.

Comunicação do BC foi mal recebida.

Curva inclinou forte.

Petróleo estabilizou após o acordo EUA-Irã.

Fed segue hawkish.

Datafolha e política entram no radar.

Hoje o foco não é a Selic. É a credibilidade do próximo passo.


FRASE DA MESA

"O petróleo caiu, a guerra esfriou e o mercado encontrou um novo problema: entender por que um Banco Central preocupado com inflação ainda deixou a porta aberta para cortar juros."

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