MORNING CALL – NOVA FUTURA
3 de setembro | Quinta-feira
Pesquisa vira preço, Ibovespa passa dos 185 mil e petróleo a US$ 97 desafia a festa brasileira
O Brasil chega à quinta-feira em modo eleitoral máximo. A PoderData/Aya mostrou Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula no segundo turno, 45% a 44%, dentro da margem de erro, reforçando a sequência de pesquisas que apontam uma disputa mais apertada. Hoje, o Datafolha pode validar ou colocar freio em um movimento que já levou o Ibovespa a 185 mil pontos, o dólar para perto de R$ 5,10 e derrubou toda a curva de juros.
Lá fora, a fotografia é bem menos confortável: Brent acima de US$ 97, guerra prolongada, yields em níveis elevados e payroll amanhã decidindo se o Fed terá argumentos para subir juros já em setembro.
FLÁVIO APARECE À FRENTE MAS CONTINUA SENDO EMPATE TÉCNICO
PoderData/Aya mostra Flávio com 45% e Lula com 44% no segundo turno.
É a primeira vantagem numérica de Flávio desde maio, mas a diferença permanece dentro da margem de erro de 1,8 ponto percentual.
No primeiro turno, Lula aparece com 37%, Flávio com 34% e Augusto Cury com 10%.
Comentário: O número político é empate. O número financeiro é outra história: quanto maior a percepção de eleição competitiva, maior a velocidade com que o mercado recalcula cenários fiscais para 2027. E agora o posicionamento já está grande.
DATAFOLHA HOJE PODE VIRAR O FREIO OU O TURBO
Nova pesquisa chega depois de Ibovespa +3%, dólar -0,9% e forte fechamento dos DIs.
A Quaest já mostrou Lula e Flávio tecnicamente empatados no segundo turno, e outras pesquisas vêm apontando redução da distância.
O Datafolha é o próximo grande teste dessa sequência.
Comentário: O ponto crítico mudou. Antes o mercado precisava de notícia para subir. Agora precisa de notícia para justificar o preço que já colocou na tela. Quanto mais esticado o trade, maior a assimetria de uma surpresa.
IBOVESPA A 185 MIL: A ELEIÇÃO VIROU POSIÇÃO, NÃO APENAS NARRATIVA
Índice dispara 3,05%, com R$ 30 bilhões de volume, e completa 11 altas consecutivas.
O Ibovespa fechou aos 185.205 pontos, enquanto o EWZ saltou mais de 4% em Nova York.
Investidores também vêm aumentando posições compradas via opções em ativos brasileiros.
Comentário: O volume dá qualidade ao movimento. Mas 11 altas seguidas trazem outro recado: não falta comprador começa a faltar investidor sem lucro para realizar. Hoje, proteção importa tanto quanto convicção.
MORAESMASTER ENTRA NO PREÇO ANTES DE EXISTIR CONCLUSÃO JURÍDICA
Novas informações sobre mensagens envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro ampliam o impacto político do caso Master.
O material revelado pela investigação passou a alimentar o debate eleitoral. Paralelamente, a PGR questionou aspectos jurídicos das diligências e pediu arquivamento de parte das acusações apresentadas por Vorcaro por falta de elementos concretos.
Comentário: Aqui o trader precisa separar três relógios: o jurídico, o político e o mercado. O jurídico leva tempo. O político transforma narrativa em campanha. O mercado tenta precificar os dois em segundos.
DÓLAR EM R$ 5,10 ESTÁ IGNORANDO UM EXTERIOR QUE DEVERIA AJUDÁ-LO
Real ganha força mesmo com petróleo elevado e juros internacionais ainda pressionados.
O dólar caiu 0,91%, para R$ 5,1085, colocando o real entre as moedas de melhor desempenho global.
Fluxo para ativos brasileiros e reposicionamento eleitoral dominaram a sessão.
Comentário: Esse é um sinal da potência do trade doméstico. Mas também aumenta sua dependência. Enquanto a política ajuda, o exterior fica em segundo plano. Se a política frustrar, Brent e Treasury reaparecem imediatamente no câmbio.
DI LONGO QUEIMOU PRÊMIO EM VELOCIDADE DE BOLSA
Jan/31 caiu para 14,20% e Jan/33 para 14,32%.
A combinação de atividade mais fraca e percepção eleitoral mais favorável ao ajuste fiscal provocou forte fechamento da curva.
O mercado também elevou apostas em mais cortes do Copom após setembro.
Comentário: Tem fundamento doméstico ajudando. Mas existe também muito prêmio político saindo rapidamente. Quando o DI longo começa a operar pesquisa eleitoral como ação, volatilidade deixa de ser detalhe.
ATIVIDADE FINALMENTE ESTÁ ENTREGANDO O EFEITO DA SELIC
Indústria cresce apenas 0,2% após duas quedas fortes e confirma perda de tração.
A produção veio abaixo dos 0,5% esperados e recuperou apenas uma pequena parcela das perdas anteriores.
O dado se soma à queda do consumo das famílias no PIB e ao Caged fraco.
Comentário: Agora os indicadores começam a falar a mesma língua. A Selic alta está funcionando. Isso praticamente assegura setembro e começa a fortalecer a discussão sobre cortes adicionais desde que câmbio e inflação permitam.
BRENT PASSA DE US$ 97 E O MUNDO NÃO ESTÁ PARTICIPANDO DA FESTA BRASILEIRA
Petróleo sobe pela quarta sessão com guerra no Oriente Médio e risco persistente sobre Ormuz.
O Brent opera acima de US$ 97, enquanto ataques envolvendo forças americanas e iranianas continuam.
Washington também prolonga o posicionamento militar na região.
Comentário: Esse talvez seja o maior contraponto ao trade doméstico. Se petróleo romper US$ 100, a discussão deixa de ser geopolítica e volta a ser inflação global. Aí Treasury e Fed retomam o comando.
PAYROLL AMANHÃ PODE DECIDIR SETEMBRO
ADP fraco ajudou os Treasuries, mas ainda não resolveu a discussão do Fed.
O setor privado criou apenas 38 mil vagas, abaixo das 46,5 mil esperadas.
Hoje ainda vêm pedidos de seguro-desemprego e ISM de serviços; amanhã, payroll.
Comentário: O Fed está diante de duas forças opostas: emprego esfria enquanto petróleo esquenta. O payroll dirá qual lado Warsh terá mais liberdade para combater.
JAPÃO COMEÇA A PERDER A PACIÊNCIA COM O IENE
BoJ sinaliza possibilidade de aperto mais rápido, e iene reage forte.
Autoridades japonesas passaram a deixar aberta a possibilidade de altas mais próximas entre si, depois de longa tradição de movimentos graduais.
Comentário: Não é apenas uma história japonesa. Se o BoJ acelera, muda fluxo global, carry trade e demanda japonesa por títulos americanos. Isso pode chegar ao Treasury por uma porta que Wall Street nem sempre observa.
CSN MUDA O COMANDO EM PLENA REVISÃO ESTRATÉGICA
Fabio Schvartsman assume como CEO e Benjamin Steinbruch passa à presidência do conselho.
A mudança encerra mais de três décadas de Steinbruch à frente da gestão executiva da companhia e ocorre enquanto a CSN revisa sua estratégia.
Comentário: Troca dessa magnitude dificilmente é apenas organograma. O mercado vai procurar sinais sobre desalavancagem, venda de ativos, capital e disciplina operacional. É nesses quatro pontos que a mudança precisa aparecer no valuation.
PRIO PRODUZ MENOS PETRÓLEO MAIS CARO AMORTECE A LEITURA
Produção de agosto cai 5,2% para cerca de 186 mil barris/dia.
Paradas em Albacora Leste, Bravo e Peregrino impactaram a produção, enquanto as vendas também recuaram.
Comentário: Para PRIO, petróleo a US$ 97 ajuda preço. Mas commodity forte não substitui execução operacional. O trader precisa separar vento favorável do barril e desempenho dos campos.
RADAR DIRETO PARA O TRADER
Datafolha: grande gatilho doméstico do dia.
PoderData: 45% Flávio x 44% Lula, dentro da margem de erro.
Ibovespa: 185 mil e 11 altas consecutivas.
Dólar: R$ 5,10 com forte componente doméstico.
DI: prêmio eleitoral sendo retirado rapidamente.
Atividade: indústria reforça desaceleração.
Copom: setembro praticamente contratado; mercado começa a discutir sequência.
Brent: acima de US$ 97 é o principal risco externo.
Payroll: amanhã pode definir o Fed.
Treasury: emprego ajuda, petróleo atrapalha.
CSN: troca histórica no comando.
PRIO: produção menor versus petróleo mais alto.
LEITURA DA MESA
Hoje o Brasil está operando uma eleição como se já soubesse o resultado, enquanto o resto do mundo continua negociando guerra, petróleo e juros. Bolsa passou dos 185 mil, dólar chegou aos R$ 5,10 e a curva queimou prêmio numa velocidade impressionante. O Datafolha agora precisa validar parte dessa confiança. Porque uma coisa é o cenário melhorar. Outra é o preço correr mais rápido que o cenário. E, com Brent perto de US$ 100 e payroll amanhã, ninguém está operando sozinho.
Este conteúdo possui caráter meramente informativo e educacional, não devendo ser interpretado como oferta, solicitação de oferta, recomendação personalizada de investimento ou aconselhamento financeiro, jurídico ou tributário. As decisões de investimento devem considerar os objetivos, perfil de risco e situação financeira específica de cada investidor.
Investimentos nos mercados financeiro e de capitais envolvem riscos, incluindo a possibilidade de perda do capital investido. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.
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