Call diário 28/8/2026 | Fed, Caged e dívida pública | Nova Futura

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MORNING CALL NOVA FUTURA

28 de agosto | Sexta-feira

Warsh assume o microfone, Lula recoloca a dívida no preço e Caged testa até onde o Copom pode cortar

A sexta-feira gira em torno de credibilidade monetária lá fora e credibilidade fiscal aqui dentro. Kevin Warsh fala às 11h em Jackson Hole cercado por uma inflação ainda acima da meta e por um Fed que começa a discutir mais abertamente novo aperto.

No Brasil, a frase de Lula de que “a dívida pública não preocupa” recoloca a trajetória fiscal no radar justamente quando o mercado começa a estender as apostas de queda da Selic. Caged, crédito e IGP-M ajudam a medir se a economia está realmente perdendo força. Enquanto isso, Nvidia continua sustentando Wall Street e o Brent volta para perto de US$ 89 com Ormuz ainda sem solução definitiva.


WARSH TEM 11 HORAS PARA ESCOLHER O TOM

Jackson Hole pode começar a preparar o mercado para setembro.

O presidente do Fed fala às 11h, depois de PCE em 3,7% e núcleo em 3,3%, enquanto vários dirigentes passaram a defender juros mais altos.

Beth Hammack foi direta: “é hora de agir”. Outros membros também questionam se a política monetária está suficientemente restritiva.

Hoje o mercado não precisa de uma alta.

Precisa saber se ela entrou oficialmente no roteiro.

Se Warsh começar a preparar setembro, Treasury, dólar e Nasdaq podem recalibrar juntos.


TREASURY ESTÁ CALMO MAS É CALMA DE SALA DE ESPERA

Yields estabilizam antes de Warsh, depois de uma semana marcada por inflação e intervenção do Tesouro.

A discussão agora não é apenas sobre Fed. As recompras de Treasuries por Scott Bessent criaram uma disputa entre política fiscal, Tesouro e autoridade monetária.

Comentário: Essa talvez seja a pergunta mais importante do mercado americano: quem manda no juro longo o fundamento ou o comprador oficial? Warsh precisa preservar a resposta do Fed.


NVIDIA FEZ A FESTA AGORA O FED DECIDE QUANTO CUSTA O INGRESSO

Ação saltou quase 9% e confirmou que o boom da IA continua longe de esfriar.

A Nvidia projeta crescimento de cerca de 70% da receita no ano fiscal de 2028, com demanda ainda limitada pela capacidade de oferta.

O Nasdaq respondeu forte ontem.

Comentário: A empresa resolveu a dúvida sobre demanda. Agora sobra outra: quanto vale crescimento de 70% quando o custo do capital também continua alto? É por isso que Nvidia e Warsh dividem a mesma tela hoje.


BRENT VOLTA PARA US$ 89 E A PAZ AINDA NÃO FOI ASSINADA

Petróleo estabiliza depois de EUA retirarem minas de rotas internacionais em Ormuz.

O Irã afirmou que retomar a diplomacia com Washington “não é impossível”, enquanto o fluxo pelo estreito continua se recuperando gradualmente.

Mas apenas cerca de metade do volume pré-guerra estaria atravessando a região.

Comentário: O mercado já retirou boa parte do prêmio de guerra. O risco agora é ter precificado a solução antes da assinatura do acordo.


LULA DIZ QUE A DÍVIDA NÃO PREOCUPA O DI LONGO PODE DISCORDAR

Presidente defende sua responsabilidade fiscal, mas não detalha ajuste para um eventual novo mandato.

Na entrevista à TV Globo, Lula afirmou que a dívida pública brasileira não o preocupa e destacou sua expectativa de superávit primário neste ano.

Também associou parte do nível da dívida ao baixo crescimento e aos juros elevados.

Comentário: A discussão para o trader não é ideológica. É matemática. Se dívida cresce mais rápido que PIB e o mercado não enxerga estabilização adiante, o prêmio aparece na ponta longa independentemente do discurso.


CAGED HOJE RESPONDE SE A ECONOMIA ESTÁ REALMENTE TIRANDO O PÉ

Mercado espera criação de aproximadamente 115 mil vagas formais em julho.

O número seria inferior às 145 mil vagas criadas anteriormente e complementa a PNAD de ontem, que mostrou desemprego em 5,3%.

A atividade perde força, mas o mercado de trabalho continua bastante apertado.

Comentário: Esse é o paradoxo do Copom: atividade desacelera, mas emprego ainda não quebra. Quanto mais suave for essa desaceleração, maior a chance de corte e menor a chance de corte agressivo.


IGP-M PODE ENTREGAR A TERCEIRA DEFLAÇÃO SEGUIDA

Índice deve cair aproximadamente 0,30% em agosto.

O IGP-M vem perdendo força, ajudado pelo comportamento das commodities e dos preços no atacado.

Comentário: Não é o índice central do Copom, mas ajuda a montar o quebra-cabeça. Quanto mais disseminada a desinflação, mais difícil fica defender uma Selic parada por muito tempo.


O GRINGO VOLTOU A COLOCAR DINHEIRO MAS AGOSTO AINDA ESTÁ NO VERMELHO

Nova entrada de R$ 1,37 bilhão reforça melhora recente do fluxo estrangeiro.

O Ibovespa completou sete pregões consecutivos de alta e voltou acima dos 175 mil pontos.

Mesmo assim, agosto ainda acumula saída próxima de R$ 20 bilhões.

Comentário: Agora já temos mais que um único dia positivo. Ainda não temos tendência confirmada. Se o gringo continuar entrando, a tese deixa de ser “Bolsa barata” e começa a virar “Bolsa comprada”.


PETROBRAS GANHA RECOMENDAÇÃO E GANHA TAMBÉM MAIS 60 DIAS DE IMPOSTO

Bradesco BBI eleva Petrobras para outperform, enquanto governo prorroga imposto de 12% sobre exportações de petróleo.

A Camex aprovou extensão da cobrança por mais 60 dias a partir de setembro.

O tema permanece sujeito a disputa judicial.

Comentário: Para Petrobras, existem duas forças hoje: óleo e operação ajudam; tributação reduz captura de valor. O papel pode continuar barato sem necessariamente ficar imune à interferência fiscal.


VALE GANHA UM PASSIVO DE R$ 22 BILHÕES NO RADAR

STF forma maioria pela tributação de lucros de subsidiárias no exterior.

O julgamento envolve aproximadamente R$ 22 bilhões em IRPJ e CSLL sobre operações internacionais.

O valor não significa necessariamente saída imediata de caixa, mas aumenta a incerteza sobre dividendos e passivos tributários.

Comentário: Para Vale, minério continua mandando no curto prazo. Mas quando aparece um risco bilionário fora da operação, valuation precisa ganhar desconto adicional.


FLÁVIO NA GLOBO FECHA A SEMANA POLÍTICA

Candidato participa hoje da sabatina, enquanto começa a propaganda eleitoral gratuita.

Flávio Bolsonaro deve apresentar novos nomes de sua eventual equipe e entra no horário nobre um dia depois da entrevista de Lula.

Na segunda-feira, novas pesquisas BTG/Nexus e AtlasIntel voltam ao radar.

Comentário: A eleição entra agora em uma etapa mais intensa. Para o mercado, o foco segue sendo simples: quem entrega uma trajetória fiscal que convença o credor do Brasil depois de outubro?


RADAR DIRETO PARA O TRADER

Warsh, 11h: maior gatilho global do dia.
Treasury: qualquer sinal hawkish pode abrir a curva.
Nasdaq: Nvidia sustenta o risco, mas Fed pode mudar o preço do dinheiro.
Brent: perto de US$ 89, com Ormuz melhorando sem normalização completa.
Caged, 14h30: teste para extensão dos cortes da Selic.
DI curto: setembro segue fortemente precificado.
DI longo: fiscal e eleição continuam limitando o fechamento.
Dólar: fluxo cambial recente exige atenção apesar do carry.
Ibovespa: sete altas consecutivas e estrangeiro voltando gradualmente.
Petrobras: recomendação positiva versus imposto de exportação.
Vale: julgamento de R$ 22 bilhões entra no valuation.


LEITURA DA MESA

Hoje a pergunta não é se o mercado tem narrativa tem narrativa demais. Nvidia diz que a IA continua voando, Warsh precisa dizer se os juros também vão subir, e o Brent mostra que a geopolítica ainda pode voltar para a conta. No Brasil, o Copom começa a enxergar espaço para cortar, mas Lula recolocou a dívida no centro da discussão. O curto negocia desinflação. O longo continua querendo saber quem paga a conta.


Este conteúdo possui caráter meramente informativo e educacional, não devendo ser interpretado como oferta, solicitação de oferta, recomendação personalizada de investimento ou aconselhamento financeiro, jurídico ou tributário. As decisões de investimento devem considerar os objetivos, perfil de risco e situação financeira específica de cada investidor.

Investimentos nos mercados financeiro e de capitais envolvem riscos, incluindo a possibilidade de perda do capital investido. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.

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