MORNING CALL – NOVA FUTURA
27 de agosto | Quinta-feira
Nvidia reacende a IA, PCE mantém o Fed desconfortável e Copom ganha espaço para continuar cortando
A quinta-feira coloca Estados Unidos e Brasil andando em direções monetárias diferentes. Lá fora, o PCE acima do esperado mantém viva a discussão sobre alta de juros e empurra os Treasuries para cima antes de Kevin Warsh falar em Jackson Hole. Ao mesmo tempo, a Nvidia entrega números e projeções que recolocam combustível no trade de inteligência artificial.
Aqui, o IPCA-15 de -0,40% fortaleceu a tese de continuidade dos cortes da Selic, embora serviços ainda incomodem. Hoje, emprego, contas externas, fiscal, leilão de prefixados e a operação de “casadão” do BC completam uma agenda carregada.
NVIDIA RESPONDEU: A IA AINDA TEM GASOLINA
Ação dispara mais de 7% depois de guidance muito acima das expectativas.
A Nvidia reportou receita de US$ 96,2 bilhões, mais que o dobro em um ano, e sinalizou crescimento de cerca de 70% da receita no próximo ano fiscal, contra expectativa de aproximadamente 44%.
O negócio de data centers já responde por mais de 90% das vendas, e a administração afirmou que o problema hoje é capacidade de oferta não falta de demanda.
Comentário: Essa talvez seja a mensagem mais importante: a IA ainda não está procurando cliente. Está procurando capacidade para entregar. O valuation continua caro, mas a Nvidia acabou de mostrar que o crescimento também continua extraordinário.
PCE VEIO QUENTE E WARSH GANHOU UM DISCURSO MAIS DIFÍCIL
Inflação americana mantém aberta a porta para nova alta do Fed.
O PCE subiu 0,2% em julho e 3,7% em 12 meses, acima dos 3,6% esperados. O núcleo permanece em 3,3%, distante da meta de 2%.
A probabilidade implícita de alta já em setembro aumentou, embora manutenção ainda seja o cenário majoritário.
Comentário: A Nvidia quer juros menores. O PCE não está ajudando. Amanhã, Warsh precisa explicar como levar inflação para 2% sem derrubar uma economia que ainda compete ferozmente por capital.
BRENT VOLTA PARA US$ 87 MAS ORMUZ AINDA NÃO TEM PLACA DE “ABERTO”
Fluxo de petróleo melhora, mas normalização continua incompleta.
Embarques do Kuwait e Qatar já teriam recuperado aproximadamente 70% dos níveis anteriores ao conflito, e entre 7 milhões e 8 milhões de barris/dia estariam deixando a região.
Ainda assim, Teerã afirma que os entendimentos recentes não significam reabertura plena do Estreito.
Comentário: O mercado retirou bastante prêmio de guerra. Agora entra a fase mais perigosa: precificar paz antes de existir paz. Enquanto Ormuz não normalizar definitivamente, petróleo ainda pode devolver movimento com uma manchete.
IPCA-15 FEZ O TRABALHO MAS SERVIÇOS AINDA NÃO ASSINARAM
Deflação de 0,40% amplia espaço para o Copom continuar cortando.
A inflação em 12 meses caiu para 4,24%, melhor que o mercado esperava.
Porém, serviços subjacentes aceleraram para 0,50% no mês e continuam rodando perto de 5% em 12 meses.
Comentário: O índice cheio ficou excelente. Mas o BC não vai declarar vitória enquanto a parte mais sensível ao mercado de trabalho continuar quente. Setembro está praticamente contratado. A discussão agora é o tamanho do ciclo.
XP JÁ VÊ SELIC A 13,25% O MERCADO COMEÇA A NEGOCIAR O DEPOIS
Casa abandona cenário de pausa e projeta cortes até o fim do ano.
A XP reduziu sua projeção de Selic para dezembro de 14,00% para 13,25%, diante da desaceleração de atividade e inflação mais rápida que o previsto.
Comentário: O trade deixou de ser setembro. O dinheiro agora está em descobrir se novembro e dezembro também entregam. E isso vai depender de emprego, fiscal, câmbio e petróleo.
PNAD HOJE É O TIRA-TEIMA DO COPOM
Desemprego deve cair para 5,3%, mas composição importa mais que a manchete.
A atividade mostra desaceleração, porém o mercado de trabalho continua muito apertado e a renda ainda cresce em ritmo relevante.
Comentário: Um desemprego muito baixo parece ótimo para a economia. Para o BC, tem outro lado: emprego forte sustenta renda; renda sustenta serviços; serviços sustentam inflação. Hoje, o detalhe vale mais que a taxa cheia.
BC FAZ “CASADÃO” DE US$ 1 BILHÃO NÃO CONFUNDA COM DEFESA DO DÓLAR
Autoridade monetária vende dólar à vista e faz swap reverso simultaneamente.
O BC oferece até US$ 1 bilhão no mercado spot junto com até 20 mil contratos de swap reverso.
Também começa em 2 de setembro a rolagem dos swaps que vencem em outubro.
Comentário: O casadão é principalmente uma operação de gestão de liquidez e estrutura cambial. Não é simplesmente o BC dizendo que R$ 5,15 é caro ou barato. Trader que interpretar toda operação cambial como defesa de nível pode ler o fluxo errado.
TESOURO AUMENTA LFT E ISSO CONTA UMA HISTÓRIA SOBRE DURATION
PAF revisado reduz espaço para prefixados e NTN-B e aumenta participação de títulos ligados à Selic.
O Tesouro volta hoje com LTNs e NTN-Fs, mas o novo Plano Anual de Financiamento sinaliza maior participação relativa de LFTs.
Comentário: LFT facilita colocação quando o investidor tem medo de duration. Mas existe custo: quanto mais dívida ligada à Selic, mais rapidamente juro alto chega à despesa financeira do governo. O Tesouro reduz risco de mercado hoje e aumenta sensibilidade fiscal amanhã.
O GRINGO PAROU DE FUGIR AINDA NÃO DÁ PARA DIZER QUE VOLTOU
Depois de R$ 1,7 bilhão de entrada, novo pregão teve saldo positivo pequeno.
O estrangeiro colocou cerca de R$ 69 milhões na sessão seguinte, enquanto agosto ainda acumula saída próxima de R$ 21 bilhões.
O Ibovespa permanece ao redor de 174,5 mil pontos.
Comentário: É uma mudança importante de comportamento, mas ainda não de tendência. O vendedor saiu da porta. Falta descobrir se virou comprador.
LULA NA GLOBO: A ELEIÇÃO VOLTA AO HORÁRIO NOBRE
Presidente é entrevistado hoje; Flávio Bolsonaro fala amanhã.
Com pesquisas mostrando disputa apertada nos principais colégios eleitorais, as entrevistas ganham peso na construção de expectativas para a reta final da campanha.
Comentário: Para o trader, o interesse é menos na frase política e mais no conteúdo econômico. Gasto, regra fiscal, Previdência, impostos e relação com o Congresso são as palavras que podem sair da televisão e entrar no DI longo.
ONCOCLÍNICAS AGORA TEM DOIS TRADES NA MESMA AÇÃO
OPA obrigatória e reestruturação financeira passam a conviver.
A CVM determinou uma OPA para toda a base de acionistas em até 60 dias, enquanto a companhia negocia um plano de recuperação extrajudicial com credores.
Uma das alternativas prevê pagamento integral alongado até 2042 ou recebimento antecipado com forte desconto.
Comentário: É uma estrutura incomum: de um lado, a OPA pode criar referência de valor para a ação; do outro, a reestruturação lembra que o balanço continua pressionado. Aqui, preço de tela e estrutura de capital vão disputar o comando do papel.
RADAR DIRETO PARA O TRADER
Nvidia: guidance reacende o trade global de IA.
Treasury: PCE mantém pressão sobre yields.
Jackson Hole: Warsh amanhã é o principal gatilho macro da semana.
Brent: US$ 87 alivia inflação, mas Ormuz ainda não normalizou.
PNAD: pode definir convicção sobre extensão dos cortes.
DI curto: setembro praticamente contratado.
DI longo: fiscal e cenário eleitoral continuam segurando prêmio.
Dólar: casadão do BC pode afetar dinâmica intraday.
Tesouro: maior presença de LFT merece atenção.
Ibovespa: estabilizado perto de 175 mil; fluxo precisa confirmar.
Oncoclínicas: OPA + recuperação tornam a tese mais complexa.
LEITURA DA MESA
Hoje existem duas locomotivas andando em sentidos opostos. A Nvidia diz que a economia da IA ainda está acelerando; o PCE diz que o Fed talvez precise continuar apertando o freio. No Brasil acontece o contrário: o IPCA-15 abriu espaço para o Copom seguir cortando, mas emprego e fiscal ainda vão dizer até onde. A tecnologia acelerou. A inflação não terminou. E o preço do dinheiro continua decidindo quem consegue correr.
Este conteúdo possui caráter meramente informativo e educacional, não devendo ser interpretado como oferta, solicitação de oferta, recomendação personalizada de investimento ou aconselhamento financeiro, jurídico ou tributário. As decisões de investimento devem considerar os objetivos, perfil de risco e situação financeira específica de cada investidor.
Investimentos nos mercados financeiro e de capitais envolvem riscos, incluindo a possibilidade de perda do capital investido. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.
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