Call diario 23/07/2025 | Nova Futura

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Resumo do dia 23/07

Petróleo flerta com US$ 100, big techs frustram Wall Street e política volta a pressionar o risco doméstico.

O mercado começa a quinta-feira diante de um choque de energia cada vez mais difícil de tratar como temporário. O Brent se aproxima de US$ 100 após ataques dos houthis contra dois navios-tanque sauditas no Mar Vermelho, abrindo uma nova frente justamente quando o Estreito de Ormuz já opera sob bloqueio e ameaça constante.

Em Nova York, Alphabet, Tesla e IBM pressionam o setor de tecnologia depois que os balanços reforçaram a preocupação com o custo crescente dos investimentos em inteligência artificial. Na Europa, o Banco Central Europeu decide os juros em um ambiente no qual o petróleo ameaça reabrir a inflação.

No Brasil, o Tesouro testa a demanda por títulos prefixados, o capital estrangeiro continua sustentando Bolsa e real, enquanto Flávio Bolsonaro enfrenta novas acusações relacionadas ao Banco Master e maior isolamento partidário.


Petróleo se aproxima de US$ 100 e a crise ganha nova dimensão

O risco deixou de ser apenas Ormuz: agora o Mar Vermelho também está sob ataque.

O Brent superou brevemente US$ 98 por barril e acumula valorização próxima de 30% desde 10 de julho.

Os houthis assumiram ataques contra dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho, utilizando mísseis e drones. Uma das embarcações transportava derivados e a outra, segundo o grupo, petróleo bruto.

A nova frente ameaça transformar Bab el-Mandeb em mais um gargalo para o abastecimento global, depois de o bloqueio de Ormuz já ter comprometido a principal rota de exportação de energia do Golfo.

Comentário: O mercado já não discute apenas prêmio geopolítico. Com duas rotas estratégicas simultaneamente ameaçadas, o risco passa a ser físico: menos petróleo chegando ao mercado, fretes mais caros e pressão direta sobre inflação e juros.


Choque de energia volta a comandar os juros globais

O petróleo está reescrevendo as expectativas para Fed, BCE e Banco do Japão.

Os yields dos Treasuries avançam, com o título americano de 30 anos mantendo o período mais longo acima de 5% desde 2007.

Nos Estados Unidos, o mercado voltou a aumentar as apostas em aperto monetário em setembro. Na Europa, o Banco Central Europeu deve manter a taxa de depósito em 2,25%, mas Christine Lagarde deverá ser pressionada a adotar um discurso mais cauteloso diante da energia mais cara.

O Banco do Japão também estaria aberto a acelerar o ritmo de alta dos juros por causa da fraqueza do iene e do risco inflacionário.

Comentário: O petróleo perto de US$ 100 reduz o espaço para qualquer banco central parecer complacente. Mesmo economias que vinham discutindo flexibilização agora precisam voltar a falar de inflação.


BCE decide juros com a guerra batendo na porta

Lagarde deve manter a taxa, mas pode preparar o mercado para setembro.

O BCE anuncia sua decisão às 9h15, seguida da entrevista de Christine Lagarde às 9h45.

A expectativa predominante é de manutenção dos juros em 2,25%, mas o mercado acompanhará qualquer sinal de que o choque energético possa levar a autoridade monetária a considerar uma postura mais dura nas próximas reuniões.

Comentário: A decisão em si pode vir sem surpresa. O preço estará na comunicação: se Lagarde tratar o petróleo como risco persistente, o euro e os juros europeus podem reagir rapidamente.


Alphabet mostra que crescer não basta

Receita forte não compensou o peso dos investimentos em inteligência artificial.

A Alphabet apresentou lucro e receita acima das estimativas, com crescimento expressivo do Google Cloud e dos negócios ligados à inteligência artificial.

Mesmo assim, as ações recuaram no after-market porque o aumento dos investimentos em infraestrutura levou o fluxo de caixa livre ao campo negativo.

O mercado passou a olhar menos para o crescimento da receita e mais para a velocidade de conversão dos gastos em geração de caixa.

Comentário: A inteligência artificial continua crescendo. O problema é que o custo para participar dessa corrida também está crescendo e o investidor começou a cobrar quando esse gasto vira retorno.


Tesla e IBM ampliam a pressão sobre tecnologia

O balanço virou uma prova de eficiência, não apenas de expansão.

A Tesla apresentou lucro abaixo das projeções e queda do fluxo de caixa livre, pressionado por investimentos em inteligência artificial e robótica.

A IBM também decepcionou, com lucro inferior ao esperado e redução da projeção de crescimento da receita para o ano.

Os resultados reforçam a leitura de que o mercado não está mais disposto a premiar investimento elevado sem visibilidade de retorno.

Comentário: A temporada está deixando um recado claro para as big techs: investir em IA é obrigatório; destruir caixa sem mostrar retorno não é aceitável.


Brasil Soberano amplia a resposta ao tarifaço

O governo transforma o choque comercial em uma nova frente de crédito.

O governo lançou o Brasil Soberano 3, com R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito para empresas atingidas pelas tarifas dos Estados Unidos e pelos efeitos da guerra no Oriente Médio.

O programa será financiado com recursos do BNDES e do Tesouro, por meio de linhas reembolsáveis que, segundo o governo, não terão impacto sobre o resultado primário.

A estrutura também foi preparada para absorver uma possível nova tarifa de 12,5%, caso seja confirmada por Washington.

Comentário: O crédito reduz o dano imediato sobre as empresas. Mas o mercado seguirá atento ao risco de expansão permanente de programas públicos e à possibilidade de a guerra comercial exigir novas rodadas de apoio.

Capital estrangeiro volta a olhar para o Brasil

Petróleo caro, carry elevado e Bolsa descontada atraem fluxo.

O ingresso de capital estrangeiro voltou a aparecer com força na B3.

O Ibovespa avançou 2,44%, retomando os 177 mil pontos, enquanto o dólar caiu para R$ 5,0517, menor nível em quase dois meses.

A lógica do fluxo envolve três fatores:

petróleo favorecendo os termos de troca;

diferencial de juros elevado;

expectativa de que o Copom possa pausar ou encurtar o ciclo de cortes da Selic.

Comentário: O petróleo está funcionando como proteção para real, Petrobras e Bolsa. Mas existe um limite: se o barril ultrapassar US$ 100 e o choque se tornar desorganizado, a busca global por proteção pode superar o benefício dos termos de troca.


Curva brasileira começa a precificar menos corte

A guerra reduz o conforto do Copom.

Os juros futuros voltaram a subir, especialmente nos vencimentos intermediários e longos.

No fechamento anterior:

DI Jan/27: 13,950%

DI Jan/29: 14,490%

DI Jan/31: 14,645%

DI Jan/33: 14,705%

O mercado avalia se o petróleo próximo de US$ 100 pode levar o Banco Central a pausar ou encurtar o ciclo de cortes da Selic.

Comentário: Atividade fraca continua defendendo corte. Petróleo, inflação e fiscal recomendam cautela. A curva começa a precificar não apenas quanto o Copom cortará, mas se ainda haverá espaço para continuar cortando.


Tesouro testa o apetite por prefixados

Depois das NTN-B mínimas, a prova passa para LTN e NTN-F.

O Tesouro oferta LTNs com vencimento em 2027, 2028 e 2030, além de NTN-Fs para 2031, 2033 e 2037.

O leilão ocorre após semanas de ofertas reduzidas de títulos indexados à inflação e em um ambiente de abertura da curva provocada pelo petróleo e pela incerteza fiscal.

Comentário: Demanda fraca exigirá prêmio maior e reforçará a pressão sobre os prefixados. Uma colocação firme ajudaria a estabilizar a curva, mas dificilmente eliminaria o risco enquanto o petróleo continuar subindo.


Flávio enfrenta nova crise e perde apoio partidário

Caso Master e isolamento político aumentam a pressão sobre a candidatura.

Flávio Bolsonaro negou irregularidades após reportagens informarem pagamentos de R$ 500 mil ao seu escritório por uma empresa ligada a uma consultoria que recebeu recursos do Banco Master.

O senador confirmou a prestação de serviços, afirmou que a relação foi legal e negou ter recebido valores relacionados às notas fiscais posteriormente canceladas.

Ao mesmo tempo, PP e União Brasil sinalizaram que não devem integrar formalmente sua coligação, ampliando a percepção de isolamento político.

Comentário: Para o mercado, o ponto central é a capacidade da candidatura de formar alianças e sustentar uma agenda econômica competitiva. Quanto maior o isolamento, maior tende a ser o prêmio eleitoral na curva longa.


Vale e WEG sustentam o Ibovespa

Operacional forte e fluxo estrangeiro devolvem força às blue chips.

A Vale avançou após a divulgação de produção e vendas robustas e da eleição de Manuel "Ollie" de Sousa Oliveira para a presidência do conselho.

A WEG disparou mais de 10% após resultado acima das expectativas, movimento amplificado pela recomposição de posições vendidas.

Petrobras também avançou acompanhando a escalada do Brent, ajudando o Ibovespa a superar os 177 mil pontos.

Comentário: O índice está sendo sustentado por ações diretamente beneficiadas por petróleo, minério e fluxo estrangeiro. Isso não significa melhora uniforme da Bolsa. Significa concentração de força em poucos nomes.


Radar Corporativo

ISA Energia

Define o preço por ação de sua oferta após o processo de bookbuilding.

Banco do Brasil

Prepara linhas para renegociação de dívidas rurais, aguardando regulamentação.

Petrobras

Recebeu mais R$ 1,7 bilhão no programa de subvenção ao diesel.

Oncoclínicas

Goldman Sachs está reduzindo sua participação residual na companhia.

Trisul

As vendas contratadas cresceram para R$ 465,2 milhões no segundo trimestre.

Ânima

Foi rebaixada para venda pelo Citi, com preço-alvo de R$ 1,80.


Agenda do dia

Exterior

09h15: Decisão de juros do BCE

09h30: Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA

09h45: Entrevista de Christine Lagarde

Após o fechamento: Balanço da Intel

Brasil

Leilão de LTN e NTN-F

11h30: Leilão de swap cambial

Dario Durigan participa de encontro com investidores.

Expert XP em São Paulo, com participação de Janet Yellen.


Visão para o trader

O pregão começa com uma mudança clara de patamar no risco.

Petróleo: aproximação de US$ 100 aumenta a chance de movimentos violentos.

Petrobras: segue favorecida, mas o risco político sobre preços permanece.

Nasdaq: Alphabet, Tesla e IBM pressionam a narrativa de IA.

Treasuries: choque energético mantém yields elevados.

DI: mercado começa a retirar parte da aposta em cortes da Selic.

Dólar: fluxo e petróleo continuam protegendo o real.

Ibovespa: força concentrada em Vale, Petrobras e empresas com entrada estrangeira.

Prefixados: leilão do Tesouro será o teste doméstico mais importante da manhã.


Leitura da mesa

Com o Brent perto de US$ 100, o mercado já não negocia apenas guerra: negocia inflação, juros e risco de escassez. Ao mesmo tempo, as big techs mostram que crescer em inteligência artificial custa caro. Para o trader, o dia exige uma leitura simples: energia sobe, juros acompanham e ativos caros perdem o direito de decepcionar.

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