Resumo do dia 21/07
Chips voltam a puxar as bolsas, petróleo mantém o risco vivo e Vale entra no centro do pregão.
Os mercados ensaiam recuperação nesta terça-feira, com investidores retomando posições em fabricantes de semicondutores após a forte correção dos últimos pregões. O movimento devolve força ao Nasdaq e reabre a discussão sobre oportunidade versus excesso de valuation no trade de inteligência artificial.
O alívio, porém, ainda convive com um petróleo próximo de US$ 90. Estados Unidos e Irã completaram o décimo dia seguido de ataques, um novo petroleiro foi atingido no Estreito de Ormuz e os houthis ameaçam abrir outra frente no Mar Vermelho.
No Brasil, o foco se divide entre o leilão de NTN-B, a curva de juros, o relatório de produção da Vale e a aquisição anunciada pelo Nubank. A política eleitoral também ganha espaço com as convenções partidárias e as novas pesquisas.
CHIPS VOLTAM À COMPRA APÓS A CORREÇÃO
O mercado tenta reconstruir o trade de inteligência artificial.
Os futuros de Nova York avançam, liderados pelo Nasdaq, com investidores retomando posições em fabricantes de semicondutores como Samsung e TSMC.
A leitura é que a forte queda recente reduziu parte dos excessos de valuation e abriu uma janela para recomposição de posições.
A recuperação ocorre às vésperas do balanço da Alphabet, que será o primeiro grande teste para os investimentos bilionários em infraestrutura de inteligência artificial.
Comentário: A correção tirou excesso, mas não eliminou a dúvida. O mercado ainda precisa confirmar se os investimentos em chips e data centers vão gerar retorno suficiente para sustentar os múltiplos atuais.
BALANÇOS DAS BIG TECHS VIRAM O TESTE DA SEMANA
A narrativa da IA agora precisa aparecer no resultado.
A Alphabet divulga números amanhã, enquanto Microsoft, Meta e Amazon entram em cena na próxima semana.
O mercado acompanhará especialmente:
- crescimento das receitas ligadas à nuvem;
- investimentos em data centers;
- demanda por chips;
- margens;
- retorno do capital empregado em inteligência artificial.
Comentário: Depois da liquidação recente, o balanço bom pode sustentar a recuperação. Mas qualquer guidance fraco pode mostrar que a queda dos chips não foi apenas realização.
PETRÓLEO OPERA DE LADO, MAS A GUERRA CONTINUA ESCALANDO
O preço estabilizou. O risco geopolítico não.
O Brent permanece próximo de US$ 90 por barril, apesar das tentativas de mediação conduzidas por Qatar e Paquistão.
Estados Unidos e Irã completaram o décimo dia consecutivo de ataques. Um novo petroleiro foi atingido no Estreito de Ormuz e os houthis ameaçaram bloquear embarcações sauditas no Mar Vermelho.
Segundo estimativas citadas no material, essa nova frente pode colocar em risco aproximadamente 2,5 milhões de barris por dia de fluxo de petróleo.
Comentário: O mercado está temporariamente anestesiado pelo preço estável. Mas Ormuz e Mar Vermelho ameaçados ao mesmo tempo mantêm o potencial de uma nova disparada da commodity.
PETRÓLEO A US$ 90 CONTINUA PRESSIONANDO OS JUROS
Energia cara impede o mercado de relaxar completamente.
Mesmo com atividade doméstica mais fraca e inflação recente mais comportada, a alta do petróleo continua pressionando expectativas inflacionárias.
A curva brasileira precifica aproximadamente:
- 21 pontos-base de corte da Selic em agosto;
- cerca de 8 pontos-base em setembro.
Ontem, os DIs voltaram a ganhar inclinação, com maior pressão nos vencimentos longos.
Comentário: O corte de agosto continua sendo o cenário-base, mas perdeu conforto. Na ponta curta, atividade e inflação ajudam. Na longa, petróleo, fiscal e eleição continuam cobrando prêmio.
TESOURO VOLTA A TESTAR A DEMANDA POR NTN-B
Depois de três ofertas mínimas, o mercado testa o apetite por inflação longa.
O Tesouro oferta NTN-Bs com vencimentos em:
- 2031;
Também haverá oferta de LFT para 2032.
Nas últimas três semanas, o Tesouro reduziu as emissões de NTN-B ao lote mínimo diante da pressão sobre os títulos indexados à inflação.
Comentário: O resultado do leilão será um termômetro importante da curva longa. Demanda fraca reforça prêmio fiscal e inflacionário. Demanda firme pode ajudar a estabilizar os vértices mais longos.
REAL CONTINUA ABSORVENDO A GUERRA
Petróleo caro pressiona juros, mas ajuda o câmbio brasileiro.
O dólar voltou para a região de R$ 5,09, apoiado pela leitura de que o real continua beneficiado por:
- carry trade elevado;
- balança comercial robusta;
- posição do Brasil como exportador de petróleo.
Comentário: O petróleo produz um efeito contraditório. Ajuda Petrobras, exportações e real, mas pressiona inflação e curva de juros. O câmbio continua protegido, mas não está imune a uma escalada militar mais grave.
VALE VIRA O PRINCIPAL EVENTO CORPORATIVO DA B3
Produção e vendas vão preparar o mercado para o balanço.
A Vale divulga após o fechamento o relatório operacional do segundo trimestre.
O mercado espera desempenho relativamente estável, com:
- volumes mais fortes de minério de ferro;
- resiliência em metais básicos;
- pressão de custos e fretes;
- minério abaixo de US$ 100 em Singapura nesta manhã.
Comentário: Mais importante que o número isolado será a combinação entre volume, qualidade do minério e custo de produção. O relatório de hoje ajustará as expectativas para o balanço do dia 30.
NUBANK COMPRA LICENÇA BANCÁRIA
Aquisição reduz uma limitação regulatória do grupo.
O Nubank anunciou a aquisição do Banco Porto Real de Investimentos, operação ainda sujeita à aprovação do Banco Central.
A compra permitirá incorporar uma licença bancária ao conglomerado e atender aos requisitos para utilização formal da palavra "banco" no país.
Comentário: O tamanho financeiro da aquisição é pequeno. O valor estratégico está na licença, na estrutura regulatória e na ampliação das possibilidades de produtos e serviços no mercado brasileiro.
ELEIÇÃO GANHA PESO NA PRECIFICAÇÃO
Convenções começaram e o mercado volta a montar o trade eleitoral.
O PL deve oficializar Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência no sábado, ainda sem definição do nome para vice.
As negociações com Republicanos, União Brasil e PP continuam travadas por disputas regionais e dúvidas sobre o apoio à chapa.
Do outro lado, Lula recebeu apoio nacional do PDT e aumentou o tom contra a interferência americana nas eleições brasileiras.
Comentário: Quanto mais difícil for a construção de alianças da oposição, maior tende a ser o peso do cenário de continuidade política na curva longa e na Bolsa.
PESQUISAS ELEITORAIS ENTRAM NO RADAR
Mercado começa a acompanhar pesquisas como indicador econômico.
Novos levantamentos eleitorais começam a ser divulgados nesta semana, já tentando captar o impacto do tarifaço e da disputa entre Brasil e Estados Unidos.
Bancos e gestoras intensificaram o monitoramento de intenção de voto, rejeição e percepção sobre política econômica.
Comentário: O mercado não negocia apenas quem está na frente. Negocia a probabilidade de mudança na política fiscal, na condução das estatais e na agenda econômica a partir de 2027.
TARIFAÇO ENTRA EM VIGOR AMANHÃ
A ameaça vira custo efetivo para os setores atingidos.
A tarifa americana de 25% passa a valer amanhã sobre parte das exportações brasileiras.
O governo começa a receber representantes dos setores mais afetados, como calçados, têxteis e plásticos, para discutir linhas de apoio e abertura de novos mercados.
Também permanece no radar o risco de uma tarifa adicional de 12,5%.
Comentário: O impacto agregado pode ser limitado, mas o efeito será relevante para empresas específicas. A partir de agora, o mercado deverá separar exportadoras protegidas pelas exceções das companhias diretamente expostas à nova tarifa.
RADAR CORPORATIVO
Braskem
Rejeitou nova proposta de credores para reestruturação.
BRB
Espera concluir nesta semana acordo com bancos relacionado ao FGC.
Brava Energia
A Ecopetrol retomou a oferta para aquisição de participação na companhia.
Embraer
A Fuji Dream Airlines encomendou duas aeronaves E175.
Neoenergia
Divulga balanço após o fechamento.
AGENDA DO DIA
Brasil
08h00: Prévia do IGP-M
10h00: Sondagem industrial da CNI
11h00: Leilão de NTN-B e LFT
11h30: Leilão de swap cambial
Após o fechamento: Produção e vendas da Vale
Após o fechamento: Balanço da Neoenergia
Exterior
Resultados de General Motors e 3M.
Índice ZEW da Alemanha.
Monitoramento do conflito entre EUA e Irã.
VISÃO PARA O TRADER
O pregão começa com recuperação das ações de tecnologia, mas ainda sem mudança definitiva do cenário.
Na prática:
- Nasdaq: chips lideram o alívio, mas Alphabet será o teste real.
- Petróleo: estável perto de US$ 90 mantém o risco inflacionário.
- DI curto: corte de agosto continua no preço.
- DI longo: leilão de NTN-B, fiscal e eleição comandam.
- Dólar: carry e petróleo protegem o real.
- Vale: relatório operacional pode mover minério, ação e Ibovespa.
- Nubank: aquisição tem mais valor regulatório do que financeiro.
A leitura da mesa é simples: os chips voltaram a subir porque ficaram mais baratos; agora precisam provar que não continuam caros.
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