MORNING CALL – NOVA FUTURA
21 de agosto | Sexta-feira
A sexta-feira começa com algum alívio nos yields americanos, mas sem mudança estrutural: o mercado continua desconfiado de que as recompras de Treasuries sejam suficientes para resolver o problema fiscal dos EUA. Scott Bessent promete uma nova iniciativa de consolidação, enquanto o petróleo caminha para alta semanal próxima de 6%, mantendo inflação e Fed sob vigilância.
No Brasil, setembro continua vivo para o Copom, mas o estrangeiro já retirou mais de R$ 20 bilhões da B3 em agosto, o dólar mudou de faixa e a eleição volta ao centro do pregão com o Datafolha previsto para o início da noite.
Yields recuam, enquanto o mercado espera algo mais concreto de Bessent para o fiscal.
O Treasury de dez anos volta para perto de 4,69%, depois de uma semana marcada por forte pressão nos vencimentos longos.
As recompras anunciadas pelo Tesouro americano aliviaram temporariamente as taxas, mas não alteraram dívida superior a US$ 40 trilhões nem a elevada necessidade de financiamento.
Comentário: O mercado já entendeu a diferença: recompra compra tempo; consolidação fiscal compra credibilidade. Sem a segunda, qualquer fechamento mais forte dos yields continua sujeito a devolução.
DXY recua enquanto o mercado questiona a sustentabilidade dos juros americanos elevados.
A moeda americana perde força com yields cedendo e com expectativa de que o Fed já tenha passado pelo pico do discurso mais hawkish.
O Citi passou a projetar um dólar globalmente mais fraco diante dos últimos dados benignos de inflação e emprego.
Comentário: Dólar fraco é bom para emergentes. Mas o Brasil precisa parar de produzir risco próprio para transformar vento externo em fluxo doméstico.
Petróleo caminha para alta semanal de quase 6% com o cerco econômico ao Irã.
O Brent permanece próximo de US$ 94, enquanto Washington prepara novas sanções e ameaça também parceiros comerciais do Irã.
Ao mesmo tempo, o petróleo iraniano disponível às refinarias chinesas começa a diminuir.
Comentário: A alta do petróleo é mais perigosa hoje porque acontece justamente quando o mercado começava a relaxar a discussão de juros. Se energia continuar subindo, o Fed ganha novamente um problema inflacionário que não estava no roteiro.
Curva curta ainda aposta em corte de 25 pontos-base da Selic.
A desaceleração da atividade e as recentes surpresas benignas da inflação continuam sustentando a expectativa de redução da Selic.
Ontem, mesmo com Treasury e petróleo pressionando, o DI Jan/27 terminou praticamente estável.
Comentário: O mercado está dizendo que setembro resiste. Mas o verdadeiro teste começa depois dele: câmbio, petróleo e fiscal podem decidir se o ciclo termina em 13,75% ou continua.
Estrangeiro mantém retirada forte da Bolsa brasileira em agosto.
A B3 registrou nova saída de aproximadamente R$ 1,7 bilhão, levando a retirada mensal para mais de R$ 20 bilhões.
O movimento acompanha aumento da cautela com eleição, fiscal e desaceleração doméstica.
Comentário: Preço barato ajuda. Juro alto ajuda. Carry ajuda. Mas nenhum deles substitui comprador. Enquanto o estrangeiro continuar reduzindo Brasil, a recuperação da Bolsa continuará frágil.
Depois de onze quedas, o índice continua sem força para uma recuperação consistente.
O Ibovespa fechou ontem praticamente estável, em torno dos 167,9 mil pontos, depois da reação observada na sessão anterior.
Commodities ajudaram, mas bancos continuaram pressionados pela preocupação com crédito.
Comentário: O índice saiu do mergulho e entrou na lateralização. Agora precisa provar que existe absorção da oferta não apenas falta momentânea de vendedor.
Nova pesquisa sai no início da noite e pode recalibrar o prêmio eleitoral.
O Datafolha deve divulgar nova rodada da corrida presidencial com entrevistas realizadas entre 18 e 20 de agosto.
O mercado acompanha não apenas a distância entre os candidatos, mas como os números alteram a percepção sobre fiscal e trajetória econômica após a eleição.
Comentário: Pesquisa não muda lucro de empresa hoje. Mas pode mudar dólar, DI longo e prêmio exigido pelo estrangeiro. É aí que o trade eleitoral aparece primeiro.
Candidato reforça discurso de responsabilidade fiscal e redução tributária.
Flávio Bolsonaro afirmou a empresários que gostaria de entrar para a história mesmo como presidente de transição e voltou a defender redução da carga tributária acompanhada de equilíbrio das contas.
Comentário: O mercado já passou da fase de slogans. Agora quer saber como reduzir imposto sem deteriorar receita e como reduzir gasto sem comprometer governabilidade.
Atividade americana e europeia entram no radar depois da semana de estresse nos juros.
Os PMIs preliminares de agosto devem mostrar alguma moderação nos Estados Unidos e na Europa.
Nos EUA, o PMI composto é esperado em torno de 54,3, ainda em território de expansão.
Comentário: O melhor cenário para o mercado é simples: atividade desacelera sem quebrar e inflação perde força. Qualquer combinação diferente complica Treasury, Bolsa e Fed.
Cripto dispara com dólar mais fraco e algum alívio nos juros.
O Bitcoin sobe forte e supera US$ 77 mil, caminhando para uma das melhores semanas dos últimos anos.
Comentário: Bitcoin está funcionando como leitura rápida da liquidez global. Se Treasury fechar e dólar cair, o risco respira. Se os yields voltarem a abrir, esse trade pode devolver rápido.
Companhia avalia novas medidas de proteção financeira.
A Braskem segue analisando alternativas para preservar caixa e negociar com credores enquanto a reestruturação permanece no centro da tese.
Comentário: Aqui, o mercado já não discute trimestre. Discute liquidez, dívida e poder de negociação.
Treasury 10Y/30Y: alívio hoje, mas fiscal continua sendo o driver estrutural.
Brent: perto de US$ 94 mantém pressão inflacionária.
DXY: fraqueza externa ajuda emergentes.
DI curto: setembro continua com corte no preço.
DI longo: eleição + fiscal + Treasury continuam cobrando.
Dólar: carry ajuda, mas fluxo estrangeiro continua negativo.
Ibovespa: parou de cair; falta fluxo para confirmar reversão.
Datafolha: maior risco doméstico de volatilidade no fim do dia.
PMIs: testam cenário de desaceleração sem recessão.
Bitcoin: segue como termômetro de liquidez.
O mercado termina a semana tentando separar alívio de solução. Treasury recua, mas o fiscal americano continua aberto. O dólar perde força, mas o Brasil ainda perde estrangeiro. O Ibovespa parou de cair, mas ainda não encontrou fluxo. E o Brent perto de US$ 94 lembra que inflação continua viva. Hoje, o Datafolha pode devolver o prêmio eleitoral para a curva e mostrar se a calmaria foi pausa ou virada.
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