Call diario 20/07/2025 | Nova Futura

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Resumo do dia 20/07

Petróleo perde força com diplomacia, mas guerra ainda ameaça juros, inflação e ativos globais.

A semana começa com uma tentativa de descompressão no principal risco dos mercados. O Brent chegou a superar US$ 91, mas devolveu a alta para a região de US$ 88 depois que o Irã revelou contatos de Qatar e Paquistão para mediar o conflito com os Estados Unidos.

O movimento traz algum alívio, mas está longe de representar uma trégua. Os EUA completaram o nono dia consecutivo de ataques, Teerã manteve ofensivas contra bases americanas e o Estreito de Ormuz continua operando sob ameaça. No Brasil, o Focus, o risco de uma nova tarifa americana e as dúvidas fiscais dividem espaço com o início das convenções eleitorais.


Diplomacia segura o petróleo, por enquanto

O Brent recua, mas o risco de guerra continua embutido no preço.

O petróleo chegou a superar brevemente US$ 91 por barril, mas devolveu os ganhos após o Irã informar que Qatar e Paquistão apresentaram propostas para reduzir as tensões.

O ministro do Interior iraniano viajará ao Paquistão nesta segunda-feira, sinalizando alguma abertura diplomática. Ainda assim, os Estados Unidos mantiveram os ataques pelo nono dia consecutivo, enquanto Teerã continuou atingindo bases americanas no Kuwait, Jordânia, Bahrein e Iraque.

Comentário: O mercado comprou a possibilidade de mediação, não uma solução. Enquanto Ormuz permanecer ameaçado, qualquer manchete pode recolocar rapidamente o Brent acima de US$ 90.


Petróleo volta a testar a tese de corte de juros

O choque de energia ameaça apagar parte do alívio trazido pela inflação.

O Brent acumulou valorização superior a 20% em julho, pressionando gasolina, diesel e expectativas inflacionárias.

Nos Estados Unidos, o mercado voltou a discutir altas de juros pelo Fed em setembro ou outubro. No Brasil, a preocupação é saber se a pressão sobre energia pode reduzir o espaço para cortes da Selic.

Comentário: CPI e PPI deram um alívio. O petróleo tenta retirar esse prêmio. Se a commodity permanecer entre US$ 85 e US$ 90, Fed e Copom terão menos liberdade para flexibilizar a política monetária.


Curva brasileira volta a cobrar prêmio

Atividade desacelera, mas petróleo e fiscal impedem fechamento dos DIs.

O IBC-Br de maio avançou apenas 0,1%, desacelerando em relação à alta de 0,5% registrada em abril. O resultado reforçou a leitura de perda gradual de ritmo da economia no segundo trimestre.

Apesar disso, os juros futuros abriram prêmio na sexta-feira. O movimento foi puxado pelo petróleo e por preocupações com a sustentabilidade da dívida pública e possíveis mudanças nos parâmetros do arcabouço fiscal.

No fechamento:

DI Jan/27: 13,960%

DI Jan/29: 14,335%

DI Jan/31: 14,525%

DI Jan/33: 14,600%

A atividade ainda permite discutir corte da Selic.

O problema é que a curva não negocia apenas atividade: negocia petróleo, dívida e eleição. Por isso, a ponta curta pode aliviar sem que os vértices longos acompanhem.


Focus testa o impacto do novo choque

Mercado busca sinais de contaminação nas expectativas de inflação.

O Banco Central divulga o Boletim Focus após uma semana marcada pelo avanço do petróleo e pela reabertura da curva de juros.

O mercado acompanhará especialmente as projeções para:

  • IPCA de 2026 e 2027;
  • Selic;
  • câmbio;
  • crescimento econômico.

Mais importante que pequenas revisões será a direção das expectativas longas.

Se o petróleo começar a contaminar 2027, o Copom perderá parte do conforto para continuar cortando.


Dólar continua protegido pelo carry e pelo petróleo

A guerra piora o risco global, mas também melhora os termos de troca brasileiros.

Mesmo com a escalada no Oriente Médio, o dólar encerrou a sexta-feira em alta moderada, a R$ 5,1112.

O real continua recebendo suporte de dois fatores:

  • diferencial elevado de juros;
  • posição do Brasil como exportador de petróleo.

Por outro lado, bancos estrangeiros começam a demonstrar maior cautela com os riscos fiscais e eleitorais brasileiros.

O petróleo produz um efeito duplo.

Ajuda a balança comercial e a Petrobras, mas pressiona inflação, juros e percepção de risco. Por isso, o câmbio pode continuar relativamente comportado mesmo com a piora externa.


Risco de nova tarifa ainda não saiu da mesa

Depois dos 25%, o mercado acompanha a possibilidade de mais 12,5%.

O governo brasileiro trabalha com a hipótese de os Estados Unidos anunciarem uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos associados ao uso de insumos produzidos com trabalho forçado.

A principal dúvida é se essa tarifa será cumulativa aos 25% já anunciados.

O Brasil continua priorizando a negociação e descartando, por enquanto, uma retaliação imediata.

Comentário: O primeiro tarifaço teve impacto econômico limitado pelas exceções. Uma tarifa cumulativa mudaria a leitura, especialmente para setores industriais já atingidos e para a percepção de escalada comercial.


Tech tenta interromper a correção

Sell-off dos chips perde força antes dos balanços das big techs.

O Nasdaq tenta interromper três sessões consecutivas de queda após a forte correção nas fabricantes de semicondutores.

A Alphabet abre na quarta-feira a temporada de resultados das grandes empresas diretamente ligadas aos investimentos em inteligência artificial. Tesla e IBM também divulgam números no mesmo dia.

Comentário: A semana pode definir se a queda recente foi apenas realização ou uma reprecificação mais profunda do trade de IA. O mercado não quer apenas crescimento. Quer retorno sobre os bilhões investidos em chips e data centers.


Convenções colocam a eleição no calendário oficial

A política sai da pré-campanha e entra na fase de formalização.

Partidos e federações iniciam hoje o período de convenções para definir candidaturas e coligações. O prazo segue até 5 de agosto.

O PL deve oficializar Flávio Bolsonaro no dia 25, enquanto Lula prepara o lançamento de sua campanha para o início de agosto.

Jair Bolsonaro permanece em prisão domiciliar e está proibido de receber visitas com finalidade política ou eleitoral.

Comentário: O mercado passará a reagir mais intensamente às pesquisas e às alianças. A variável eleitoral tende a ganhar peso especialmente na parte longa da curva de juros e no prêmio de risco da Bolsa.


Fiscal será o grande teste doméstico da semana

Relatório Bimestral pode confirmar bloqueios ou aumentar a desconfiança.

Na sexta-feira, o governo divulga o Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas.

O documento atualizará:

  • projeções de receitas;
  • resultado primário;
  • necessidade de bloqueios ou contingenciamentos;
  • execução do Orçamento.

O mercado também acompanha relatos de que a Fazenda discute mudanças nos parâmetros do arcabouço e na composição da dívida pública.

Comentário: Para a curva longa, esse é o principal evento doméstico da semana. Sem medidas concretas para estabilizar a dívida, qualquer mudança de regra será interpretada como flexibilização fiscal.


BCE e PMIs completam a agenda global

Europa decide juros enquanto a guerra redefine a inflação mundial.

O Banco Central Europeu decide a política monetária na quinta-feira. A expectativa é de manutenção da taxa em 2,40%.

Na sexta-feira, os PMIs preliminares de julho mostrarão o ritmo da atividade nas principais economias.

Comentário: Lagarde terá de equilibrar crescimento fraco e energia mais cara. O petróleo transforma uma reunião aparentemente tranquila em um evento potencialmente relevante para moedas e juros europeus.


Radar corporativo

Oncoclínicas

A IG4 busca obter a maioria dos direitos de voto da empresa em meio ao processo de reestruturação.

Embraer

A controladora da Gol está próxima de fechar acordo envolvendo aeronaves E2. A Eve também assinou cartas de intenção para a venda de 46 eVTOLs.

Vale

Divulga amanhã o relatório de produção e vendas do segundo trimestre.

Raízen

Recebeu da B3 prazo até março de 2027 para reenquadrar o preço das ações acima de R$ 1.

Grupo SBF

Pagará R$ 125 milhões em dividendos no dia 5 de agosto.


Agenda do dia

Brasil

08h25: Boletim Focus

11h30: Leilão de swap cambial

15h00: Balança comercial semanal

Reuniões de Gabriel Galípolo com BofA, CSD BR e Cargill.

Exterior

Monitoramento do petróleo e das negociações EUA Irã.

Reunião entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu.

Mercados do Japão fechados por feriado.


Visão para o trader

A segunda-feira começa com um alívio frágil.

A diplomacia retirou o Brent da máxima, mas não eliminou a guerra. O mercado continua dividido entre uma atividade econômica que perde força e um choque de energia que pressiona inflação e juros.

Na prática:

  • Petróleo: segue como principal driver global.
  • Petrobras: continua protegida pelo preço do barril.
  • DI curto: atividade fraca mantém a tese de corte.
  • DI longo: petróleo e fiscal continuam cobrando prêmio.
  • Dólar: carry e exportação de petróleo limitam a alta.
  • Nasdaq: balanços das big techs definirão o futuro do trade de IA.

A leitura da mesa é direta: a diplomacia reduziu o preço do petróleo, mas ainda não reduziu o risco.

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