MORNING CALL NOVA FUTURA
18 de agosto | Terça-feira
Juro longo americano assusta, Brent rompe US$ 90 e setembro fica mais fácil que o resto do caminho
O mercado começa o dia com duas pressões globais andando juntas: Treasury de 30 anos nos maiores níveis desde 2007 e petróleo novamente acima de US$ 90. A primeira conta a história fiscal americana; a segunda recoloca inflação e geopolítica no centro da discussão dos bancos centrais.
No Brasil, o IBC-Br confirmou desaceleração mais forte da atividade e deixou um corte de 25 pontos-base em setembro cada vez mais confortável. O problema vem depois: petróleo, câmbio, fiscal, eleição e saída estrangeira continuam limitando o espaço para uma sequência maior de cortes.
TREASURY DE 30 ANOS VIROU O NOVO MEDO DE WALL STREET
O Fed pode ganhar tempo; o fiscal americano não.
O rendimento do Treasury de 30 anos permanece nos maiores níveis desde 2007, com investidores exigindo prêmio maior diante da elevada oferta de títulos, déficits fiscais e risco inflacionário.
O movimento pressiona ações de crescimento, com tecnologia liderando as perdas e o Nasdaq futuro recuando mais de 1%.
Comentário: Esse é o trade que merece atenção: o curto negocia Fed; o longo negocia credibilidade fiscal. Mesmo inflação melhor não garante Bolsa forte quando o custo estrutural do dinheiro continua subindo.
BRENT ACIMA DE US$ 90 DEVOLVE A INFLAÇÃO PARA A MESA
Ormuz sofre novo ataque e a trégua desaparece do cenário.
O Brent voltou para cima de US$ 90, depois de novo ataque a uma embarcação no Estreito de Ormuz.
Trump afirmou que não pretende reativar a trégua com o Irã, enquanto Teerã endurece a postura e o tráfego marítimo continua bastante reduzido.
Comentário: Petróleo nessa região deixa de ser apenas commodity. Vira variável de juros. Cada dólar adicional no barril aumenta a dificuldade para Fed, Copom e demais bancos centrais relaxarem a política monetária.
IBC-BR ABRIU A PORTA DE SETEMBRO
Atividade caiu mais que o esperado e confirma que os juros altos começaram a bater.
O IBC-Br caiu 0,64% em junho, ante expectativa de -0,50%.
A desaceleração levou casas a revisar para baixo suas estimativas de PIB do segundo trimestre e reforçou a precificação de um corte de 25 pontos-base pelo Copom em setembro.
Comentário: Setembro ficou mais fácil. A discussão relevante agora é outra: quantos cortes ainda cabem depois dele?
SETEMBRO É UMA COISA. O QUARTO TRIMESTRE É OUTRA
A atividade ajuda o BC; petróleo, dólar e eleição atrapalham.
A precificação indica forte probabilidade de corte para 13,75% em setembro, mas a continuidade do ciclo depende de variáveis menos confortáveis.
Câmbio, expectativas, petróleo e risco fiscal podem limitar novos movimentos no quarto trimestre.
Comentário: O mercado pode estar próximo de acertar setembro e ainda errar dezembro. O primeiro corte depende da atividade. A extensão do ciclo depende da credibilidade.
DÓLAR SEGURA R$ 5,20 E CONTINUA SENDO O VETO DO COPOM
A moeda estabilizou, mas continua muito acima dos níveis anteriores ao estresse eleitoral.
O dólar terminou ontem em R$ 5,2012, interrompendo cinco altas consecutivas.
Apesar da melhora pontual, segue pressionado por fluxo estrangeiro, fiscal e eleição.
Comentário: Para o curto prazo, atividade fraca abre espaço para corte. Para o ciclo inteiro, o dólar pode fechar essa porta rapidamente se voltar a acelerar.
R$ 15,6 BILHÕES JÁ SAÍRAM DA B3 O GRINGO AINDA NÃO VOLTOU
Fluxo estrangeiro continua negativo mesmo com o Ibovespa aparentemente cansado de cair.
A retirada de estrangeiros atingiu R$ 15,6 bilhões em agosto, após nova saída de aproximadamente R$ 2 bilhões.
O Ibovespa caiu apenas 0,09% ontem, mas completou dez pregões consecutivos no vermelho.
A Bolsa começa a mostrar exaustão da queda.
Mas exaustão não é reversão.
Para chamar fundo, falta o comprador que importa: o estrangeiro.
TESOURO TESTA A DURATION DEPOIS DE R$ 260 BILHÕES VENCEREM
NTN-B volta para a mesa com juro real próximo de níveis extremos.
Depois do megavencimento de quase R$ 260 bilhões em NTN-B, o Tesouro oferta papéis para 2031, 2037 e 2060.
As taxas reais longas vêm se aproximando de 8%, enquanto fiscal e eleição mantêm prêmio elevado.
Comentário: Esse leilão vale mais do que o volume vendido. Ele mostra quanto prêmio o investidor exige para financiar Brasil por décadas. É praticamente um plebiscito diário sobre confiança fiscal.
DURIGAN RECONHECE O PROBLEMA O MERCADO QUER A SOLUÇÃO
Fazenda admite que a preocupação com a dívida é legítima.
Dario Durigan afirmou que as dúvidas do mercado sobre a trajetória das despesas são justificadas e que o Brasil precisa melhorar o fiscal.
Também reforçou que o governo pretende cumprir os compromissos assumidos.
Comentário: Reconhecer o diagnóstico ajuda. Mas curva longa fecha com medida, não com diagnóstico. O mercado continuará cobrando números que estabilizem dívida e resultado primário.
CASAS BAHIA TRANSFORMA JURO ALTO EM RISCO DE CRÉDITO
Recuperação judicial de R$ 17 bilhões contamina bancos e varejo.
A dívida declarada da Casas Bahia alcança cerca de R$ 17,3 bilhões, com exposição relevante de instituições financeiras.
O episódio pressionou bancos e reacendeu preocupações com inadimplência e empresas excessivamente alavancadas.
Comentário: Esse é o lado menos elegante da política monetária restritiva. Primeiro cai atividade. Depois cai crédito. Por último aparecem os balanços que não aguentaram esperar a Selic cair.
PETROBRAS ENCONTRA PETRÓLEO MAS AINDA PRECISA ENCONTRAR ESCALA
Morpho anima a Margem Equatorial, mas ainda não muda valuation.
A Petrobras segue avaliando o poço Morpho e deve concluir a perfuração nas próximas semanas.
A companhia vê sinais positivos sobre a qualidade do óleo, mas ainda precisa determinar tamanho, produtividade e viabilidade econômica do reservatório.
Comentário: A descoberta aumenta a opcionalidade de longo prazo. Mas para o trader, Brent a US$ 90 ainda vale mais para PETR4 hoje do que um barril que pode começar a ser produzido daqui a seis ou sete anos.
BRASKEM: A CRISE SAI DO BALANÇO E ENTRA NO JURÍDICO
Idesa pede Chapter 11 e credores entram em mediação no Brasil.
A Braskem Idesa entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos para reduzir seu endividamento, enquanto a Justiça paulista suspendeu algumas execuções de credores convidados para mediação.
A Petrobras também avalia condições comerciais que poderiam aliviar o caixa da petroquímica.
Comentário: Aqui o mercado já não negocia trimestre. Negocia liquidez, dívida e sobrevivência financeira.
XP BATE RECORDE MAS JURO ALTO MUDA O CLIENTE
Lucro recorde, captação forte e receita ainda sob observação.
A XP reportou lucro ajustado de R$ 1,38 bilhão, com captação líquida de R$ 28 bilhões.
Ao mesmo tempo, clientes continuam migrando para produtos mais conservadores e de liquidez diária, pressionando comissões e mercado de capitais.
Comentário: Juro de 14% ajuda a captar dinheiro. Mas não necessariamente ajuda a monetizar esse dinheiro. Esse é o paradoxo operacional das plataformas enquanto a Selic continua alta.
RADAR DIRETO PARA O TRADER
Treasury 30Y: maior risco externo do dia para Nasdaq e duration.
Brent: acima de US$ 90 volta a contaminar inflação e juros.
DI curto: IBC-Br reforça corte de 25 bps em setembro.
DI longo: fiscal + eleição + petróleo continuam cobrando prêmio.
Dólar: região de R$ 5,20 segue decisiva para extensão do ciclo.
Ibovespa: dez quedas; exaustão existe, fluxo comprador ainda não.
NTN-B: leilão mede apetite por duration brasileira.
Petrobras: Brent vale mais no curto; Morpho é opcionalidade longa.
Bancos: Casas Bahia aumenta atenção ao risco corporativo.
XP: lucro forte, monetização ainda condicionada ao ciclo de juros.
LEITURA DA MESA
O IBC-Br praticamente abriu a porta para setembro, mas o petróleo a US$ 90 está tentando fechá-la para depois. Lá fora, Treasury de 30 anos mostra que o problema fiscal americano também chegou ao preço. Aqui, dólar em R$ 5,20, R$ 15,6 bilhões de saída estrangeira e juros reais longos elevados dizem a mesma coisa: cortar 25 pontos é fácil; convencer o mercado de que existe espaço para continuar será muito mais difícil.
Este conteúdo possui caráter meramente informativo e educacional, não devendo ser interpretado como oferta, solicitação de oferta, recomendação personalizada de investimento ou aconselhamento financeiro, jurídico ou tributário. As decisões de investimento devem considerar os objetivos, perfil de risco e situação financeira específica de cada investidor.
Investimentos nos mercados financeiro e de capitais envolvem riscos, incluindo a possibilidade de perda do capital investido. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.
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