MORNING CALL – NOVA FUTURA
11 de setembro | Sexta-feira
CPI encara Treasury a 5%, Brent segue acima de US$ 100 e Datafolha fecha uma semana explosiva no Brasil
A sexta-feira concentra praticamente tudo que pode mexer com a próxima Superquarta. IPCA às 9h, CPI americano às 9h30 e nova pesquisa Datafolha depois do fechamento.
Lá fora, o Brent continua acima de US$ 100 e a Treasury de 10 anos encosta em 5%, combinação que elevou novamente as apostas de alta pelo Fed. Aqui, o Brasil ainda consegue negociar em uma espécie de bolha própria: Ibovespa em 188 mil, dólar perto de R$ 5,10 e juros longos fechando no embalo eleitoral.
No político, o STF abriu parcialmente o caso Master e prepara para terça-feira uma sessão que pode definir o próximo capítulo da crise institucional.
9H30: O CPI PODE ENTREGAR A DECISÃO DO FED
Mercado espera inflação americana de 0,4% no mês e 3,4% em 12 meses.
O dado chega depois de payroll forte, PPI de 0,4% e petróleo acima dos três dígitos.
A chance de alta de 25 pontos-base na próxima reunião já se aproxima de 70%.
Comentário: Hoje existe pouca margem para surpresa ruim. CPI forte transforma a alta em quase consenso. CPI benigno devolve discussão. CPI muito forte pode fazer o mercado parar de perguntar “se” o Fed sobe e começar a perguntar “quantas vezes”.
TREASURY DE 10 ANOS CHEGA À PORTA DOS 5%
Yield fechou perto de 4,95%, enquanto o 30 anos já passou de 5,36%.
Petróleo, inflação e preocupação fiscal seguem pressionando a parte longa da curva americana, mesmo após as recompras promovidas pelo Tesouro.
Comentário: 5% não é um número mágico, mas é um número que muda comportamento. Quanto mais o Treasury sobe, maior fica o desconto exigido para ações, emergentes e qualquer ativo comprado com promessa de crescimento futuro.
BRENT A US$ 107: O CHOQUE DE ENERGIA GANHOU OUTRA DIMENSÃO
Petróleo saltou mais de 6% e atingiu o maior nível em três meses.
A guerra atingiu simultaneamente rotas do Golfo e do Mar Vermelho. A produção saudita também teria recuado fortemente em agosto.
Nesta manhã, o Brent devolve parte da alta, mas continua acima de US$ 100.
Comentário: A pergunta já não é se petróleo caro produz inflação. É quanto tempo ele permanece caro o suficiente para contaminar núcleo, frete e expectativas. Essa duração vale mais para o Fed do que o candle de hoje.
IPCA VEM NEGATIVO MAS O MERCADO VAI OLHAR O QUE SOBRA SEM ITAIPU
Consenso aponta deflação próxima de 0,28%–0,29% em agosto.
O principal responsável deve ser a queda temporária da energia elétrica pelo bônus de Itaipu.
Serviços subjacentes ainda são esperados em alta e parte do alívio deve ser devolvida em setembro.
Comentário: Headline negativa ajuda o Copom. Mas deflação produzida por bônus temporário não vale o mesmo que desinflação estrutural. O núcleo do dado é o que interessa para discutir a extensão dos cortes.
BRASIL CONTINUA DESAFIANDO A GRAVIDADE EXTERNA
Ibovespa voltou aos 188 mil enquanto Treasury e petróleo disparavam.
O índice ganhou 1,42%, com alta disseminada, enquanto o EWZ também avançou no exterior.
Setembro já acumula valorização superior a 6%.
Comentário: Isso confirma que o principal driver brasileiro ainda é doméstico. Mas existe um limite. Quanto mais o mundo piora sem o Brasil reagir, maior o tamanho do choque caso a proteção eleitoral desapareça.
ATLAS CONFIRMOU O EMPATE DATAFOLHA AGORA FECHA A SEMANA
AtlasIntel mostrou Flávio com 46,4% e Lula com 46,2%, tecnicamente empatados.
O resultado reforçou a sequência de pesquisas que apertaram fortemente a corrida presidencial.
Hoje, o Datafolha deve ser divulgado depois do fechamento.
Comentário: O mercado já não reage simplesmente ao empate. O próximo movimento depende de tendência: quem está ganhando velocidade, quem está perdendo e se isso começa a aparecer de maneira consistente entre institutos.
STF ABRE PARTE DO MASTER E TERÇA-FEIRA GANHA CARA DE EVENTO
Mendonça retirou parcialmente o sigilo das investigações a pedido de Fachin.
Parte dos documentos permanece protegida. O plenário do STF se reúne no dia 15 para analisar o caso relacionado às mensagens envolvendo Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
Moraes havia anunciado pronunciamento ontem, mas cancelou a fala.
Comentário: O mercado ganhou transparência, não conclusão. Quanto mais documento aparece antes de terça-feira, maior a chance de a política produzir volatilidade antes mesmo do julgamento.
DI CAI COM TREASURY SUBINDO A CURVA ESTÁ GRITANDO ELEIÇÃO
Jan/31 fechou em 14,01% mesmo com forte abertura dos juros americanos.
A parte longa voltou a retirar prêmio com o fortalecimento da percepção de uma disputa eleitoral mais aberta.
Já o Jan/27 subiu marginalmente.
Comentário: É talvez a leitura mais clara da mesa brasileira: a ponta curta opera Copom. A parte longa está operando 2027. Enquanto isso continuar, pesquisa eleitoral seguirá valendo quase tanto quanto dado macro.
DÓLAR EM R$ 5,10 SEGUE BLINDADO MAS NÃO IMUNE
Real permanece entre as moedas com melhor comportamento apesar do aumento do risco global.
O dólar fechou a R$ 5,1027, sustentado por fluxo e pelo trade político doméstico.
Comentário: O real está mostrando resistência excepcional. Mas Treasury perto de 5% e Fed mais hawkish criam uma conta crescente. R$ 5,10 continua sendo equilíbrio enquanto a política ajudar. Sem esse amortecedor, o exterior ganha peso muito rápido.
LULA ENTRA DIRETAMENTE NO DEBATE SOBRE FISCAL E STF
Presidente defendeu investigação de todos os envolvidos e voltou a responder às críticas sobre as contas públicas.
Lula afirmou que ministros devem responder caso irregularidades sejam comprovadas e defendeu mudanças no sistema judicial, incluindo discussão sobre mandatos no STF.
Também contestou críticas do mercado à trajetória fiscal.
Comentário: Para o trader, discurso importa menos que reação do preço. Com DI longo operando fortemente expectativas para 2027, qualquer mensagem sobre fiscal que altere percepção de compromisso futuro pode aparecer imediatamente na curva.
ORACLE MOSTRA QUE A IA CONTINUA COMPRANDO CAPACIDADE
Infraestrutura em nuvem cresce 121% e companhia anuncia mais de US$ 30 bilhões em novos contratos ligados à IA.
A ação reagiu positivamente no after market após lucro, receita e novos contratos reforçarem a demanda por computação.
Comentário: A tese de IA continua recebendo validação operacional. Só que agora existe um adversário diferente: quanto mais o Treasury se aproxima de 5%, mais crescimento futuro precisa virar caixa presente para sustentar múltiplos.
RADAR DIRETO PARA O TRADER
9h: IPCA brasileiro.
9h30: CPI americano principal gatilho da manhã.
Fed: alta na próxima semana se aproxima de 70% de probabilidade.
Treasury 10Y: região crítica dos 5%.
Brent: ainda acima de US$ 100.
Ibovespa: 188 mil e mais de 6% de alta em setembro.
Dólar: R$ 5,10 continua sendo região-chave.
DI longo: continua negociando eleição e fiscal de 2027.
Datafolha: após o fechamento.
STF/Master: sigilo parcialmente aberto; plenário terça-feira.
Michigan, 11h: confiança e expectativas de inflação.
Oracle: IA continua entregando crescimento forte.
LEITURA DA MESA
Hoje temos dois números capazes de redesenhar a próxima semana: IPCA às 9h e CPI às 9h30. O primeiro diz quanto espaço o Copom ainda tem. O segundo pode dizer se o Fed sobe. No meio deles, o Brent segue acima dos US$ 100 e o Treasury ameaça 5%. Só que o Brasil continua dançando outra música, sustentado pelo trade eleitoral. A questão desta sexta não é apenas qual dado vem bom ou ruim. É descobrir por quanto tempo o Brasil consegue continuar surdo ao barulho lá de fora.
Este conteúdo possui caráter meramente informativo e educacional, não devendo ser interpretado como oferta, solicitação de oferta, recomendação personalizada de investimento ou aconselhamento financeiro, jurídico ou tributário. As decisões de investimento devem considerar os objetivos, perfil de risco e situação financeira específica de cada investidor.
Investimentos nos mercados financeiro e de capitais envolvem riscos, incluindo a possibilidade de perda do capital investido. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.
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