Call diário 15/7

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Resumo do dia 15/07

Tarifaço decide o jogo enquanto Lula amplia vantagem e o mercado testa o rali pós-CPI.

O mercado entra na quarta-feira olhando para dois grandes eventos: a decisão dos Estados Unidos sobre o tarifaço contra produtos brasileiros e os novos sinais da economia americana após o CPI surpreender para baixo. Enquanto isso, a pesquisa Quaest mostra Lula ampliando vantagem sobre Flávio Bolsonaro, aumentando a leitura de continuidade do cenário político. No exterior, o petróleo segue elevado com a guerra entre EUA e Irã, mas sem novas explosões de preço, enquanto Wall Street tenta sustentar o otimismo puxado pela tecnologia.


Tarifaço dos EUA chega ao dia da decisão

Hoje termina a investigação americana contra o Brasil.

Os Estados Unidos concluem hoje a investigação da Seção 301, que pode oficializar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O governo brasileiro realizou ontem sua última rodada de negociações tentando ampliar a lista de exceções, mas a expectativa continua sendo de confirmação da sobretaxa para boa parte das exportações.

Comentário: Hoje o risco é binário. Se vier uma lista maior de exceções, ativos brasileiros respiram. Se a tarifa for ampla, dólar, exportadoras e percepção de risco podem sentir imediatamente.


Quaest reforça estabilidade do cenário eleitoral

Lula amplia vantagem sobre Flávio Bolsonaro.

A Genial/Quaest mostrou Lula com 45% contra 37% em um eventual segundo turno. A aprovação do governo ficou praticamente estável, enquanto a desaprovação recuou levemente.

Comentário: Para o mercado, mais importante do que quem lidera é a redução das incertezas. Pesquisas passam a influenciar principalmente a precificação do risco fiscal e das apostas para 2027.


CPI ajudou... agora o mercado testa o PPI

Depois da inflação ao consumidor, chega a inflação ao produtor.

Após o CPI surpreender positivamente ontem, hoje sai o PPI americano, além do Livro Bege e de um novo depoimento de Kevin Warsh.

Comentário: O CPI abriu espaço para um rali. Agora o mercado quer confirmar se a desinflação continua ou foi apenas um dado isolado.


Fed continua freando a euforia

Warsh mantém discurso duro apesar do CPI benigno.

Mesmo após a surpresa positiva da inflação, Kevin Warsh reforçou que um único dado não muda a política monetária e que o Fed continua comprometido com a meta de inflação.

Comentário: O mercado reduziu apostas em alta de juros, mas o Fed continua dizendo para não comemorar cedo demais.


Petróleo continua no radar

Guerra permanece sustentando o prêmio de risco.

Mesmo sem nova explosão nos preços, o Brent permanece elevado com os ataques entre EUA e Irã e as ameaças ao Estreito de Ormuz.

Comentário: Enquanto o petróleo permanecer acima de US$ 80, a inflação global continua sendo um risco relevante para bancos centrais.


Atividade brasileira deve dar novo sinal de desaceleração

Serviços podem confirmar perda de ritmo da economia.

O mercado espera queda de 0,1% no volume de serviços de maio após forte alta em abril.

Comentário: Se confirmado, reforça o cenário que vem sustentando a expectativa de corte da Selic em agosto.


Fiscal volta a preocupar

Senado aprova novas despesas e aumenta pressão sobre as contas públicas.

Foi aprovada a aposentadoria diferenciada para agentes comunitários de saúde, com impacto estimado de bilhões de reais ao longo dos próximos anos. Também foi aprovada a MP do Frete.

Comentário: Enquanto a atividade desacelera, o mercado continua monitorando qualquer deterioração fiscal, que pode limitar o espaço para cortes maiores da Selic.


China desacelera

PIB perde força, mas consumo surpreende.

O PIB chinês cresceu 4,3%, abaixo das expectativas. Em compensação, produção industrial e vendas no varejo vieram acima do esperado.

Comentário: O resultado é misto para commodities. A atividade perde força, mas o consumo mostrou alguma recuperação.


Temporada de balanços ganha força

Tecnologia continua sustentando Wall Street.

A ASML divulga resultados na Europa, enquanto BlackRock e Morgan Stanley apresentam números antes da abertura nos EUA.

Comentário: Depois do CPI, o foco volta rapidamente para lucros corporativos e inteligência artificial.


Radar corporativo

Engie Brasil levantou R$ 5,45 bilhões em oferta de ações para financiar Jirau.

Vale escolheu presidente interino do Conselho.

Ânima compra a FMU por R$ 410 milhões.

Camil apresentou queda no lucro trimestral.

Ambev e Blau sofreram rebaixamentos de recomendação.


O que mais importa hoje

Decisão da investigação americana sobre o tarifaço.

Pesquisa Mensal de Serviços.

PPI dos EUA.

Novo depoimento de Kevin Warsh.

Livro Bege do Fed.

Fluxo cambial do BC.

Vencimento de opções sobre o Ibovespa.


Visão para o trader

Hoje o mercado vive um teste importante entre fundamentos e geopolítica.

O CPI devolveu apetite por risco, mas o Fed continua freando o entusiasmo. No Brasil, a atividade mais fraca favorece a tese de corte da Selic, enquanto o risco fiscal e o tarifaço seguem limitando movimentos mais otimistas.

A palavra do dia é "confirmação": confirmar a desaceleração da inflação, confirmar a perda de força da economia e confirmar qual será o impacto das tarifas americanas sobre os ativos brasileiros.

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