Call diário 06/7

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Resumo do dia 06/07

Tarifaço dos EUA entra em campo enquanto o mercado aumenta as apostas em corte da Selic.

A semana começa com dois grandes vetores para os mercados. No Brasil, a audiência pública do USTR pode definir os rumos da investigação comercial contra o país, justamente quando o mercado amplia as apostas de corte da Selic após uma sequência de indicadores mais fracos de atividade. No exterior, a inteligência artificial volta ao centro das atenções, enquanto o petróleo permanece pressionado pela Opep+ e pela normalização do fluxo em Ormuz.

Comentário: O mercado entra na semana negociando três temas: política monetária, guerra comercial e tecnologia. A combinação desses fatores pode definir o humor dos ativos nos próximos dias.


USTR inicia audiência que pode definir o futuro das tarifas contra o Brasil

Começa hoje, em Washington, a audiência pública da investigação da Seção 301 dos EUA contra o Brasil. Estão em discussão temas como Pix, comércio digital, etanol, propriedade intelectual e barreiras comerciais. Flávio Bolsonaro participa amanhã defendendo empresas brasileiras e o Pix, enquanto o governo Lula tenta negociar redução de tarifas antes de qualquer escalada comercial.

Comentário: Este é o principal risco político e econômico da semana. Dependendo do tom da audiência, aumenta ou diminui a probabilidade de novas tarifas sobre produtos brasileiros, afetando câmbio, Bolsa e empresas exportadoras.


Mercado aumenta apostas de corte da Selic após sequência de dados fracos

Depois da produção industrial abaixo do esperado, do Payroll americano fraco e dos esclarecimentos do Banco Central no RPM e na Ata do Copom, a curva DI passou a precificar aproximadamente 72% de chance de novo corte da Selic em agosto, próximo de 19 pontos-base. Hoje, o Focus mostra se as expectativas continuam convergindo para esse cenário.

Comentário: O mercado voltou a negociar desaceleração econômica. Quanto mais fracos forem atividade, emprego e inflação, maior tende a ser o espaço para flexibilização da política monetária.


Opep aumenta produção e petróleo continua desmontando prêmio geopolítico

A Opep+ confirmou novo aumento de 188 mil barris por dia a partir de agosto. Ao mesmo tempo, o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz segue praticamente normalizado, reduzindo o prêmio de risco incorporado durante o conflito entre EUA e Irã. O Brent permanece próximo de US$ 71 por barril.

Comentário: Petróleo mais baixo reduz pressão inflacionária global e ajuda bancos centrais. Para o Brasil, esse movimento também reforça o cenário favorável para novos cortes de juros.


Tecnologia volta ao teste após feriado americano

Wall Street retorna do feriado olhando novamente para inteligência artificial. Samsung divulga resultados nesta semana e a SK Hynix prepara uma listagem de US$ 29 bilhões nos EUA, eventos que servirão como novo teste para o rali das empresas ligadas ao setor de semicondutores.

Comentário: Depois da forte valorização dos últimos meses, qualquer decepção com resultados pode provocar realização rápida nas ações de tecnologia.


Fed continua sem dar direção clara e mercado espera a ata

A semana também será marcada pela divulgação da primeira ata do FOMC sob a presidência de Kevin Warsh. O mercado buscará entender se o Fed continuará adotando uma postura totalmente dependente dos dados ou se começará a construir algum tipo de sinalização para os próximos passos da política monetária.

Comentário: A comunicação do Fed segue sendo o principal driver global para dólar, Treasuries e ativos de risco.


Agenda econômica da semana ganha importância

Além do Focus desta manhã, o mercado acompanha vendas no varejo, IGP-DI e, principalmente, o IPCA de junho na sexta-feira. No exterior, destaque para a ata do Fed, ata do BCE e inflação da China.

Comentário: Depois da sequência recente de indicadores fracos, qualquer confirmação de desaceleração reforça o cenário de corte da Selic e reduz pressão sobre os juros futuros.


Radar Corporativo

PRIO elevada para Overweight pelo Morgan Stanley.

ISA Energia aprova emissão de R$ 1,5 bilhão em debêntures.

Nubank recebe autorização do Banco Central para operar no mercado de câmbio.

Eneva negocia aquisição de campos de gás na Venezuela.

HBR protocola OPA para aquisição da Helbor.

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