Resumo do dia 29/06
O petróleo saiu do centro da discussão.
Agora o mercado voltou a olhar para aquilo que realmente define preço dos ativos:
bancos centrais e atividade econômica.
Depois da ata do Copom, do Relatório de Política Monetária, do IPCA-15 e da queda do petróleo, o mercado entrou definitivamente no modo "dados".
A discussão já não é mais se o BC pode cortar.
É quanto ainda existe de espaço para cortar.
BC recupera flexibilidade e mercado mantém aposta em corte
A combinação entre a ata do Copom, o RPM, o IPCA-15 abaixo das expectativas e o petróleo devolvendo praticamente todo o prêmio da guerra manteve viva a expectativa de um novo corte de 0,25 ponto em agosto.
A curva já precifica aproximadamente 16 pontos-base de flexibilização e projeta Selic abaixo de 14,50% no início de 2027.
Comentário: O mercado finalmente entendeu a mensagem do Banco Central.
O BC não prometeu cortar.
Também não prometeu parar.
Recuperou completamente a liberdade de calibrar reunião por reunião.
Agora cada indicador passa a ter muito mais peso.
Petróleo segue caindo e ajuda o cenário desinflacionaria
O Brent voltou a operar próximo de US$ 72 após EUA e Irã concordarem em interromper novos ataques enquanto retomam as negociações diplomáticas.
Embora o fluxo por Ormuz ainda não tenha voltado totalmente ao normal, o risco de choque de oferta diminuiu bastante.
Comentário: Há duas semanas o petróleo era o principal risco para inflação global.
Hoje ele virou justamente um fator de alívio.
Essa mudança altera completamente a discussão sobre juros no mundo.
Payroll assume o protagonismo da semana
Com o petróleo deixando de pressionar as expectativas de inflação, o foco migra para os dados da economia americana.
O payroll será divulgado excepcionalmente na quinta-feira por causa do feriado de 4 de julho nos EUA.
Antes dele, o mercado acompanha JOLTS, ADP, ISM e pedidos de seguro-desemprego.
Comentário: O petróleo saiu do volante.
Agora quem dirige a curva americana voltou a ser o mercado de trabalho.
Um payroll forte reforça o Fed mais duro.
Um payroll fraco pode acelerar a retirada de prêmios na curva.
Fed segue dividido apesar do PCE comportado
Mesmo após um PCE relativamente benigno, dirigentes do Federal Reserve continuam reforçando preocupação com inflação.
Parte do mercado reduziu bastante a probabilidade de alta adicional dos juros depois da queda do petróleo.
Comentário: O Fed continua falando duro.
O mercado começou a acreditar menos nesse discurso.
Essa divergência será testada diretamente pelo payroll.
Focus ganha importância depois da mudança de leitura do Copom
O Boletim Focus será o primeiro após toda a sequência formada por comunicado, ata, RPM e IPCA-15.
Investidores querem saber se economistas começam a revisar para baixo projeções de inflação e trajetória da Selic.
Comentário: Hoje o Focus vale mais do que normalmente vale.
Ele mostra se o mercado inteiro começou a migrar para uma visão mais dovish ou se essa mudança continua restrita à curva.
BC entra em férias e deixa comunicação encaminhada
Gabriel Galípolo iniciou período de férias após participar do BIS e concluir a sequência de comunicação iniciada com o comunicado do Copom.
Comentário: A missão foi cumprida.
O BC saiu de uma comunicação considerada confusa para uma posição muito mais clara:
todos os caminhos continuam possíveis.
Petróleo devolve o prêmio da guerra
O mercado passou a enxergar que o risco geopolítico deixou de ser o fechamento de Ormuz e passou a ser apenas a velocidade de normalização da oferta.
Além disso, surgem discussões sobre flexibilização gradual das sanções ao petróleo iraniano.
Comentário: Enquanto houver petróleo voltando ao mercado, a inflação perde força.
E sempre que a inflação perde força, os juros passam a respirar.
Tecnologia continua sendo o foco em Wall Street
Os futuros do Nasdaq avançam puxados por empresas ligadas à infraestrutura de inteligência artificial.
Ao mesmo tempo, investidores seguem monitorando o ritmo de investimentos bilionários em chips e data centers.
Comentário: O mercado continua comprando IA.
Mas ficou muito mais seletivo.
Agora não basta contar história.
Precisa entregar resultado.
Política: pesquisa mostra disputa mais apertada
Pesquisa BTG Pactual/Nexus mostrou Lula com 47% contra 44% de Flávio Bolsonaro no segundo turno.
A diferença diminuiu em relação ao levantamento anterior.
Comentário: Ainda é cedo para precificar eleição.
Mas qualquer mudança nas pesquisas passa a influenciar a percepção sobre risco fiscal e comportamento da curva de juros.
Agenda do dia
Boletim Focus
Resultado Primário do Governo Central
Programa de Incentivo à Adimplência
Reunião entre Flávio Bolsonaro e Javier Milei
Início de semana que antecede payroll, ADP, JOLTS e ISM nos EUA.
Comentário final
O mercado entrou em uma nova fase.
A guerra deixou de comandar os preços.
Agora quem volta ao centro da mesa são inflação, atividade econômica e bancos centrais.
Depois da mudança de comunicação do Copom, cada dado divulgado passa a ter potencial para alterar a precificação da Selic.
É exatamente por isso que esta semana será muito mais importante do que parece.
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