Call diário 03/6

Tempo de leitura: 4 min.

Resumo do dia 03/06

O mercado acordou com uma certeza e uma dúvida.

A certeza é que Trump decidiu colocar o Brasil na mira.

A dúvida é quanto isso vai custar para a economia e para a eleição de 2026.

Enquanto Washington discute novas tarifas contra produtos brasileiros, Lula transforma o episódio em campanha eleitoral, o petróleo volta a subir com a guerra no Oriente Médio e o mercado já começa a abandonar qualquer expectativa de Selic abaixo de 14%.

Resumo: o tarifaço ainda não bateu nos ativos... mas já explodiu na política.


TRUMP ABRE UMA SEGUNDA FRENTE CONTRA O BRASIL

Explicação

Depois da proposta de tarifa de 25% contra produtos brasileiros, os EUA colocaram o Brasil numa nova lista de países sujeitos a sobretaxas adicionais de 12,5% dentro da reconstrução da barreira tarifária americana.

Comentário:

O mercado ainda não está precificando o impacto econômico.

Mas já começou a precificar o risco político.

Impacto:

Exportadoras entram no radar

Relação Brasil-EUA piora

Volatilidade aumenta


LULA TRANSFORMA O TARIFAÇO EM CAMPANHA

Explicação

O governo reagiu imediatamente tentando associar as tarifas à aproximação entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump. Nas redes, aliados passaram a impulsionar o termo "TariFlávio".

Comentário:

Lula percebeu rapidamente que o impacto eleitoral pode ser maior que o econômico.

Impacto:

Eleição de 2026 ganha nova narrativa

Polarização aumenta

Política volta para o centro dos ativos


FLÁVIO ENTRA NA DEFENSIVA

Explicação

Após a repercussão negativa, Flávio tentou se distanciar das tarifas e afirmou ter pedido pessoalmente a Trump e Marco Rubio que evitassem qualquer medida contra o Brasil.

Comentário:

O problema é simples:

a foto com Trump ajuda quando vem apoio.

Mas cobra um preço quando vem tarifa.

Impacto:

Ruído eleitoral aumenta

Mercado monitora pesquisas

Oposição entra em modo defesa


A GUERRA VOLTOU A PRESSIONAR O PETRÓLEO

Explicação

O petróleo sobe pelo terceiro pregão consecutivo após novos ataques envolvendo EUA e Irã. O Brent voltou para perto dos US$ 100 e o mercado voltou a discutir inflação energética.

Comentário:

O mercado passou duas semanas operando paz.

Agora voltou a operar realidade.

Impacto:

Inflação global pressionada

Juros altos por mais tempo

Bancos centrais mais cautelosos


O PETRÓLEO CONTINUA MANDANDO MAIS QUE O FED

Explicação

As negociações seguem abertas, mas Trump, Irã e Israel continuam enviando sinais contraditórios. O mercado já percebeu que o conflito entrou numa fase de contenção, não de solução.

Comentário:

Hoje uma manchete sobre Ormuz vale mais que uma fala do Powell.

Impacto:

Commodities dominam o mercado

Dólar ganha suporte

Emergentes continuam vulneráveis


GALÍPOLO REFORÇA O RECADO: JURO ALTO VEIO PARA FICAR

Explicação

Galípolo voltou a defender cautela e explicou que choques de oferta geram uma "memória muscular" nos juros, elevando o custo do dinheiro além do próprio impacto inflacionário.

Comentário:

O mercado já não discute mais o tamanho do corte.

Discute se ainda existe corte.

Impacto:

Selic próxima de 14%

Curva longa pressionada

Crédito continua caro


UBS: O PROBLEMA NÃO É O PETRÓLEO. É BRASÍLIA.

Explicação

Solange Srour afirmou que o principal choque inflacionário do Brasil continua vindo da demanda, impulsionada por crédito forte, mercado de trabalho resiliente e estímulos fiscais.

Comentário:

Enquanto o BC pisa no freio...

o governo continua acelerando.

Impacto:

Selic alta por mais tempo

Prêmio de risco elevado

Pressão na curva de juros


INDÚSTRIA E BALANÇA TESTAM A TESE DE DESACELERAÇÃO

Explicação

Hoje o mercado acompanha produção industrial, balança comercial, fluxo cambial e PMI de serviços para medir se a economia finalmente começa a perder força.

Comentário:

O BC precisa desesperadamente de sinais de desaceleração.

Até agora eles quase não apareceram.

Impacto:

Juros sensíveis aos dados

Bolsa reage aos indicadores

Mercado monitora atividade


WALL STREET CONTINUA IGNORANDO O MUNDO

Explicação

HP Enterprise disparou quase 20% e Marvell mais de 30%, mantendo o Nasdaq próximo das máximas históricas puxado pela inteligência artificial.

Comentário:

Enquanto o Oriente Médio pega fogo...

Wall Street continua comprando chip.

Impacto:

Nasdaq segue forte

Fluxo continua em tecnologia

IA sustenta o apetite por risco


O ESTRANGEIRO ESTÁ TIRANDO O PÉ DO BRASIL

Explicação

Maio registrou saída líquida de R$ 14,9 bilhões da bolsa brasileira, a maior fuga de capital estrangeiro desde a pandemia.

Comentário:

O gringo não abandonou o Brasil.

Mas claramente parou de aumentar aposta.

Impacto:

Ibovespa mais frágil

Fluxo externo enfraquece

Recuperação fica limitada


RESUMO DE MESA

Trump colocou o Brasil novamente na mira tarifária

Lula transformou o tarifaço em narrativa eleitoral

Flávio entrou na defensiva

Petróleo sobe pelo terceiro dia

Guerra continua sem solução

Galípolo reforça cautela com juros

UBS defende pausa imediata nos cortes da Selic

Economia ainda não mostra desaceleração suficiente

Wall Street continua sustentada pela IA

Gringos retiraram quase R$ 15 bilhões da bolsa em maio


FRASE DA MANHÃ

"O tarifaço ainda não entrou na economia. Mas já entrou na campanha eleitoral, na curva de juros e na cabeça do investidor."

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