Montando uma trava de alta e uma trava de baixa com put e call: veja como fazer!

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O mercado de derivativos possibilita a criação de inúmeras estratégias. Podemos, inclusive, realizar diversificação de carteira através de alocação em diferentes estruturas de opções, usando o mesmo ativo.

A trava de alta e a trava de baixa são estratégias com opções de risco limitado, montadas com duas pontas (uma comprada e outra vendida) sobre o mesmo ativo. A trava de alta aposta na valorização do ativo; a trava de baixa, na queda. Em ambas, você já conhece de antemão a perda máxima e o ganho máximo da operação.

É justamente esse controle de risco que torna as travas populares entre traders: em vez de comprar uma opção "seca", você limita o custo e define o cenário desde o início. Neste guia, a Nova Futura explica o que é cada trava, como montá-las passo a passo, com exemplos numéricos e quando usar cada uma. Boa leitura!

Antes de começar: o que são call e put

As travas são construídas a partir de dois tipos de opções. Entender os dois é o primeiro passo:

  • Call (opção de compra): dá o direito de comprar o ativo por um preço definido (o strike) até o vencimento. Tende a se valorizar quando o ativo sobe.

  • Put (opção de venda): dá o direito de vender o ativo pelo strike até o vencimento. Tende a se valorizar quando o ativo cai.

O strike é o preço de exercício da opção, e o prêmio é o valor pago (ou recebido) por ela.

O que é a trava de alta (call spread)?

A trava de alta, também chamada de call spread, é usada quando o investidor tem um viés de alta para o ativo. A montagem clássica (a débito) é feita com duas calls de mesmo vencimento e strikes diferentes:

  • Compra uma call de strike menor (adquire o direito de compra);

  • Vende uma call de strike maior (assume a obrigação de venda).

É a ponta vendida que "trava" a operação: ela reduz o custo da montagem, mas também limita o ganho. A lucratividade aumenta conforme o ativo sobe, até travar no strike maior.

Exemplo de trava de alta

Compra a call de strike R$ 25 por R$ 1,00 e vende a call de strike R$ 30 por R$ 0,50. O custo de montagem (débito) é de R$ 0,50 por ação:

  • Perda máxima: R$ 0,50 (o valor pago), se o ativo ficar em R$ 25 ou abaixo no vencimento.

  • Ganho máximo: (R$ 30 − R$ 25) − R$ 0,50 = R$ 4,50, se o ativo fechar em R$ 30 ou acima.

  • Ponto de equilíbrio: R$ 25,50 (strike menor + custo).

Lembre-se: as opções são negociadas em lotes de 100, então multiplique os valores por 100 para o resultado financeiro (perda máxima de R$ 50 e ganho máximo de R$ 450 por lote, neste exemplo).

O que é a trava de baixa (put spread)

A trava de baixa é a estratégia espelhada: usada quando o investidor tem viés de queda. A montagem clássica (a débito) é feita com duas puts de mesmo vencimento e strikes diferentes:

  • Compra uma put de strike maior (o direito de vender mais valioso);

  • Vende uma put de strike menor (para reduzir o custo).

Assim como na trava de alta, a perda máxima é o valor pago na montagem, e o ganho máximo é a diferença entre os strikes menos esse custo. A lucratividade aumenta conforme o ativo cai, até travar no strike menor.

Exemplo de trava de baixa

Compra a put de strike R$ 30 por R$ 1,00 e vende a put de strike R$ 25 por R$ 0,50. O custo de montagem (débito) é de R$ 0,50 por ação:

  • Perda máxima: R$ 0,50, se o ativo ficar em R$ 30 ou acima no vencimento.

  • Ganho máximo: (R$ 30 − R$ 25) − R$ 0,50 = R$ 4,50, se o ativo fechar em R$ 25 ou abaixo.

  • Ponto de equilíbrio: R$ 29,50 (strike maior − custo).

Trava de alta x trava de baixa

  Trava de Alta Trava de Baixa
Aposta em Alta do ativo Queda do ativo
Montagem Clássica Compra call de strike menor + vende call de strike maior Compra put de strike maior + vende put de strike menor
Custo Débito (você paga) Débito (você paga)
Perda Máxima Valor pago na montagem Valor pago na montagem
Ganho Máximo Diferença dos strikes − custo Diferença dos strikes − custo
Lucro cresce quando Ativo sobe (até o strike maior) Ativo cai (até o strike menor)

 

Trava de débito x trava de crédito

As montagens acima são travas de débito — você paga um valor líquido para montar. Mas cada trava também pode ser construída como trava de crédito, em que você recebe um valor na montagem:

  • Trava de alta com put (crédito): vende uma put de strike maior e compra uma put de strike menor. Você recebe um crédito, mas a operação exige margem de garantia.

  • Trava de baixa com call (crédito): vende uma call de strike menor e compra uma call de strike maior. Também gera crédito na montagem.

Nas travas de crédito, o ganho máximo é o valor recebido na montagem, e a perda máxima é a diferença dos strikes menos esse crédito.

Vantagens e riscos das travas

Vantagens

  • Risco limitado e conhecido desde a montagem: você sabe a perda máxima antes de operar.

  • Custo menor do que comprar uma opção seca, graças à ponta vendida.

  • Permite operar direção (alta ou baixa) com previsibilidade de cenários.

Riscos e limites

  • O ganho também é limitado: a ponta vendida trava o lucro máximo.

  • O tempo corre contra as travas de débito: a perda de valor extrínseco das opções pode prejudicar a operação.

  • Travas de crédito exigem margem de garantia e exigem atenção à gestão.

Quando usar cada estratégia

  • Trava de alta: quando você espera uma valorização moderada do ativo até o vencimento e quer limitar o custo e o risco da aposta.

  • Trava de baixa: quando você espera uma queda do ativo — por exemplo, após uma alta brusca — e quer se posicionar com risco controlado.

Em ambos os casos, defina o cenário, o vencimento e os strikes com antecedência, e considere desmontar a operação antes do vencimento se o objetivo for atingido.

Tributação das operações com opções

Os ganhos com opções são tributados em 15% em operações normais (swing trade) e 20% em day trade, sempre sobre o ganho líquido. Diferentemente das ações à vista, a isenção mensal de R$ 20 mil não se aplica às opções. O recolhimento é feito pelo próprio investidor, via DARF, até o último dia útil do mês seguinte.

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Perguntas frequentes sobre travas de alta e de baixa

O que é uma trava de alta?

É uma estratégia com opções em que você aposta na valorização do ativo com risco limitado. Na versão clássica, compra uma call de strike menor e vende uma call de strike maior; a perda máxima é o valor pago na montagem.

O que é uma trava de baixa?

É a estratégia espelhada, para apostar na queda do ativo. Na versão clássica, compra uma put de strike maior e vende uma put de strike menor. A perda máxima também é o valor investido na montagem.

Qual o lucro máximo de uma trava?

Nas travas de débito, o ganho máximo é a diferença entre os strikes menos o custo de montagem. Nas travas de crédito, é o valor recebido ao montar a operação.

Trava de alta é melhor que comprar uma call?

Depende do objetivo. A trava custa menos e limita o risco, mas também limita o ganho. Comprar uma call seca tem ganho potencial maior, porém custo e risco (do prêmio) mais altos.

Posso perder mais do que investi em uma trava

Nas travas de débito, não: a perda máxima é o valor pago na montagem. Nas travas de crédito, a perda é limitada à diferença dos strikes menos o crédito recebido, e a operação exige margem.

 

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