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Carry trade: o que é, como funciona e principais riscos

Written by Alan Martins, analista CNPI-T na Nova Futura Investimentos | 29 de jul. de 2026 21:31:35

Carry trade é uma estratégia de investimento que busca lucrar com o diferencial de juros entre duas moedas, captando recursos em países com taxas baixas para investir em mercados com juros mais elevados.

O Brasil frequentemente figura como destino desse tipo de operação devido ao patamar historicamente elevado da taxa Selic. Antes de utilizar essa estratégia, é fundamental compreender os riscos cambiais e as mudanças de política monetária que podem afetar seus resultados.

O que é carry trade?

O carry trade é uma estratégia do mercado financeiro em que o investidor toma empréstimos em uma moeda de um país com juros baixos, conhecida como moeda de financiamento, e aplica esses recursos em ativos denominados em uma moeda de um país com juros mais elevados, chamada de moeda de investimento.

O objetivo é capturar o diferencial entre as taxas de juros dos dois países. Para que a estratégia seja bem-sucedida, além desse diferencial permanecer favorável, a variação cambial não pode anular o ganho obtido com os juros.

Como funciona o carry trade na prática?

Na prática, o investidor busca aproveitar a diferença entre as taxas de juros de duas economias. Imagine que seja possível captar recursos em um país cuja taxa de juros seja de 1% ao ano e investir esse capital no Brasil, onde a Selic esteja acima de 10% ao ano. Em tese, o retorno bruto corresponde ao diferencial entre essas taxas, descontados os custos da operação e os efeitos da variação cambial.

Por apresentar historicamente uma das maiores taxas de juros entre as principais economias, o real brasileiro frequentemente é utilizado como moeda de investimento em operações de carry trade, atraindo fluxo de capital estrangeiro em períodos de estabilidade econômica.

Qual é o exemplo histórico mais conhecido de carry trade?

O caso mais conhecido é o yen carry trade, estratégia amplamente utilizada entre as décadas de 1990 e 2020. Durante esse período, investidores captavam recursos em iene japonês, moeda associada a juros historicamente próximos de zero, para investir em ativos de países com taxas significativamente mais elevadas.

Quando ocorrem mudanças bruscas no cenário econômico ou na política monetária, muitos investidores encerram simultaneamente essas posições, fenômeno conhecido como unwind do carry trade. Esse movimento pode provocar forte volatilidade nos mercados globais, especialmente nas moedas envolvidas na operação.

Quais são as vantagens do carry trade?

O carry trade pode oferecer benefícios em determinados cenários macroeconômicos.

  • Permite obter ganhos mesmo com pouca variação cambial, desde que o diferencial de juros permaneça favorável.

  • Possibilita diversificar investimentos entre diferentes países e moedas.

  • Serve como indicador relevante do fluxo internacional de capitais para economias com juros elevados.

  • Pode aproveitar ciclos de política monetária que favoreçam moedas de países emergentes.

Quais são os principais riscos do carry trade?

Apesar do potencial de retorno, o carry trade envolve riscos importantes que precisam ser considerados antes de qualquer operação.

  • Risco cambial: é o principal risco da estratégia. Se a moeda do país onde o investimento foi realizado se desvalorizar mais do que o ganho obtido com os juros, a operação pode gerar prejuízo.

  • Risco de alteração das taxas de juros: mudanças na política monetária podem reduzir ou eliminar o diferencial que justificava a estratégia.

  • Risco de desmonte em massa (unwind): em momentos de crise, investidores podem encerrar simultaneamente suas posições, aumentando a volatilidade das moedas e dos mercados financeiros.

Atenção: o risco cambial pode superar o retorno proporcionado pelo diferencial de juros, transformando uma operação aparentemente rentável em uma posição negativa.

Como reduzir os riscos ao operar carry trade?

Embora não seja possível eliminar os riscos dessa estratégia, algumas práticas ajudam a reduzir a exposição.

  • Acompanhe constantemente as decisões dos bancos centrais e o diferencial de juros entre os países envolvidos.

  • Evite utilizar alavancagem excessiva em operações expostas ao câmbio.

  • Diversifique a exposição entre diferentes pares de moedas sempre que possível.

  • Considere mecanismos de proteção cambial quando compatíveis com sua estratégia.

Qual a relação entre carry trade e câmbio?

O carry trade exerce influência direta sobre o mercado de câmbio. Quando investidores internacionais direcionam recursos para países com juros elevados, ocorre maior entrada de capital estrangeiro, o que tende a fortalecer a moeda local e aumentar sua demanda.

Da mesma forma, quando essas posições são encerradas em larga escala, processo conhecido como unwind, pode ocorrer saída expressiva de capital, pressionando a desvalorização da moeda de investimento e elevando a volatilidade cambial.

Como acompanhar o carry trade no mercado brasileiro?

O comportamento do carry trade pode ser acompanhado por diferentes indicadores econômicos, como decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), comunicados dos principais bancos centrais e a evolução das taxas de juros internacionais.

Além disso, investidores que acompanham o mercado futuro podem observar a dinâmica do mini dólar (WDO), contrato negociado na B3 que reflete as expectativas do mercado em relação ao câmbio e às diferenças entre os cenários econômicos do Brasil e do exterior.

Como operar o mini dólar pela Nova Futura?

A Nova Futura oferece estrutura completa para investidores interessados em acompanhar o mercado cambial por meio do mini dólar (WDO). Os clientes contam com acesso às plataformas Profit e Tryd, que disponibilizam ferramentas avançadas de análise gráfica, envio de ordens e acompanhamento do mercado em tempo real.

Além da infraestrutura DMA-2, que proporciona maior estabilidade e baixa latência na execução das operações, a corretora oferece uma Sala ao Vivo conduzida por analistas certificados, com análises diárias sobre juros, câmbio, política monetária e os principais fatores que influenciam o comportamento do dólar.

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Perguntas frequentes sobre carry trade

Quem pode fazer carry trade?

Qualquer investidor pode acessar estratégias relacionadas ao carry trade, desde que utilize instrumentos compatíveis com seu perfil e compreenda os riscos envolvidos.

O que é o "unwind" do carry trade?

É o encerramento simultâneo de diversas posições de carry trade, normalmente provocado por mudanças econômicas ou aumento da aversão ao risco.

Qual é a diferença entre carry trade e arbitragem?

O carry trade busca capturar o diferencial de juros entre moedas. A arbitragem explora diferenças temporárias de preço entre mercados para obter ganhos.

Quais moedas são mais utilizadas em operações de carry trade?

Historicamente, moedas de países com juros baixos, como o iene japonês e o franco suíço, são usadas para financiamento, enquanto moedas de economias com juros mais elevados, como o real brasileiro, frequentemente são utilizadas como moeda de investimento.