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Call diário 13/10/2026 | Pesquisa| Flávio x Lula| Nova Futura

Written by Alan Martins, analista CNPI-T na Nova Futura Investimentos | 13 de out. de 2026 11:32:17

MORNING CALL – NOVA FUTURA

13 de outubro | Terça-feira

FLÁVIO MANTÉM VANTAGEM, FOCUS TESTA O RALI DOS JUROS E PETRÓLEO VOLTA A MEXER COM A TELA

A terça-feira começa com o mercado brasileiro voltando do feriado ainda sustentado pelo trade eleitoral. A BTG Pactual/Nexus mostra Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula, reforçando a sequência de pesquisas que manteve Bolsa, real e juros em forte reprecificação na semana passada.

Ao mesmo tempo, o mercado começa a cobrar confirmação econômica. O Focus é o primeiro depois do megarrali, a curva já embute Selic abaixo de 12% no fim de 2027 e o DI Jan/29 acumula queda de quase 150 pontos-base desde a véspera do primeiro turno. Lá fora, Treasury cede, petróleo recua e o setor de chips volta a pressionar o Nasdaq.

BTG/NEXUS: FLÁVIO 52% X LULA 48%

Mais uma pesquisa coloca Flávio numericamente à frente no segundo turno. No cenário estimulado com todos os votos, o levantamento mostra 48% para Flávio e 45% para Lula.

A pesquisa ouviu 2.002 eleitores entre 10 e 12 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais.

Comentário: O dado mais importante já não é uma pesquisa isolada. É a persistência da mesma direção em diferentes levantamentos. O mercado já comprou bastante dessa história; agora precisa saber quanto ainda existe de surpresa.

FOCUS É O PRIMEIRO TESTE DEPOIS DO MEGARRALI

O BC divulga a primeira pesquisa Focus desde a forte reprecificação dos ativos.

A atenção fica especialmente sobre Selic e inflação depois de a curva ter fechado violentamente na última semana.

Comentário: A curva foi mais rápida que o consenso. Agora o Focus começa a mostrar se os economistas estão dispostos a acompanhar o movimento que o mercado já colocou no preço.

DI JAN/29 JÁ QUEIMOU QUASE 150 PONTOS

O contrato para janeiro de 2029 saiu de 13,69% na véspera do primeiro turno para perto de 12,22%.

A curva já embute Selic abaixo de 12% no fim de 2027.

Comentário: Esse talvez seja o ponto mais sensível da tela hoje. A eleição retirou prêmio muito rápido. Daqui para frente, fiscal, inflação e atividade precisam justificar a nova curva.

6X1 VAI PARA VOTAÇÃO AMANHÃ

Davi Alcolumbre pautou para 14 de outubro a votação em primeiro turno da PEC que reduz a jornada semanal.

O governo tenta acelerar a tramitação antes do segundo turno, enquanto a oposição ainda define sua estratégia.

Comentário: O tema deixa de ser apenas eleitoral e começa a virar evento de mercado. Quando entra no plenário, aumenta a probabilidade de virar impacto econômico real.

FISCAL: MERCADO COMEÇA A DIMINUIR A EXPECTATIVA DO “TESOURAÇO”

Marcelo Kayath, citado como possível nome para a Fazenda em eventual governo Flávio, afirmou que um corte de R$ 200 bilhões em um único ano seria inviável.

Segundo ele, um eventual ajuste precisaria ser gradual e começar por gestão, supersalários, penduricalhos e emendas.

Comentário: Isso importa porque o mercado passou a semana negociando um ajuste muito agressivo. Se o plano real for mais gradual, a discussão deixa de ser tamanho do corte e passa a ser credibilidade da trajetória.

PETRÓLEO AINDA ACIMA DE US$ 100, MAS DEVOLVE PARTE DO CHOQUE

O Brent chegou a superar US$ 106 no feriado, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio, mas recua nesta manhã para a região de US$ 104,50.

Petrobras teve ADR em alta no feriado, enquanto a B3 estava fechada.

Comentário: Hoje Petrobras entra com ajuste técnico importante. Mas para o macro, a leitura é outra: petróleo acima de US$ 100 ainda dificulta o trabalho dos bancos centrais, mesmo quando cai 2% no dia.

TREASURY REABRE CEDENDO

Os yields americanos recuam na volta do mercado à vista depois do feriado de Columbus Day.

O FMI voltou a alertar que os rendimentos elevados são um dos principais riscos para o sistema financeiro global.

Comentário: É um alívio importante para Brasil. Depois do fechamento brutal do DI doméstico, Treasury cedendo reduz a pressão para uma correção imediata da curva.

IA VOLTA A SER FONTE DE VOLATILIDADE

Futuros do Nasdaq caem com nova venda de fabricantes de chips.

O mercado volta a questionar se valuation e financiamento do setor correram rápido demais antes da temporada de resultados.

Comentário: A discussão deixou de ser se IA cresce. Agora é quanto capital será necessário para sustentar esse crescimento e a que custo.

SEMANA DE ATIVIDADE COMEÇA A GANHAR PESO

Nos próximos dias saem serviços, varejo e IBC-Br.

O consenso ainda aponta desaceleração gradual, apesar de alguma melhora pontual nos dados de agosto.

Comentário: Se a política entregou o fechamento dos juros, a atividade precisa mostrar que o BC pode aproveitar. Dados muito fortes podem limitar a velocidade da queda da Selic.

BANCOS AMERICANOS ABREM A TEMPORADA DE BALANÇOS

JPMorgan, Wells Fargo e Citigroup divulgam resultados antes da abertura.

A temporada começa justamente quando juros altos, crédito e financiamento de IA voltam ao centro das discussões.

Comentário: Balanço de banco é leitura de economia real. Margem financeira, crédito e inadimplência ajudam a dizer se os juros altos já estão machucando a atividade americana.

IBOVESPA CHEGA DE UMA SEMANA HISTÓRICA

O índice fechou sexta-feira aos 209.066 pontos, alta de 1,38% no dia e 8,82% na semana melhor desempenho semanal desde março de 2020.

Em outubro, a alta já passa de 12%.

Comentário: O mercado não está barato do mesmo jeito que estava há uma semana. Agora começa a diferença entre comprar tese e perseguir preço.

DÓLAR VOLTA PARA BAIXO DE R$ 5

A moeda terminou sexta-feira em R$ 4,9851, acumulando queda de 4,44% na semana.

Alguns analistas já começam a enxergar espaço limitado para continuidade do movimento por causa do diferencial de juros com os EUA.

Comentário: Abaixo de R$ 5, o câmbio entra numa região mais delicada. Quanto mais o DI brasileiro fecha, menor fica o carry que ajudou o real.

HAPVIDA: FITCH CORTA RATING

A Fitch rebaixou o rating nacional de longo prazo da Hapvida de AA+(bra) para A(bra), com perspectiva negativa, citando deterioração operacional, consumo de caixa e perda de beneficiários.

Comentário: Para o papel, é mais um sinal de que o mercado precisa acompanhar caixa e execução operacional não apenas valuation deprimido.

RADAR DIRETO PARA O TRADER

  • BTG/Nexus: Flávio 52% x Lula 48%
  • 8h25: Focus
  • 11h30: rolagem de swaps do BC
  • 15h: balança comercial semanal
  • Amanhã: votação da PEC 6x1
  • Amanhã: Quaest
  • Quarta: CPI dos EUA
  • Brent: ~US$ 104,50
  • DI Jan/29: ~12,22%
  • Ibovespa: 209.067 pontos
  • Dólar: R$ 4,9851
  • EUA: JPMorgan, Citi e Wells Fargo abrem a temporada de balanços

LEITURA DA MESA

“O mercado volta do feriado com uma coisa clara: o trade eleitoral continua de pé, mas a conta ficou mais cara. Bolsa acima de 209 mil, dólar abaixo de R$ 5 e DI quase 150 pontos mais baixo já carregam muita expectativa. Agora entram Focus, atividade, fiscal e 6x1 para dizer quanto desse movimento consegue virar fundamento. A política abriu espaço; a economia começa a decidir quanto dele fica.”