MORNING CALL – NOVA FUTURA
13 de outubro | Terça-feira
FLÁVIO MANTÉM VANTAGEM, FOCUS TESTA O RALI DOS JUROS E PETRÓLEO VOLTA A MEXER COM A TELA
A terça-feira começa com o mercado brasileiro voltando do feriado ainda sustentado pelo trade eleitoral. A BTG Pactual/Nexus mostra Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula, reforçando a sequência de pesquisas que manteve Bolsa, real e juros em forte reprecificação na semana passada.
Ao mesmo tempo, o mercado começa a cobrar confirmação econômica. O Focus é o primeiro depois do megarrali, a curva já embute Selic abaixo de 12% no fim de 2027 e o DI Jan/29 acumula queda de quase 150 pontos-base desde a véspera do primeiro turno. Lá fora, Treasury cede, petróleo recua e o setor de chips volta a pressionar o Nasdaq.
BTG/NEXUS: FLÁVIO 52% X LULA 48%
Mais uma pesquisa coloca Flávio numericamente à frente no segundo turno. No cenário estimulado com todos os votos, o levantamento mostra 48% para Flávio e 45% para Lula.
A pesquisa ouviu 2.002 eleitores entre 10 e 12 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Comentário: O dado mais importante já não é uma pesquisa isolada. É a persistência da mesma direção em diferentes levantamentos. O mercado já comprou bastante dessa história; agora precisa saber quanto ainda existe de surpresa.
FOCUS É O PRIMEIRO TESTE DEPOIS DO MEGARRALI
O BC divulga a primeira pesquisa Focus desde a forte reprecificação dos ativos.
A atenção fica especialmente sobre Selic e inflação depois de a curva ter fechado violentamente na última semana.
Comentário: A curva foi mais rápida que o consenso. Agora o Focus começa a mostrar se os economistas estão dispostos a acompanhar o movimento que o mercado já colocou no preço.
DI JAN/29 JÁ QUEIMOU QUASE 150 PONTOS
O contrato para janeiro de 2029 saiu de 13,69% na véspera do primeiro turno para perto de 12,22%.
A curva já embute Selic abaixo de 12% no fim de 2027.
Comentário: Esse talvez seja o ponto mais sensível da tela hoje. A eleição retirou prêmio muito rápido. Daqui para frente, fiscal, inflação e atividade precisam justificar a nova curva.
6X1 VAI PARA VOTAÇÃO AMANHÃ
Davi Alcolumbre pautou para 14 de outubro a votação em primeiro turno da PEC que reduz a jornada semanal.
O governo tenta acelerar a tramitação antes do segundo turno, enquanto a oposição ainda define sua estratégia.
Comentário: O tema deixa de ser apenas eleitoral e começa a virar evento de mercado. Quando entra no plenário, aumenta a probabilidade de virar impacto econômico real.
FISCAL: MERCADO COMEÇA A DIMINUIR A EXPECTATIVA DO “TESOURAÇO”
Marcelo Kayath, citado como possível nome para a Fazenda em eventual governo Flávio, afirmou que um corte de R$ 200 bilhões em um único ano seria inviável.
Segundo ele, um eventual ajuste precisaria ser gradual e começar por gestão, supersalários, penduricalhos e emendas.
Comentário: Isso importa porque o mercado passou a semana negociando um ajuste muito agressivo. Se o plano real for mais gradual, a discussão deixa de ser tamanho do corte e passa a ser credibilidade da trajetória.
PETRÓLEO AINDA ACIMA DE US$ 100, MAS DEVOLVE PARTE DO CHOQUE
O Brent chegou a superar US$ 106 no feriado, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio, mas recua nesta manhã para a região de US$ 104,50.
Petrobras teve ADR em alta no feriado, enquanto a B3 estava fechada.
Comentário: Hoje Petrobras entra com ajuste técnico importante. Mas para o macro, a leitura é outra: petróleo acima de US$ 100 ainda dificulta o trabalho dos bancos centrais, mesmo quando cai 2% no dia.
TREASURY REABRE CEDENDO
Os yields americanos recuam na volta do mercado à vista depois do feriado de Columbus Day.
O FMI voltou a alertar que os rendimentos elevados são um dos principais riscos para o sistema financeiro global.
Comentário: É um alívio importante para Brasil. Depois do fechamento brutal do DI doméstico, Treasury cedendo reduz a pressão para uma correção imediata da curva.
IA VOLTA A SER FONTE DE VOLATILIDADE
Futuros do Nasdaq caem com nova venda de fabricantes de chips.
O mercado volta a questionar se valuation e financiamento do setor correram rápido demais antes da temporada de resultados.
Comentário: A discussão deixou de ser se IA cresce. Agora é quanto capital será necessário para sustentar esse crescimento e a que custo.
SEMANA DE ATIVIDADE COMEÇA A GANHAR PESO
Nos próximos dias saem serviços, varejo e IBC-Br.
O consenso ainda aponta desaceleração gradual, apesar de alguma melhora pontual nos dados de agosto.
Comentário: Se a política entregou o fechamento dos juros, a atividade precisa mostrar que o BC pode aproveitar. Dados muito fortes podem limitar a velocidade da queda da Selic.
BANCOS AMERICANOS ABREM A TEMPORADA DE BALANÇOS
JPMorgan, Wells Fargo e Citigroup divulgam resultados antes da abertura.
A temporada começa justamente quando juros altos, crédito e financiamento de IA voltam ao centro das discussões.
Comentário: Balanço de banco é leitura de economia real. Margem financeira, crédito e inadimplência ajudam a dizer se os juros altos já estão machucando a atividade americana.
IBOVESPA CHEGA DE UMA SEMANA HISTÓRICA
O índice fechou sexta-feira aos 209.066 pontos, alta de 1,38% no dia e 8,82% na semana melhor desempenho semanal desde março de 2020.
Em outubro, a alta já passa de 12%.
Comentário: O mercado não está barato do mesmo jeito que estava há uma semana. Agora começa a diferença entre comprar tese e perseguir preço.
DÓLAR VOLTA PARA BAIXO DE R$ 5
A moeda terminou sexta-feira em R$ 4,9851, acumulando queda de 4,44% na semana.
Alguns analistas já começam a enxergar espaço limitado para continuidade do movimento por causa do diferencial de juros com os EUA.
Comentário: Abaixo de R$ 5, o câmbio entra numa região mais delicada. Quanto mais o DI brasileiro fecha, menor fica o carry que ajudou o real.
HAPVIDA: FITCH CORTA RATING
A Fitch rebaixou o rating nacional de longo prazo da Hapvida de AA+(bra) para A(bra), com perspectiva negativa, citando deterioração operacional, consumo de caixa e perda de beneficiários.
Comentário: Para o papel, é mais um sinal de que o mercado precisa acompanhar caixa e execução operacional não apenas valuation deprimido.
RADAR DIRETO PARA O TRADER
LEITURA DA MESA
“O mercado volta do feriado com uma coisa clara: o trade eleitoral continua de pé, mas a conta ficou mais cara. Bolsa acima de 209 mil, dólar abaixo de R$ 5 e DI quase 150 pontos mais baixo já carregam muita expectativa. Agora entram Focus, atividade, fiscal e 6x1 para dizer quanto desse movimento consegue virar fundamento. A política abriu espaço; a economia começa a decidir quanto dele fica.”