MORNING CALL – NOVA FUTURA
23 de outubro | Sexta-feira
DATAFOLHA EMPATA, IPCA-15 TESTA A CURVA E O ÚLTIMO PREGÃO CHEGA EM MODO DEFESA
O último pregão antes do segundo turno começa sem vantagem numérica nos votos válidos: Datafolha mostra Flávio e Lula com 50% cada. Às 21h20, o debate da Globo é o último grande evento político antes da votação.
Na economia, o IPCA-15 sai às 9h e deve desacelerar na margem, mas com inflação anual novamente acima do teto. Lá fora, Treasury devolve parte da queda de ontem, Nasdaq tenta estabilizar e o Brent avança para a região de US$ 114.
DATAFOLHA 50 X 50 MUDA O JOGO DO ÚLTIMO PREGÃO
Flávio e Lula aparecem empatados nos votos válidos. Uma semana atrás, o placar era 51% a 49% para Flávio.
Nos votos totais, Flávio tem 47% e Lula 46%, também dentro da margem de erro.
O mercado chega ao fim da campanha sem conforto estatístico. Hoje, carregar posição eleitoral significa aceitar risco binário praticamente sem colchão.
21H20: DEBATE DA GLOBO É O ÚLTIMO GRANDE GATILHO
Lula e Flávio fazem hoje o confronto final antes da eleição.
As duas campanhas sinalizam mudança de postura depois da repercussão negativa do debate anterior, com expectativa de maior foco em propostas e menor confronto pessoal.
Para a Bolsa de hoje, o debate acontece depois do fechamento. Para a abertura de segunda, pode valer mais que muito dado econômico.
9H: IPCA-15 TESTA O DI
A expectativa é de alta de 0,44% em outubro, abaixo dos 0,70% anteriores.
Em 12 meses, porém, a inflação deve acelerar de 4,47% para 4,74%.
A manchete pode parecer melhor, mas a composição importa: núcleos e serviços subjacentes continuam pressionados. Se vier ruim por dentro, a curva pode ignorar a desaceleração do índice cheio.
DI VOLTA A COLOCAR PRÊMIO
Jan/29 fechou em 12,71%, Jan/31 em 12,72% e Jan/33 em 12,805%.
A curva voltou a abrir com eleição mais apertada, petróleo forte e maior aversão global ao risco.
No último pregão, a discussão não é carregar alguns pontos de taxa. É sobreviver ao gap de segunda-feira.
DÓLAR TERMINA EM R$ 5,04
A moeda fechou em R$ 5,0394, segunda alta consecutiva.
Com empate eleitoral e fim de semana decisivo pela frente, o câmbio voltou a absorver proteção.
R$ 5 continua sendo referência, mas hoje o preço pode refletir muito mais hedge do que fundamento.
IBOVESPA VOLTA PARA 204 MIL
O índice caiu 1,15%, aos 204.120 pontos, pressionado por cautela eleitoral, Vale e deterioração do ambiente externo.
Depois de flertar com 209 mil nesta semana, o Ibovespa devolveu boa parte do último impulso.
A Bolsa chega à urna menos esticada mas também muito mais protegida.
BRENT SOBE PARA US$ 114
O petróleo avança novamente com ataques no Oriente Médio e risco sobre infraestrutura energética.
O Brent já caminha para a terceira semana consecutiva de alta.
Para Petrobras, o petróleo continua oferecendo suporte operacional. Para inflação, juros e economia global, o barril nesse nível é um problema crescente.
TREASURY REAGE DEPOIS DA FUGA PARA SEGURANÇA
Ontem, o yield de 10 anos caiu para 4,97%, no maior recuo diário em mais de um ano, com investidores saindo de tecnologia e procurando proteção.
Hoje, parte desse movimento é devolvida.
O Treasury voltou a funcionar como seguro. Isso diz mais sobre medo de risco do que sobre melhora da inflação.
IA AINDA DEIXA WALL STREET DESCONFORTÁVEL
Nasdaq caiu 2,6% ontem, com Meta no centro das preocupações sobre gastos elevados em inteligência artificial.
O mercado continua acreditando no crescimento da tecnologia, mas começou a cobrar retorno sobre o capital investido.
Capex virou palavra tão importante quanto receita.
BRADESCO ENTREGA LUCRO, MAS CRÉDITO PREOCUPA
O banco reportou lucro recorrente de R$ 7,1 bilhões, alta de 14,6% em um ano e em linha com as expectativas.
A inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,6% e as provisões cresceram 24,3%.
O lucro veio. Agora o mercado quer saber quanto custa sustentar esse crescimento com crédito deteriorando.
PETROBRAS DISCUTE PLANO COM BRENT A US$ 114
O Conselho analisa hoje o Plano Estratégico 2027–2031.
A companhia também enfrenta a discussão sobre preços de combustíveis: o diesel está há meses sem reajuste enquanto o petróleo internacional dispara.
Esse descolamento pode virar um dos primeiros temas corporativos relevantes depois da eleição.
SÁBADO AINDA TEM UMA ENXURRADA DE PESQUISAS
AtlasIntel, Nexus, Datafolha, Quaest, CNT/MDA e outros levantamentos estão previstos para a véspera da eleição.
Ou seja: o fechamento de hoje não encerra a formação de expectativa.
O mercado fecha a tela, mas a informação continua rodando até domingo.
RADAR DIRETO PARA O TRADER
9h: IPCA-15
IPCA-15 esperado: +0,44%
IPCA-15 12 meses: +4,74%
10h30: teleconferência do Bradesco
10h45: PMI dos EUA
11h: Universidade de Michigan
11h30: rolagem de swaps
21h20: debate da Globo
Datafolha: 50 x 50
Ibovespa: 204,1 mil
Dólar: R$ 5,0394
DI Jan/29: 12,71%
Brent: ~US$ 114
Minério: ~US$ 90,60
LEITURA DA MESA
“O último pregão antes da urna chega sem vantagem clara, com o mercado já pagando caro por proteção. IPCA-15 pode mexer na curva pela manhã, mas o verdadeiro risco está fora do horário da B3: debate hoje, pesquisas amanhã e voto domingo. O preço de fechamento desta sexta não é uma previsão de segunda-feira. É apenas o último preço antes de um fim de semana capaz de redesenhar toda a tela.”