MORNING CALL NOVA FUTURA
3 de novembro | Terça-feira
MIDTERMS SEGURAM O MUNDO, FOCUS TESTA O BRASIL E COPOM CHEGA SOB PRESSÃO
A terça começa com dois centros de gravidade: eleições legislativas nos Estados Unidos e Copom amanhã no Brasil. Lá fora, futuros e Treasuries andam de lado antes das urnas. Aqui, o primeiro Focus pós-eleição pode mostrar o tamanho da deterioração em inflação, câmbio e Selic.
A curva brasileira já virou: o mercado trabalha majoritariamente com manutenção da Selic em 13,75%, enquanto DI longo continua acima de 15%.
MIDTERMS COLOCAM WALL STREET NA DEFENSIVA
Todas as 435 cadeiras da Câmara e 35 vagas do Senado estão em disputa.
Segundo o material enviado, pesquisas apontam vantagem democrata na Câmara e disputa mais aberta no Senado.
Para o trader, importa menos a narrativa eleitoral e mais o efeito sobre fiscal americano, regulação, dólar e Treasury.
FOCUS É O PRIMEIRO TESTE DO DIA
Sai às 8h25, já incorporando boa parte da turbulência pós-eleitoral.
O mercado quer ver quanto subiram projeções de inflação, dólar e Selic.
Se a piora vier forte, aumenta a pressão para o Copom interromper definitivamente o ciclo de cortes.
COPOM: PAUSA VIROU A APOSTA PRINCIPAL
A curva precifica cerca de 80% de chance de manutenção amanhã e 20% de corte de 0,25 ponto, segundo o relatório de apoio.
Há duas semanas, o debate era quanto cortar.
Agora, o mercado quer saber quão duro será o comunicado.
DI LONGO SEGUE PESADO
Jan/29 fechou perto de 14,94%, Jan/31 em 15,21% e Jan/33 em 15,27%.
Esses níveis mostram que o problema não está mais apenas na próxima reunião.
A curva está cobrando 2027.
DÓLAR CARREGA ALTA DE 9% NA SEMANA
A moeda terminou sexta-feira em R$ 5,4443, maior avanço semanal desde 2008.
Fiscal, equipe econômica e juros americanos continuam sustentando prêmio.
Enquanto esses três vetores não melhorarem juntos, o real terá dificuldade para normalizar.
IBOVESPA VOLTA DO FERIADO DEPOIS DE PERDER 18%
O índice encerrou sexta aos 167.922 pontos e acumulou cinco pregões consecutivos de queda.
Desde o recorde pós-primeiro turno, foram cerca de 41 mil pontos devolvidos.
Preço caiu muito. Convicção ainda não voltou.
DURIGAN TENTA FECHAR UMA FRENTE DE ESTRESSE
O ministro da Fazenda afirmou que não existe proposta de tabelamento de juros na mesa de Lula e negou reunião agendada com André Lara Resende.
A discussão ganhou peso porque propostas de redução programada da Selic voltaram ao debate político.
Para o mercado, qualquer interferência percebida na política monetária entra rapidamente na curva.
TESOURO VOLTA AO MERCADO
Depois de cancelar leilões e recomprar títulos na semana passada, o Tesouro retoma hoje oferta regular de NTN-B e LFT.
É um teste importante.
Mais do que a taxa, vale observar demanda e capacidade de absorção dos títulos depois do choque recente.
PETRÓLEO TENTA RECUPERAR DEPOIS DO TOMBO
Brent volta para perto de US$ 106 depois de cair mais de 7% no feriado.
Negociações com o Irã trouxeram alívio, mas a guerra continua longe de uma solução definitiva.
Para Petrobras, menos petróleo reduz suporte operacional justamente quando a ação ainda carrega forte risco doméstico.
PETROBRAS DEVE AJUSTAR O FERIADO
Os ADRs caíram 3,55% ontem em Nova York acompanhando o petróleo.
A abertura da estatal pode carregar esse ajuste.
Além disso, a companhia elevou em 7,2% o querosene de aviação desde novembro.
IA CONTINUA PESANDO EM WALL STREET
Nasdaq 100 já entrou em correção técnica.
Apple caiu mesmo com bons resultados, Palantir também recuou e o mercado segue incomodado com a dimensão dos investimentos em infraestrutura de IA.
O debate deixou de ser crescimento da tecnologia.
Agora é retorno sobre trilhões de dólares de capital.
ITAÚ É O BALANÇO DO DIA
Resultado sai após o fechamento.
O consenso do relatório aponta lucro perto de R$ 12,5 bilhões.
Margem financeira, serviços e qualidade do crédito serão mais importantes que o lucro isoladamente.
PETROBRAS, BANCOS E VALE VOLTAM COM AJUSTES DIFERENTES
Petrobras sente o petróleo mais fraco.
Bancos tiveram recuperação nos ADRs durante o feriado.
Vale ficou praticamente estável em Nova York.
A abertura brasileira pode começar mais setorial do que direcional.
RADAR DIRETO PARA O TRADER
8h25: Focus
10h: PMI industrial Brasil
12h: dados industriais dos EUA
Hoje: leilões de NTN-B e LFT
Hoje: primeira sessão do Copom
Pós-mercado: Itaú, BB Seguridade, RD Saúde, ISA Energia e Marcopolo
22h45: PMI de serviços da China
Dólar: R$ 5,4443
Ibovespa: 167,9 mil
DI Jan/29: ~14,94%
DI Jan/31: ~15,21%
DI Jan/33: ~15,27%
Brent: ~US$ 106
Minério: ~US$ 90,70
LEITURA DA MESA
“Hoje o Brasil volta do feriado com muita coisa ainda mal resolvida. O exterior segura risco por causa das eleições americanas; aqui, Focus e Copom colocam juros novamente no centro da tela. Depois de uma semana de choque, o mercado quer saber se a piora ficou no preço ou se as expectativas ainda têm espaço para deteriorar.”