MORNING CALL – NOVA FUTURA
2 de outubro | Sexta-feira
Último pregão antes da urna: payroll testa o Fed, Datafolha mantém disputa aberta e Brent perde US$ 100
A sexta começa com Treasuries cedendo, petróleo abaixo de US$ 100 e futuros de Nova York positivos, mas o Brasil chega ao último pregão antes do primeiro turno com natural redução de apetite para carregar posições grandes até segunda-feira.
O payroll às 9h30 é o grande evento externo. Aqui, o Datafolha divulgado ontem mostra Lula com 45% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro com 40% no primeiro turno; numa eventual segunda rodada, 48% a 45%, dentro da margem de erro. O debate da Globo acabou cancelado.
9H30: PAYROLL PODE REABRIR A DISCUSSÃO DE OUTUBRO
Mercado espera desaceleração forte na criação de vagas americanas.
As pesquisas citadas nos materiais apontam algo entre 85 mil e 90 mil vagas, contra 162 mil anteriormente. O desemprego é esperado em 4,1% e salários em torno de 0,3% no mês.
Depois do PCE melhor e das falas menos agressivas de Williams e Jefferson, a probabilidade de nova alta já em outubro caiu bastante.
Comentário: Hoje o emprego precisa responder uma pergunta simples: o Fed ganhou apenas tempo ou ganhou motivo para esperar? Payroll fraco favorece Treasury e risco. Surpresa forte pode devolver pressão à curva em minutos.
DATAFOLHA: 45 A 40 NOS VOTOS VÁLIDOS
Pesquisa mantém Lula numericamente à frente no primeiro turno e segundo turno dentro da margem.
Nos votos totais, o Datafolha mostra 42% para Lula e 38% para Flávio. Em eventual segundo turno, aparecem com 48% e 45%, respectivamente, caracterizando empate técnico pela margem informada pelo instituto.
Comentário: É a última sexta antes da urna. O número importa, mas hoje tamanho de posição importa tanto quanto leitura eleitoral. O primeiro preço de verdade depois da votação só aparece na abertura de segunda-feira.
DEBATE CANCELADO ÚLTIMO GRANDE EVENTO DE TV NÃO ACONTECEU
Globo cancelou o debate após decisões judiciais sobre o formato e a desistência de Flávio Bolsonaro.
Lula já havia informado que não participaria e concedeu entrevista ao Flow. A noite terminou sem o confronto televisivo que estava previsto para fechar a campanha.
Comentário: Para o mercado, significa uma coisa prática: sai da tela um possível gatilho adicional de última hora e aumenta o peso das pesquisas finais de sábado.
TREASURY CAI MAS CONTINUA EM NÍVEL DE ESTRESSE
10 anos terminou ontem em 5,237% e o 30 anos em 5,608%.
Williams e Jefferson reduziram a urgência de novo aperto monetário, fazendo a curva devolver parte das máximas.
Mas petróleo, dívida americana e expansão de emissões ligadas à infraestrutura de IA continuam sustentando prêmio elevado.
Comentário: O payroll decide se esse fechamento de juros ganha continuidade. A curva saiu da máxima. Ainda está muito longe de sair da zona de desconforto.
BRENT ABAIXO DE US$ 100 ALÍVIO PARA A INFLAÇÃO
Petróleo recua nesta manhã com discussão sobre liberação de reservas estratégicas.
O Brent opera perto de US$ 99,80, depois de ter fechado ontem em US$ 102,31 com aumento das tensões no Oriente Médio.
Países europeus discutem medidas coordenadas para aliviar a pressão sobre combustíveis.
Comentário: Para o mercado de juros, perder US$ 100 faz diferença. Mas com Ormuz ainda sob tensão, ninguém deveria tratar essa queda como problema resolvido.
DÓLAR VOLTOU PARA R$ 5,22
Moeda fechou ontem a R$ 5,2204, alta de 0,88%.
O movimento acompanhou a piora global do dólar e o aumento da cautela antes da votação.
Comentário: Hoje provavelmente teremos um câmbio muito mais sensível à proteção. Último pregão antes de um evento binário costuma premiar liquidez não excesso de convicção.
DI LONGO VOLTA ACIMA DE 14%
Jan/31 fechou em 14,005% e Jan/33 em 14,080%.
Mesmo com Treasury cedendo, a ponta longa brasileira adicionou prêmio na véspera da eleição.
Comentário: Esse movimento é bastante informativo. O mercado aceita discutir Selic menor no curto prazo, mas ainda exige seguro para carregar Brasil mais adiante.
9H: PRODUÇÃO INDUSTRIAL DEVE MOSTRAR QUASE ESTAGNAÇÃO
Consenso aponta alta de apenas 0,1% em agosto.
Mesmo uma segunda variação mensal positiva não mudaria, segundo os economistas citados nos materiais, a leitura de perda de velocidade da indústria.
Comentário: Para o Copom, ajuda a confirmar desaceleração. Só que hoje atividade doméstica provavelmente perde espaço na tela para payroll e eleição.
ESTRANGEIRO VOLTOU MAS AINDA NÃO É ENXURRADA
Saldo estrangeiro na B3 acumulava R$ 8,8 bilhões positivos em setembro até o dia 29.
A entrada ainda não compensava a saída de aproximadamente R$ 18,1 bilhões registrada em agosto.
Comentário: Esse fluxo será uma das melhores confirmações depois da eleição. Preço pode reagir em minutos. Dinheiro estrangeiro entrando de forma consistente é o que transforma reação em tendência.
PETROBRAS CONTINUA FUNCIONANDO COMO HEDGE DE PETRÓLEO
A estatal ganhou mais de 1% ontem acompanhando a alta do barril.
Petrobras ON avançou 1,80% e PN 1,32%, ajudando o Ibovespa a fechar acima dos 187 mil pontos.
Comentário: Hoje a relação inverte parcialmente com Brent abaixo de US$ 100. Num pregão eleitoral, Petrobras continua misturando commodity, dólar e risco político no mesmo ativo.
RADAR DIRETO PARA O TRADER
9h: produção industrial.
9h30: payroll EUA.
Payroll: expectativa entre 85 mil e 90 mil vagas.
Desemprego EUA: 4,1% esperado.
Datafolha: 45% x 40% nos votos válidos.
2º turno: 48% x 45%, dentro da margem.
Brent: abaixo de US$ 100 nesta manhã.
Treasury 10Y: região de 5,24%.
Dólar: fechou em R$ 5,2204.
DI Jan/31: 14,005%.
DI Jan/33: 14,080%.
Sábado: nova bateria de pesquisas.
Domingo: primeiro turno.
Segunda: primeiro preço pós-urna.
LEITURA DA MESA
Hoje não é uma sexta-feira comum: é a ponte entre o payroll e a urna. Lá fora, o emprego americano decide se o Fed realmente pode ganhar tempo; aqui, o mercado precisa escolher quanto risco quer carregar até segunda. Petróleo abaixo de US$ 100 ajuda, Treasury recua e a Bolsa vem acima de 187 mil mas dólar e DI longo continuam comprando seguro. Antes de tentar adivinhar segunda-feira, vale lembrar: o último trade antes da urna também é uma decisão de risco.