Resumo do dia 16/06
Há uma semana o mercado discutia fechamento de Ormuz, petróleo a US$ 100 e inflação global.
Hoje discute o oposto.
O petróleo caiu para US$ 81, o prêmio de guerra evaporou e o mercado já voltou a apostar em corte da Selic.
Mas existe um problema:
a guerra saiu da mesa, a inflação não.
E é exatamente por isso que amanhã o Copom pode cortar juros e, ao mesmo tempo, entregar um discurso mais duro para o restante do ano.
PETRÓLEO CONTINUA EM QUEDA LIVRE
Explicação: O Brent opera próximo de US$ 81 e caminha para a maior sequência de quedas do ano, após o acordo entre EUA e Irã e a expectativa de reabertura de Ormuz.
Comentário: O mercado saiu do medo de escassez para a expectativa de normalização.
A discussão não é mais falta de petróleo.
É excesso de prêmio que havia sido colocado.
Impacto: Petrobras pressionada; Inflação global melhora; Juros futuros fecham.
COPOM: CORTE GANHA FORÇA, MAS O DISCURSO MUDA
Explicação: O mercado continua majoritariamente precificando corte de 0,25%, mas o próprio mercado já projeta fim do ciclo ou espaço muito limitado para novos cortes.
Comentário: O corte virou quase consenso.
O comunicado virou o evento.
Impacto: DI Jan/27; DI Jan/29; Bancos; Small Caps.
VAREJO TESTA A TESE DE DESACELERAÇÃO
Explicação: O mercado espera queda de 0,6% nas vendas do varejo em abril.
Comentário: O BC precisa de uma economia mais fria.
Qualquer surpresa positiva fortalece o discurso hawkish.
Impacto: Juros; Consumo; Varejo listado.
FED AGORA É O EVENTO GLOBAL
Explicação: A primeira reunião sob Kevin Warsh acontece amanhã.
O mercado quer entender se o Fed continuará preocupado com inflação ou começará a olhar o alívio vindo do petróleo.
Comentário: A decisão importa.
Mas o tom importa muito mais.
Impacto: Dólar global; Treasuries; Emergentes.
ACORDO EUA-IRÃ AINDA TEM MUITAS PONTAS SOLTAS
Explicação: Europa questiona cronograma, Israel continua desconfiado e os temas nucleares mais sensíveis ficaram para a segunda fase das negociações.
Comentário: O mercado já comprou o melhor cenário.
Agora precisa que ele aconteça.
Impacto: Petróleo continua sensível; Volatilidade geopolítica permanece; Qualquer ruído muda o jogo.
PESQUISAS ELEITORAIS VOLTAM AO RADAR
Explicação: Sai hoje CNT/MDA, enquanto a BTG/Nexus já mostrou ampliação da vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro.
Comentário: O mercado começa a antecipar 2026 cada vez mais cedo.
Impacto: Dólar; Curva longa; Estatais.
FISCAL CONTINUA SENDO O MAIOR PROBLEMA DOMÉSTICO
Explicação: Mesmo com o alívio externo, Focus voltou a piorar projeções de inflação e juros para os próximos anos.
Comentário: O petróleo caiu.
O problema fiscal continua em pé.
Impacto: Risco Brasil; DI longo; Fluxo estrangeiro.
O QUE IMPORTA PARA O TRADER HOJE
Radar da Mesa
Vendas no Varejo 09h00
Copom amanhã
Fed amanhã
Brent → US$ 81
Dólar → região dos R$ 5,05
DI Jan/29 e Jan/31 seguem como principal termômetro local
Pesquisa CNT/MDA 11h
RESUMO DE MESA
Petróleo segue devolvendo prêmio de guerra.
Mercado continua comprando corte da Selic.
Comunicado do Copom vale mais que a decisão.
Fed entra no centro da mesa.
Varejo testa narrativa de desaceleração.
Acordo EUA-Irã ainda enfrenta dúvidas operacionais.
Pesquisas eleitorais voltam ao radar.
Fiscal continua sendo o principal problema brasileiro.
FRASE DA MESA
"O petróleo caiu, a guerra esfriou e o mercado voltou a sonhar com juros menores. O problema é que inflação e fiscal ainda não assinaram nenhum acordo de paz."