Resumo do dia 25/06
O Banco Central reduziu parte da expectativa de uma postura mais branda após a divulgação do Relatório de Política Monetária (RPM), reforçando a preocupação com a inflação. O mercado também acompanha o IPCA-15, o discurso de Gabriel Galípolo, a continuidade da força da atividade econômica, a queda do petróleo, o bom momento das empresas de tecnologia e os desdobramentos do cenário político brasileiro.
1) BC freia a euforia: RPM desmonta parte da leitura dovish da ata
Explicação: A ata abriu espaço para o mercado voltar a discutir cortes, mas o Relatório de Política Monetária mostrou um BC ainda bastante preocupado com a inflação. A autoridade monetária afirma que não espera convergência do IPCA ao centro da meta em todo o horizonte relevante, mantém a taxa neutra em 5% e projeta inflação acima da meta até 2028.
Comentário: A ata foi interpretada como mais branda. O RPM colocou o pé no freio. O BC continua dizendo que o trabalho ainda não terminou.
2) Economia continua quente e tira pressão por cortes rápidos
Explicação: O Banco Central revisou para cima as projeções para indústria, serviços, agro, investimento e crédito, além de manter hiato positivo da economia.
Comentário: Atividade forte significa demanda resistente. Sem desaceleração consistente da economia, fica mais difícil justificar uma sequência agressiva de cortes na Selic.
3) Crédito segue acelerando mesmo com juros altos
Explicação: O BC aumentou as projeções de crescimento do crédito para famílias, empresas e crédito total em 2026.
Comentário: A política monetária continua restritiva, mas a transmissão ainda não esfriou completamente a economia. Esse é um dos argumentos para manter cautela.
4) IPCA-15 pode aliviar na margem, mas não resolve o problema
Explicação: O mercado espera desaceleração do índice mensal, porém a inflação acumulada continua acima do teto da meta.
Comentário: Um número bom hoje melhora o humor da curva curta, mas dificilmente muda a narrativa construída pelo RPM.
5) Galípolo pode definir o humor da curva hoje
Explicação: Depois do RPM, o mercado quer saber se Gabriel Galípolo reforçará o tom mais duro do relatório ou se validará a leitura mais dovish feita após a ata.
Comentário: Hoje não importa apenas o que o BC escreveu. Importa como Galípolo venderá essa mensagem ao mercado.
6) Petróleo devolve todo o prêmio da guerra
Explicação: O Brent voltou para a região de US$ 72, com avanço das negociações entre EUA e Irã e normalização do fluxo pelo Estreito de Ormuz.
Comentário: Excelente notícia para a inflação global. O risco geopolítico diminuiu, mas o BC deixou claro que o problema agora é muito mais doméstico do que externo.
7) Nasdaq renova o entusiasmo com IA
Explicação: A Micron entregou projeções fortes e reacendeu o apetite por tecnologia. O Nasdaq sobe e o Nikkei acompanha o movimento.
Comentário: IA continua sendo o principal motor das bolsas globais. Enquanto esse fluxo permanecer, ativos de risco seguem sustentados.
8) Política volta ao radar
Explicação: Michelle Bolsonaro expôs publicamente o desgaste com Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, Jaques Wagner deixa a liderança do governo após a pressão do caso Master.
Comentário: O mercado acompanha porque qualquer mudança relevante no cenário político pode voltar a entrar no prêmio de risco dos ativos brasileiros.
Leitura da Mesa
O mercado saiu da ata acreditando em um BC mais flexível.
O RPM corrigiu essa percepção.
A mensagem do Banco Central ficou clara:
inflação ainda incomoda;
atividade continua forte;
crédito segue crescendo;
a convergência para a meta será lenta.
Agora o jogo muda de mãos.
Se Galípolo reforçar o RPM, a curva pode devolver parte da precificação de cortes. Se suavizar o discurso, o mercado tentará manter viva a aposta de mais flexibilização.
Hoje, o evento do dia não é o IPCA-15. É Gabriel Galípolo.