Resumo do dia 26/06
O mercado voltou a acreditar em cortes. Agora quer saber se exagerou.
Depois do comunicado do Copom, da ata e do Relatório de Política Monetária, o mercado saiu da semana com uma conclusão:
o Banco Central recuperou a flexibilidade, mas não entregou compromisso nenhum.
Enquanto isso, o petróleo continua devolvendo todo o prêmio da guerra, o BC faz novo casadão no câmbio e os investidores acompanham desemprego, contas externas e a evolução da curva de juros.
BC recupera flexibilidade, mas evita prometer cortes
Depois do RPM e da entrevista de Gabriel Galípolo, parte importante do mercado voltou a apostar em corte de 0,25 ponto em agosto. O BC deixou claro que pode cortar, pausar ou até alternar períodos de pausa e retomada do ciclo, dependendo exclusivamente dos dados.
Comentário: O Banco Central conseguiu fazer o que buscava desde o comunicado: recuperar liberdade de ação. Hoje o mercado já não discute mais "fim do ciclo". Discute apenas quando virá o próximo movimento.
IPCA-15 ajuda a curva, mas não muda o jogo
A prévia da inflação veio melhor que o esperado, com desaceleração dos núcleos e dos serviços. A leitura reforçou a percepção de que o pico inflacionário pode ter ficado para trás.
Comentário: Foi um dado positivo para a curva curta, mas insuficiente para mudar completamente o diagnóstico. A inflação continua acima da meta e o BC segue dependente dos próximos indicadores.
Petróleo devolve o prêmio da guerra
O Brent voltou para a região de US$ 72 com a normalização gradual do tráfego no Estreito de Ormuz. Apesar de episódios isolados de tensão, o mercado continua precificando aumento da oferta global.
Comentário: Cada dólar de queda no petróleo reduz pressão inflacionária e amplia o espaço para bancos centrais respirarem. Hoje esse continua sendo um dos principais fatores ajudando a curva de juros.
BC faz novo casadão e segue ajustando o câmbio
O Banco Central realiza mais um leilão casado, vendendo até US$ 1 bilhão no mercado à vista junto com swap cambial reverso. Também anunciou o início da próxima rolagem dos swaps em julho.
Comentário: O objetivo não é defender um nível específico do dólar. É administrar liquidez, reduzir distorções no cupom cambial e manter o mercado funcionando de forma organizada.
Mercado de trabalho segue no radar do Copom
A taxa de desemprego deve recuar para 5,6%, reforçando um mercado de trabalho ainda bastante aquecido.
Comentário: Emprego forte significa renda forte, consumo forte e menor desaceleração da economia. Esse continua sendo um dos argumentos que limitam cortes mais agressivos da Selic.
Tecnologia entra em correção
As bolsas globais sofrem nova realização nas empresas ligadas à inteligência artificial após preocupações de que a volatilidade possa afetar o IPO da OpenAI. Semicondutores lideram as quedas.
Comentário: Depois de meses de valorização praticamente contínua, o mercado começa a realizar lucros. Por enquanto parece muito mais uma correção técnica do que uma mudança estrutural na tese de IA.
S&P mantém rating do Brasil
A S&P reafirmou a nota soberana do Brasil em BB, com perspectiva estável, destacando a posição externa sólida, mas voltou a alertar para o crescimento da dívida pública e a rigidez fiscal.
Comentário: Não muda o cenário de curto prazo, mas reforça uma mensagem conhecida: o principal risco brasileiro continua sendo fiscal, não monetário.
Política continua gerando ruído
A crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro segue repercutindo dentro do PL, enquanto o partido busca construir uma pacificação e fortalecer a candidatura presidencial.
Comentário: Por enquanto o impacto sobre os ativos permanece limitado, mas o mercado continuará monitorando qualquer mudança relevante no cenário eleitoral.
Leitura da mesa
A semana começou com dúvidas sobre o Copom.
Terminou com um Banco Central que recuperou margem de manobra.
O mercado agora precifica um cenário em que cortar ou pausar são decisões igualmente possíveis, dependendo da inflação, da atividade e principalmente do comportamento do petróleo.
Para o trader, a atenção continua concentrada na curva de juros.
Depois da forte compressão dos últimos dias, qualquer surpresa nos dados pode definir se o mercado continuará apostando em novos cortes ou se parte desse movimento precisará ser devolvida.