Blog Nova Futura

Call diário 30/6

Resumo do dia 30/06

O petróleo deixou de ser o problema.

Agora o mercado voltou definitivamente para aquilo que mais importa:

atividade, inflação e juros.

A queda do Brent, a comunicação mais flexível do Banco Central e um Fed ainda dependente dos dados criaram um ambiente onde cada indicador econômico volta a mexer diretamente com a curva de juros.

Hoje começa oficialmente a contagem regressiva para o payroll.

CAGED ABRE A SEMANA MAIS IMPORTANTE PARA OS JUROS

O Caged de maio deve mostrar criação de aproximadamente 130 mil vagas formais.

Depois do IPCA-15 mais benigno e da mudança de comunicação do Copom, o mercado quer saber se a economia brasileira começa finalmente a perder tração.

Comentário: O Banco Central voltou a depender dos dados.

Se o mercado de trabalho continuar muito forte, reduz o espaço para novos cortes.

Se começar a desacelerar, reforça a tese de flexibilização em agosto.

CURVA MANTÉM APOSTA EM CORTE DA SELIC

Os DIs encerraram o sexto pregão consecutivo de queda.

A combinação entre petróleo mais barato, Focus estável, IPCA-15 abaixo do esperado, ata e RPM manteve viva a expectativa de um corte de aproximadamente 0,25 ponto na reunião de agosto.

Comentário: A curva deixou de discutir se o ciclo terminou.

Agora precifica apenas qual será a velocidade da flexibilização.

É uma mudança importante na leitura do mercado.

PETRÓLEO SEGUE DEVOLVENDO TODO O PRÊMIO DA GUERRA

O Brent permanece próximo de US$ 73.

O fluxo pelo Estreito de Ormuz continua se normalizando e bancos como Morgan Stanley já reduziram novamente suas projeções para o petróleo.

Hoje EUA e Irã retomam negociações em Doha.

Comentário: Quanto menor o petróleo, menor a pressão inflacionária global.

Isso ajuda tanto o Fed quanto o Banco Central brasileiro.

PAYROLL ENTRA DEFINITIVAMENTE NO RADAR

O mercado inicia a preparação para o principal evento da semana.

Antes do payroll serão divulgados Jolts, PMI, confiança do consumidor, ADP e ISM.

Comentário: A guerra perdeu protagonismo.

Agora o mercado volta a depender exclusivamente dos dados.

O payroll pode redefinir toda a curva americana.

WALL STREET FECHA O MELHOR TRIMESTRE EM SEIS ANOS

O S&P 500 acumula alta próxima de 14% desde abril, impulsionado principalmente pelas empresas ligadas à inteligência artificial.

O ambiente de petróleo mais barato também reduziu preocupações inflacionárias.

Comentário: A bolsa americana continua sendo sustentada por duas forças:

crescimento dos lucros e expectativa de juros menores no futuro.

Enquanto essas duas narrativas permanecerem, o fluxo continua positivo.

MERCADO COMEÇA A TESTAR O FED

Mesmo após o PCE mais comportado, parte do mercado continua reduzindo apostas de alta adicional dos juros.

Ao mesmo tempo, alguns bancos alertam que um dólar mais forte pode voltar caso o Fed mantenha discurso duro.

Comentário: Hoje existe uma divergência clara.

O Fed continua conservador.

O mercado começa a acreditar num cenário menos restritivo.

Quem decidirá essa disputa será o mercado de trabalho.

TESOURO VOLTA A TESTAR A DEMANDA POR JUROS LONGOS

O Tesouro realiza novo leilão de NTN-B e LFT em um ambiente muito mais favorável do que o observado durante o estresse provocado pelo petróleo.

Comentário: Depois da melhora recente da curva, o leilão passa a funcionar como termômetro importante da confiança dos investidores.

Boa demanda pode reforçar o fechamento adicional das taxas.

POLÍTICA CONTINUA NO RADAR, MAS SEM COMANDAR O MERCADO

Michelle Bolsonaro se reúne com Valdemar Costa Neto para tentar reduzir a crise dentro do PL.

Enquanto isso, Lula lança o Plano Safra e o governo envia projeto ampliando o limite do MEI.

Comentário: A política continua produzindo manchetes.

Mas, neste momento, quem realmente está precificando os ativos continua sendo a política monetária.

RAÍZEN ACENDE ALERTA NO SETOR CORPORATIVO

A companhia divulgou prejuízo superior a R$ 7 bilhões, forte consumo de caixa e aumento relevante das perdas por impairment.

Comentário: O resultado reforça que empresas muito alavancadas continuam sofrendo mesmo com a perspectiva de queda dos juros.

O custo financeiro ainda pesa.

COMENTÁRIO FINAL

A guerra perdeu espaço.

O petróleo voltou para níveis próximos aos anteriores ao conflito.

O Banco Central recuperou flexibilidade.

Agora o mercado entra completamente em modo "dados".

Cada indicador divulgado até o payroll terá potencial para alterar a precificação dos juros tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.