Resumo do dia 01/07
Mercado troca geopolítica por política monetária
A guerra deixou de ser o principal driver dos ativos. Com o petróleo estabilizado próximo de US$ 72 e Ormuz operando normalmente, o foco volta totalmente para bancos centrais e atividade econômica. Hoje o destaque é Kevin Warsh, presidente do Fed, além do ADP, PMI e ISM nos EUA.
Comentário: O mercado entrou novamente em modo "data dependent". A partir de agora, qualquer surpresa nos indicadores americanos pode alterar a curva de juros global, fortalecer o dólar ou reacender o apetite por risco.
Mercado já compra novo corte da Selic
Depois do Caged fraco, IPCA-15 mais benigno, RPM e discurso de Galípolo, a curva DI aumentou novamente a probabilidade de corte em agosto. O mercado já precifica cerca de 18 pontos-base de queda e começa a enxergar Selic próxima de 14% no fim do ano.
Comentário: O driver deixou de ser apenas inflação. Agora entram na conta desaceleração do mercado de trabalho, petróleo mais baixo e atividade perdendo força. O mercado entende que o BC ganhou espaço para continuar calibrando os juros.
Fed continua sendo o principal risco global
Apesar do Brasil caminhar para cortes, os EUA seguem em direção oposta. O relatório Jolts mostrou mercado de trabalho ainda forte e investidores acompanham hoje o ADP antes do Payroll de amanhã. Kevin Warsh fala em Sintra e pode reforçar o tom hawkish.
Comentário: Hoje qualquer sinalização de Warsh vale mais do que diversos indicadores. Se o Fed mantiver discurso duro, o dólar tende a ganhar força e limitar o fluxo para emergentes.
Petróleo perde prêmio de guerra
As negociações entre EUA e Irã seguem avançando no Catar, enquanto o tráfego em Ormuz continua sendo normalizado. O Brent opera próximo de US$ 72, menor nível em meses.
Comentário: Sem choque energético, o petróleo deixa de pressionar a inflação global. Isso melhora o ambiente para bancos centrais, principalmente o Banco Central brasileiro.
Petrobras reduz diesel e governo começa a retirar subsídios
Entrou em vigor a redução do preço do diesel anunciada pela Petrobras, acompanhada da retirada da primeira parcela dos subsídios criados durante a crise do Oriente Médio.
Comentário: O governo aproveita a queda do petróleo para desmontar medidas emergenciais sem gerar impacto relevante ao consumidor. Fiscalmente é positivo e reduz a necessidade de novos gastos.
Lula mantém liderança; política continua no radar
Pesquisa AtlasIntel mostra Lula com 49% contra 42% de Flávio Bolsonaro no segundo turno, praticamente estável. Michelle Bolsonaro deixa o comando do PL Mulher após semanas de crise interna.
Comentário: O mercado continua acompanhando pesquisas porque qualquer mudança relevante altera a precificação do risco político para 2027. Por enquanto, o cenário permanece praticamente estável.
Crédito será observado após sinal de desaceleração econômica
O Banco Central divulga hoje os dados de crédito de maio. O mercado procura sinais de moderação na concessão de empréstimos e evolução da inadimplência.
Comentário: Se o crédito também desacelerar, reforça a leitura de que a política monetária está produzindo os efeitos desejados sobre a economia.
Fluxo estrangeiro segue pressionando a Bolsa
Mesmo com melhora na curva de juros, o Ibovespa continua sofrendo com saída de capital estrangeiro. Junho terminou com retirada próxima de R$ 9 bilhões da B3.
Comentário: Hoje o principal limitador da Bolsa brasileira não é a Selic. É fluxo. Sem retorno consistente do investidor estrangeiro, o mercado tende a continuar com desempenho inferior aos pares internacionais.
Tecnologia continua liderando Wall Street
Apesar da realização recente, inteligência artificial continua sustentando o mercado americano. Microsoft, Anthropic e novos fundos bilionários para IA seguem alimentando o ciclo de investimentos.
Comentário: Enquanto a narrativa da IA permanecer intacta, o Nasdaq continua sendo o principal motor das bolsas globais.
Radar do trader
Explicação:
09h15: ADP (emprego privado EUA)
10h00: PMI Industrial Brasil
10h45: PMI Industrial EUA
11h00: ISM Manufatura EUA
10h00: Painel de bancos centrais em Sintra (Warsh e Lagarde)
14h30: Fluxo cambial semanal
Comentário: O dia é praticamente uma preparação para o Payroll de amanhã. O discurso de Warsh pode ser o principal catalisador dos mercados nesta quarta-feira.