Resumo do dia 03/07
Feriado nos EUA reduz liquidez, mas não reduz a atenção ao Fed.
Com Wall Street fechada pelo feriado da Independência, a liquidez global diminui. Mesmo assim, o mercado continua repercutindo o Payroll de ontem, que mostrou desaceleração relevante do mercado de trabalho americano. A criação de apenas 57 mil vagas, muito abaixo do esperado, reduziu as apostas de novas altas de juros pelo Fed, embora não tenha sido suficiente para colocar cortes no radar imediato.
Comentário: O mercado saiu de um cenário de "Fed pode voltar a subir juros" para "Fed pode esperar mais". É uma mudança importante de percepção, mas ainda não de direção.
Payroll muda expectativas, mas Fed continua dependente dos dados
Além da criação fraca de empregos, abril e maio tiveram revisões negativas, enquanto a geração de vagas ficou concentrada em saúde e assistência social. Ao mesmo tempo, salários continuam crescendo em ritmo consistente e o desemprego caiu para 4,2%, fatores que impediram uma leitura totalmente dovish. As probabilidades de alta de juros diminuíram ao longo de toda a curva de Fed Funds.
Comentário: Kevin Warsh conseguiu exatamente o que queria: tirar o foco do discurso e devolver protagonismo aos indicadores econômicos.
Curva brasileira não acompanhou totalmente o alívio externo
Mesmo com o Payroll reduzindo a pressão sobre os Treasuries, a curva DI brasileira voltou a inclinar. O movimento refletiu um leilão robusto de prefixados, aumento do prêmio político, preocupações fiscais e incertezas sobre as negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Comentário: Hoje o principal risco dos juros brasileiros deixou de ser externo. Voltou a ser doméstico.
Brasil e EUA ganham novo foco na disputa comercial
O governo brasileiro entregou uma resposta técnica de 29 páginas ao USTR contestando as acusações que embasam a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Ao mesmo tempo, Brasil e EUA concordaram em ampliar o período de negociações até meados de julho. A discussão passou a ganhar também um componente eleitoral, com Flávio Bolsonaro pedindo adiamento das tarifas e Lula classificando essa iniciativa como atitude de "traidores da pátria".
Comentário: O risco deixou de ser apenas comercial. Agora passa a influenciar diretamente o prêmio político dos ativos brasileiros.
Petróleo continua devolvendo prêmio geopolítico
Mesmo com novas ameaças do Irã sobre o Estreito de Ormuz, a normalização do fluxo de petróleo segue predominando. A Arábia Saudita ampliou os embarques e bancos como Morgan Stanley e MUFG projetam Brent entre US$ 70 e US$ 75 nos próximos trimestres.
Comentário: Enquanto o petróleo permanecer nesse patamar, o cenário continua favorável para inflação global e para os bancos centrais.
Fluxo estrangeiro continua deixando a Bolsa brasileira
Junho registrou nova saída líquida de investidores estrangeiros da B3. Parte desse movimento reflete a rotação global para mercados asiáticos ligados à inteligência artificial, principalmente Coreia do Sul e Taiwan. Apesar disso, analistas ainda enxergam possibilidade de retorno gradual do fluxo para o Brasil ao longo do segundo semestre.
Comentário: Sem entrada consistente de capital estrangeiro, fica mais difícil sustentar novas máximas da Bolsa.
Produção industrial abre a agenda doméstica
O principal dado brasileiro do dia é a Produção Industrial de maio. O mercado espera alta de aproximadamente 0,2% após avanço de 0,7% em abril. Também serão divulgados o PMI de Serviços, PMI Composto e a balança comercial de junho.
Comentário: Depois do Payroll, o foco volta para entender o ritmo da atividade doméstica e sua influência sobre a trajetória da Selic.
Governo inicia retirada gradual dos subsídios aos combustíveis
A queda do petróleo abriu espaço para o governo confirmar o início da retirada dos subsídios sobre gasolina e diesel. Segundo o Ministério da Fazenda, a intenção é eliminar gradualmente esses incentivos ao longo dos próximos meses.
Comentário: Combustível mais barato reduz pressão sobre a inflação e diminui a necessidade de políticas compensatórias.
Empresas
Vale divulga produção em 21 de julho
A Vale confirmou a divulgação do relatório operacional do segundo trimestre para o dia 21 de julho, com balanço previsto para o dia 30.
Embraer acelera entregas
A companhia entregou 65 aeronaves no segundo trimestre, alta de 46% sobre o trimestre anterior, reforçando a recuperação operacional.
Bradesco anuncia JCP
O banco aprovou R$ 3,5 bilhões em Juros sobre Capital Próprio, com pagamento previsto para janeiro de 2027.
Natura recompra ações
O conselho aprovou novo programa de recompra de até 28,6 milhões de ações ordinárias.
Agenda do dia
Brasil
09h00: Produção Industrial (IBGE)
10h00: PMI de Serviços
10h00: PMI Composto
15h00: Balança Comercial
Exterior
Mercados americanos fechados pelo feriado da Independência.
PMIs finais da Europa.
Discursos de Christine Lagarde (BCE) e Andrew Bailey (BoE).
Fechamento
O Payroll reduziu a pressão sobre o Fed, mas o mercado brasileiro continua negociando política, fiscal e fluxo. Com Wall Street fechada, a liquidez diminui, mas a atenção permanece totalmente voltada para os próximos dados que confirmarão, ou não, o início de uma desaceleração mais consistente da economia americana.