Resumo do dia 07/07
Tarifaço entra na reta final enquanto o mercado troca a geopolítica por inflação e juros.
A sessão começa com o mercado dividido entre política comercial e política monetária. Nos EUA, Flávio Bolsonaro participa da audiência do USTR sobre as tarifas contra o Brasil, enquanto investidores aguardam a decisão final prevista para 15 de julho. Ao mesmo tempo, a geopolítica perde protagonismo: mesmo com novos ataques no Estreito de Ormuz, o petróleo continua longe das máximas da guerra e o foco migra para a ata do Fed amanhã e para o IPCA brasileiro na sexta-feira.
Comentário: O mercado está deixando de negociar manchetes geopolíticas e voltando a precificar fundamentos: inflação, juros e crescimento.
Audiência do USTR entra na fase decisiva
Hoje acontece o segundo e último dia da audiência pública da investigação comercial dos EUA contra o Brasil. Flávio Bolsonaro terá cinco minutos para defender o PIX, as empresas brasileiras e criticar a condução das negociações pelo governo. A decisão americana deve ser anunciada em 15 de julho. Enquanto isso, empresas brasileiras e americanas seguem pressionando pela retirada ou flexibilização das tarifas, argumentando que elas elevariam custos também para a economia dos EUA.
Comentário: O mercado quer menos discurso político e mais negociação técnica. Se prevalecer esse tom, o risco de uma escalada comercial diminui.
Geopolítica perde força mesmo com novos ataques em Ormuz
Apesar dos relatos de novos disparos contra embarcações no Estreito de Ormuz, o petróleo segue negociando próximo aos níveis anteriores ao conflito. A recuperação do fluxo marítimo, o aumento da produção pela Opep+ e os cortes de preços promovidos pela Arábia Saudita continuam neutralizando o prêmio geopolítico.
Comentário: Hoje o petróleo reage às condições de oferta e demanda muito mais do que às manchetes de guerra.
Mercado já olha para a ata do Fed e para o IPCA
Com uma agenda econômica mais leve nesta terça-feira, as atenções se concentram na ata do FOMC, amanhã, e principalmente no IPCA de junho, na sexta-feira. Depois do Payroll mais fraco e da estabilização das expectativas no Focus, esses dois eventos serão decisivos para calibrar apostas sobre os próximos passos do Fed e do Copom.
Comentário: O mercado saiu do modo "geopolítica" e voltou ao modo "data dependent". Agora cada indicador passa a ter peso maior na curva de juros.
Curva DI continua comprando corte da Selic
O Focus interrompeu a deterioração das expectativas de inflação e a combinação entre dólar mais fraco, petróleo em queda e desaceleração econômica manteve o fechamento da curva de juros. O mercado continua vendo espaço para um ou dois cortes adicionais da Selic, dependendo da evolução da inflação.
Comentário: O IPCA desta semana pode consolidar definitivamente essa narrativa ou obrigar o mercado a reduzir as apostas.
Tesouro testa novamente a demanda por NTN-B
Depois do leilão reduzido da semana passada, o Tesouro volta hoje ao mercado oferecendo NTN-Bs de 2031, 2037 e 2050, além de LFTs. Os investidores acompanham para medir se a demanda melhora após o alívio recente na curva de juros.
Comentário: A aceitação dos títulos longos continua sendo um excelente termômetro da percepção sobre inflação e risco fiscal.
Tecnologia entra em fase de seleção
Samsung divulgou resultados fortes, mas insuficientes para atender às expectativas extremamente elevadas do mercado, provocando forte queda das ações. Ao mesmo tempo, a estreia da SpaceX no Nasdaq reforça o foco dos investidores nas empresas ligadas à inteligência artificial.
Comentário: Não basta crescer. No atual mercado de tecnologia, é preciso surpreender.
Radar Corporativo
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