Resumo do dia 09/07
Oriente Médio domina o mercado; petróleo estabiliza e investidores testam recuperação.
A quinta-feira começa com o mercado tentando encontrar equilíbrio após o forte estresse provocado pela nova escalada militar entre Estados Unidos e Irã. Apesar do segundo dia de ataques americanos e da resposta iraniana, os ativos de risco ensaiam recuperação na expectativa de que o conflito continue limitado e volte ao campo diplomático. O petróleo permanece elevado, próximo de US$ 78, enquanto os investidores seguem monitorando Ormuz, a inflação e o impacto sobre a política monetária global.
Oriente Médio continua ditando o humor dos mercados
Os Estados Unidos realizaram um segundo dia consecutivo de ataques contra aproximadamente 90 alvos militares iranianos, buscando reduzir a capacidade de Teerã de ameaçar a navegação no Estreito de Ormuz.
O Irã respondeu com mísseis e drones contra bases americanas no Kuwait e no Bahrein, enquanto o tráfego de petroleiros praticamente parou na principal rota mundial de petróleo.
Apesar da escalada, operadores avaliam que nenhum dos lados demonstra interesse em ampliar o conflito para uma guerra aberta, mantendo a expectativa de retomada das negociações diplomáticas.
Comentário: O mercado deixou de discutir apenas o preço do petróleo e passou a monitorar o risco de interrupção da oferta global. Enquanto Ormuz permanecer ameaçado, a geopolítica continua sendo o principal vetor de preço para petróleo, inflação e juros.
Petróleo segue perto das máximas e mantém pressão sobre a inflação
Depois da maior alta desde maio, o Brent permanece próximo de US$ 78 por barril.
Além do risco geopolítico, metais industriais como cobre, alumínio e zinco também voltam a subir, reforçando preocupações com a inflação global.
Comentário: Mesmo sem nova explosão dos preços, um petróleo estabilizado perto de US$ 80 já é suficiente para reduzir o espaço dos bancos centrais para cortar juros rapidamente.
Ata do Fed reforça preocupação com a inflação
A ata divulgada ontem mostrou que parte dos dirigentes enxergava condições para nova alta de juros já em junho.
O documento reforçou preocupação com a inflação persistente, especialmente diante de choques de commodities, energia e interrupções nas cadeias globais.
Comentário: A ata foi escrita antes da nova escalada no Oriente Médio. Com o petróleo mais caro hoje, o mercado entende que o risco inflacionário ficou ainda maior do que aquele descrito pelo próprio Fed.
Tesouro volta ao mercado com leilão de prefixados
O Tesouro realiza hoje leilão de LTN para 2027, 2028 e 2030, além de NTN-F para 2031, 2033 e 2037.
Na semana passada houve forte demanda pelos prefixados, enquanto as NTN-B continuaram enfrentando dificuldades de colocação.
Comentário: O resultado do leilão será mais um teste para medir se o mercado continua confortável com o cenário de juros ou se começa a exigir prêmio adicional diante da piora do ambiente internacional.
BC continua rolagem dos swaps cambiais
O Banco Central oferece mais 50 mil contratos de swap cambial na continuidade da rolagem dos vencimentos de agosto.
A estratégia mantém liquidez no mercado de câmbio sem necessidade de intervenção direta sobre o dólar.
Comentário: Por enquanto, o BC segue administrando liquidez. Mas, caso a volatilidade internacional aumente, o mercado ficará atento à possibilidade de novas operações extraordinárias.
Governo pode adiar o fim dos subsídios aos combustíveis
Segundo o Estadão, o governo deve postergar a retirada dos subsídios da gasolina e manter por mais tempo a subvenção ao diesel diante da nova alta do petróleo.
Na semana passada, a expectativa era de retirada gradual desses incentivos.
Comentário: A guerra voltou a interferir diretamente na política econômica brasileira. Se o petróleo permanecer elevado, aumenta o desafio fiscal e também o risco para a inflação doméstica.
Política segue no radar
Valdemar Costa Neto afirmou que pretende reaproximar Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro antes da convenção nacional do PL.
Flávio permanece nos Estados Unidos realizando reuniões relacionadas ao processo das tarifas comerciais.
Comentário: O mercado continua acompanhando mais os desdobramentos fiscais e comerciais do que propriamente o noticiário eleitoral, mas qualquer ruído político pode voltar a contaminar os ativos locais.
Mercado internacional testa recuperação
Os futuros americanos operam em leve alta após a realização de lucros de ontem.
A forte demanda pela oferta de ADRs da SK Hynix mostra que o apetite pelo setor de inteligência artificial continua bastante elevado, mesmo após o aumento recente da volatilidade.
Comentário: O fluxo comprador em tecnologia permanece vivo. O investidor segue disposto a comprar IA nas quedas, enquanto a geopolítica continua determinando o humor do restante do mercado.
Empresas
Ambipar avança na reestruturação
Parte dos credores assinou acordo para apoiar a reestruturação da dívida da companhia.
Comentário: O mercado acompanhará a adesão dos demais credores para avaliar a viabilidade da operação.
Oncoclínicas confirma negociações
A companhia confirmou que negocia um plano de recuperação extrajudicial com credores.
Comentário: O caso reforça que empresas altamente alavancadas continuam sofrendo em um ambiente de juros elevados.
Cosan e Rumo sofrem novo rebaixamento
A S&P reduziu o rating das duas companhias para B+, mantendo perspectiva negativa.
Comentário: O rebaixamento aumenta o custo potencial de financiamento e reforça a preocupação do mercado com a alavancagem.
Agenda do dia
Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA.
Vendas de moradias usadas nos EUA.
Ata da última reunião do BCE.
Leilão de LTN e NTN-F do Tesouro Nacional.
Rolagem de swaps cambiais pelo Banco Central.
Discursos de dirigentes do Fed (John Williams e Lorie Logan).
Balanço da PepsiCo antes da abertura de Nova York.
Comentário final
O mercado continua completamente dependente da geopolítica. Ontem, a inflação voltou ao centro das atenções por causa do petróleo; hoje, a principal pergunta é se a crise ficará restrita a ataques pontuais ou evoluirá para uma interrupção efetiva da oferta mundial de energia. Enquanto essa resposta não vier, petróleo, juros globais e curva brasileira continuarão andando praticamente juntos.