Resumo do dia 28/05
Mercado volta a entender que paz no Oriente Médio talvez seja só ilusão
Explicação:
Após um dia inteiro de alívio no petróleo, os EUA voltaram a atacar posições iranianas próximas ao Estreito de Ormuz. O Brent voltou a subir forte no after market e o mercado retomou rapidamente o modo defensivo.
Comentário:
O mercado está preso num looping:
uma manchete de paz derruba o petróleo
uma explosão devolve tudo horas depois.
Impacto:
Petróleo continua extremamente volátil
Inflação global segue viva
Bolsas continuam reféns da guerra
O petróleo voltou a ser o principal Banco Central do mundo
Explicação:
O Brent voltou para perto de US$ 97 após novos ataques americanos e ameaças envolvendo Ormuz. O mercado já percebeu que qualquer oscilação do barril muda completamente a narrativa de juros globais.
Comentário:
Hoje o barril decide mais que Powell, Galípolo e BCE juntos.
Impacto:
Pressão sobre inflação mundial
Juros globais seguem elevados
Emergentes continuam vulneráveis
PEC da escala 6x1 explode no colo do mercado
Explicação:
A Câmara aprovou em dois turnos o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal para 40 horas sem redução salarial. O texto agora segue para o Senado.
Comentário:
O mercado percebeu rapidamente:
isso deixou de ser pauta trabalhista.
Virou risco macroeconômico.
Impacto:
Pressão inflacionária em serviços
Empresas temem explosão de custo
Mercado reduz apostas agressivas em corte da Selic
O BC perdeu completamente o conforto com a inflação
Explicação:
O IPCA15 veio acima das projeções e estourou novamente o teto da meta em 12 meses. Serviços, alimentação e núcleos seguem pressionados.
Comentário:
A inflação cheia desacelera…
mas a inflação ruim continua viva.
Impacto:
Selic terminal sobe nas projeções
Curva longa abre novamente
Mercado começa a aceitar juros altos por mais tempo
O mercado já começa a jogar Selic perto de 14%
Explicação:
Bancos revisaram projeções após IPCA15 e risco fiscal. O Inter elevou expectativa da Selic para 13,25%, enquanto o Citi já trabalha próximo de 14%.
Comentário:
O dinheiro barato morreu…
e o mercado finalmente aceitou isso.
Impacto:
Crédito continua pressionado
Bolsa perde sustentação estrutural
Juros futuros seguem abrindo
Flávio tenta sobreviver politicamente em Washington
Explicação:
Flávio Bolsonaro voltou à Casa Branca e se reuniu com Marco Rubio e JD Vance enquanto tenta reorganizar sua précampanha após o desgaste envolvendo Daniel Vorcaro e Banco Master.
Comentário:
A eleição brasileira começou oficialmente nos EUA.
Impacto:
Mercado monitora reorganização da direita
Eleição segue contaminando ativos
Dólar e juros continuam sensíveis à política
Pesquisa mostra Lula abrindo vantagem sobre Flávio Bolsonaro
Explicação:
A pesquisa Meio/Ideia mostrou Lula com 46,5% contra 41,4% de Flávio Bolsonaro no segundo turno. No primeiro turno estimulado, Lula aparece com 38,5% contra 31,5% de Flávio.
Comentário:
O mercado começa a enxergar algo perigoso para a direita:
Flávio está perdendo exatamente nos grupos onde precisava crescer.
Impacto:
Lula ganha força política
Mercado começa a precificar continuidade
Eleição vira variável relevante para ativos
Lula tenta transformar o fim da 6x1 em bandeira eleitoral
Explicação:
O presidente classificou a aprovação da PEC como uma “conquista histórica e civilizatória” e o governo pretende capitalizar politicamente o tema até 2026.
Comentário:
Brasília entrou oficialmente em modo campanha econômica.
Impacto:
Fiscal segue deteriorando lentamente
Mercado teme mais populismo econômico
Empresas monitoram aumento de custo estrutural
Caso BRB/Master continua assustando o sistema financeiro
Explicação:
O governo negocia operação bilionária envolvendo FGC, bancos públicos e privados para evitar um rombo ainda maior no BRB após o colapso ligado ao Banco Master.
Comentário:
O mercado percebeu que o problema deixou de ser político.
Virou risco financeiro real.
Impacto:
Pressão sobre bancos médios
Mercado monitora risco sistêmico
Caso segue contaminando Brasília
O Banco Central já fala em cautela total no crédito
Explicação:
Após reunião do Comef, o BC alertou para aumento da inadimplência, comprometimento de renda das famílias e necessidade de maior diligência na concessão de crédito.
Comentário:
O BC está basicamente avisando:
a economia ainda parece forte…
mas a qualidade dela começou a piorar.
Impacto:
Bancos ficam mais seletivos
Crédito tende a desacelerar
Consumo perde força nos próximos meses
Wall Street continua ignorando guerra por causa da IA
Explicação:
Mesmo com petróleo pressionando inflação e juros, Nasdaq e S&P renovaram máximas históricas sustentados pelo fluxo em inteligência artificial. Salesforce entregou números fortes puxados pela Agentforce e Data 360.
Comentário:
A IA continua sendo a única narrativa capaz de sustentar Wall Street.
Impacto:
Techs continuam puxando NY
Fluxo global segue concentrado
Mercado ignora parcialmente riscos geopolíticos
Ibovespa continua preso entre petróleo, juros e Brasília
Explicação:
A bolsa caiu puxada por Petrobras e receio inflacionário após o IPCA15. O dólar voltou acima de R$ 5 e os juros futuros zeraram o alívio inicial.
Comentário:
O Ibovespa hoje vive o pior dos mundos:
guerra lá fora
inflação aqui dentro
eleição no meio.
Impacto:
Fluxo estrangeiro continua seletivo
Bolsa segue sem narrativa própria
Mercado local permanece defensivo
O dólar acima de R$ 5 virou problema estrutural
Explicação:
O real perdeu força junto com a queda do petróleo e o aumento das incertezas fiscais e eleitorais. O mercado já questiona se o câmbio ainda conseguirá ajudar a desinflacionar a economia.
Comentário:
O dólar deixou de ser amortecedor…
e começou a virar combustível da inflação.
Impacto:
BC monitora repasse cambial
Pressão sobre preços aumenta
Selic fica ainda mais travada
RESUMO DE MESA
Guerra voltou a pressionar petróleo
Mercado continua refém de manchete geopolítica
PEC da 6x1 virou risco macroeconômico
IPCA15 manteve inflação pressionada
Mercado já fala em Selic perto de 14%
Flávio tenta sobreviver politicamente nos EUA
Lula transforma jornada de trabalho em bandeira eleitoral
Caso BRB/Master continua aumentando risco financeiro
Wall Street segue sustentada artificialmente pela IA
O mercado entrou oficialmente em modo: guerra estrutural + inflação persistente + juros altos por muito mais tempo + eleição antecipada + risco financeiro doméstico