Call diário 13/3/2026

Tempo de leitura: 3 min.

 

Resumo do dia

 Petróleo acima de US$ 100 aumenta a aversão ao risco global, pressiona juros e coloca Copom, câmbio e fiscal brasileiro no centro da precificação. 

Petróleo acima de US$100 coloca o mercado em modo aversão a risco 

A guerra no Oriente Médio continua escalando e o Brent voltou a operar acima de US$100, depois que o líder supremo do Irã afirmou que pretende manter o Estreito de Ormuz fechado, enquanto Donald Trump respondeu com novas ameaças militares.

A Agência Internacional de Energia já classificou a atual interrupção na oferta como a maior da história do mercado global de petróleo.

Impacto: aumento da aversão ao risco, bolsas pressionadas e novas dúvidas sobre a trajetória da inflação global.

Comentário de mesa: quando o petróleo passa de três dígitos, o mercado para de discutir valuation e começa a discutir geopolítica.

Guerra empurra cortes de juros do Fed para mais longe 

A disparada do petróleo levou o mercado a adiar as apostas de corte de juros nos EUA, com traders agora jogando a flexibilização do Fed mais para frente.

Mesmo com dados econômicos importantes saindo hoje, como PCE, revisão do PIB americano e indicadores de atividade, o foco continua sendo o impacto inflacionário da energia.

Impacto: juros globais mais pressionados e maior volatilidade em ativos de risco.

Comentário de mesa: enquanto o barril estiver subindo 10% em um dia, qualquer dado de inflação vira fotografia de um mundo que já não existe mais.

Copom volta a inclinar para corte de apenas 0,25 

Com o petróleo pressionando expectativas inflacionárias, o mercado voltou a recalibrar o cenário para a próxima reunião do Copom.

A curva de juros passou a embutir corte de cerca de 0,25 ponto na Selic, reduzindo as apostas em um movimento de 0,50 ponto.

Impacto: prêmios voltam a subir nos DIs e o início do ciclo de queda da Selic tende a ser mais cauteloso.

Comentário de mesa: o Copom queria iniciar o ciclo de cortes, mas o barril resolveu participar da reunião.

Banco Central entra no câmbio com operação casadão 

Com a volatilidade externa e a pressão no dólar, o Banco Central realiza hoje uma operação combinada de venda de dólar à vista e swap reverso, conhecida no mercado como casadão.

A operação pode chegar a US$1 bilhão no spot e US$1 bilhão em derivativos, ajudando a aliviar o cupom cambial e prover liquidez ao mercado.

Impacto: tentativa de reduzir pressão no câmbio e estabilizar o mercado em meio ao ambiente externo mais tenso.

Comentário de mesa: quando o BC aparece com o casadão, normalmente é porque o mercado já começou a ficar nervoso.

Ibovespa sofre com petróleo e risco fiscal 

Depois de alguns dias de recuperação, o Ibovespa caiu forte, devolvendo os ganhos da semana e voltando para a região de 179 mil pontos.

A queda refletiu a combinação de petróleo disparando, inflação mais alta e preocupação fiscal com o pacote do governo para subsidiar o diesel.

Impacto: aumento do prêmio de risco doméstico e pressão sobre bancos e empresas alavancadas.

Comentário de mesa: petróleo alto pressiona inflação, inflação pressiona juros, e juros altos acabam pressionando a bolsa.

Pacote do diesel gera desconfiança fiscal  

O governo anunciou um pacote para reduzir o preço do diesel, incluindo isenção de PIS/Cofins e subvenção ao combustível, com impacto potencial relevante nas contas públicas.

A compensação viria por meio de um imposto sobre exportação de petróleo, mas investidores questionam se a arrecadação será suficiente para cobrir as perdas.

Impacto: aumento das dúvidas sobre a trajetória fiscal e pressão adicional na curva de juros.

Comentário de mesa: quando o governo começa a mexer em combustível perto de eleição, o mercado automaticamente abre a planilha fiscal.

Resumo de mesa 

O mercado hoje está operando três variáveis ao mesmo tempo:

guerra e petróleo
inflação global
decisão do Copom

Mas a leitura é simples:

enquanto o barril estiver acima de US$100, quem manda nos juros do mundo não é o banco central, é a guerra.

Este conteúdo possui caráter meramente informativo e educacional, não devendo ser interpretado como oferta, solicitação de oferta, recomendação personalizada de investimento ou aconselhamento financeiro, jurídico ou tributário. As decisões de investimento devem considerar os objetivos, perfil de risco e situação financeira específica de cada investidor.

Investimentos nos mercados financeiro e de capitais envolvem riscos, incluindo a possibilidade de perda do capital investido. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.

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