Blog Nova Futura

Call diário 12/3/2026

 

Resumo do dia

 Escalada no Oriente Médio volta a pressionar o petróleo, aumenta a cautela global e coloca inflação e Copom no centro da precificação. 

Guerra no Oriente Médio pressiona o petróleo 

A guerra no Oriente Médio voltou a escalar e o petróleo reagiu forte.
Ataques ao porto de Basra no Iraque levaram à interrupção das operações de todos os terminais do país, enquanto novos incidentes no Estreito de Ormuz aumentam o risco para as rotas marítimas.

O Brent voltou a superar US$ 100 e chegou a subir quase 10% na madrugada.

Impacto: pressão inflacionária global, aumento da aversão ao risco e volatilidade em bolsas e juros.

Comentário de mesa: enquanto o petróleo estiver sendo decidido por míssil e drone, qualquer modelo macro vira peça decorativa.

IPCA entra no radar em meio ao choque do petróleo 

Hoje sai o IPCA de fevereiro, com expectativa de alta de 0,63% no mês, contra 0,33% em janeiro.

A inflação deve ser puxada principalmente por serviços, com destaque para educação e passagens aéreas.

No acumulado de 12 meses, a projeção é de 3,7%, desacelerando em relação aos 4,44% anteriores.

Impacto: o dado chega exatamente quando o petróleo volta a pressionar expectativas inflacionárias.

Comentário de mesa: se o IPCA vier forte e o petróleo continuar subindo, o BC vai ter que cortar juros com a mão puxando o freio.

Copom volta a inclinar para corte menor 

A nova disparada do petróleo fez a curva de juros reagir.
O mercado voltou a aumentar a probabilidade de corte de apenas 0,25pp na Selic na reunião da próxima semana.

Até poucos dias atrás, o mercado discutia 0,50pp ou até um ciclo mais agressivo.

Impacto: prêmios voltam a subir na parte curta da curva e o início do ciclo de cortes fica mais cauteloso.

Comentário de mesa: o Copom queria discutir inflação doméstica, mas acabou tendo que olhar o mapa do Oriente Médio.

Petrobras e combustíveis no centro do jogo 

Com o petróleo voltando a disparar, cresce a expectativa de reajuste de combustíveis no Brasil.

A Petrobras já realizou um leilão de diesel R$ 1,80 acima do preço das refinarias, sinalizando possível ajuste para reduzir a defasagem.

Impacto: risco inflacionário adicional e pressão sobre expectativas para o IPCA.

Comentário de mesa: quando o barril dispara, a política de preços da Petrobras vira um problema macro.

Ibovespa resiste com ajuda das petroleiras  

Mesmo com o ambiente externo tenso, o Ibovespa conseguiu subir pela terceira sessão seguida, fechando perto de 184 mil pontos.

O suporte veio principalmente de Petrobras, que disparou quase 5% acompanhando o petróleo.

O dólar ficou praticamente estável em R$ 5,15, com o real sustentado pelo diferencial de juros.

Impacto: fluxo estrangeiro segue sustentando a bolsa, apesar da volatilidade global.

Comentário de mesa: quando o petróleo sobe, o Brasil vira porto seguro, pelo menos até o próximo susto.

Política volta a apertar o radar 

A pesquisa Genial/Quaest mostrou empate entre Lula e Flávio Bolsonaro na simulação de segundo turno, ambos com 41%.

Além disso, cresce o desgaste institucional com o caso Banco Master, que atinge STF, governo e oposição.

Impacto: aumento do risco político e maior sensibilidade do mercado ao cenário eleitoral.

Comentário de mesa: a eleição ainda está longe, mas o mercado já começou a atualizar a planilha.

Resumo de mesa 

Hoje o mercado opera três variáveis ao mesmo tempo:

guerra e petróleo
inflação no Brasil
expectativa para o Copom

Mas a leitura da mesa é direta:

se o petróleo continuar disparando, o Copom vai cortar juros olhando para o retrovisor e torcendo para o barril não estragar o cenário.

Este conteúdo possui caráter meramente informativo e educacional, não devendo ser interpretado como oferta, solicitação de oferta, recomendação personalizada de investimento ou aconselhamento financeiro, jurídico ou tributário. As decisões de investimento devem considerar os objetivos, perfil de risco e situação financeira específica de cada investidor.

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