MORNING CALL NOVA FUTURA
12 de agosto | Quarta-feira
CPI decide o Fed, eleição entra no preço e fluxo estrangeiro vira o principal problema da B3
O mercado brasileiro chega ao pregão com uma contradição clara: a inflação doméstica melhorou e o Copom manteve setembro aberto, mas o investidor estrangeiro está saindo justamente quando o risco eleitoral começa a ganhar preço.
Ontem, o Ibovespa caiu 2,5%, completou seis sessões no vermelho, o dólar voltou para R$ 5,16 e os juros abriram mesmo com IPCA mais benigno. Hoje, o foco externo está no CPI americano, que pode decidir se o payroll fraco realmente comprou tempo para o Fed.
No Brasil, serviços testam a tese de desaceleração da atividade, o fluxo cambial mede a pressão sobre o real e Banco do Brasil entra no centro de uma noite pesada de balanços.
Payroll fraco derrubou a chance de alta; inflação pode colocar tudo de volta na mesa.
O mercado espera CPI de julho em 0,1% no mês e 3,4% em 12 meses, enquanto o núcleo deve avançar 0,2% e desacelerar para 2,5% na comparação anual.
Os yields recuam antes do indicador, e a precificação está praticamente dividida entre alta de 0,25 ponto e manutenção dos juros em setembro.
A assimetria hoje é importante.
CPI abaixo do esperado ajuda Treasury, dólar e emergentes. CPI acima do esperado tem potencial de machucar muito mais, porque reacende rapidamente o Fed hawkish.
O barril respirou; a geopolítica ainda não.
Explicação
O Brent devolveu parte da alta depois de tocar US$ 90, mas Estados Unidos e Irã continuam distantes de um acordo sobre Ormuz.
O Paquistão sinalizou proximidade de entendimento, enquanto Trump voltou a endurecer o discurso e Teerã ampliou suas condições para liberar a navegação.
O mercado parou de comprar qualquer frase sobre paz.
Agora precisa de fluxo físico de navios, não de diplomacia por manchete. Até isso acontecer, petróleo continua sendo risco direto para inflação e juros.
JPMorgan sai do overweight e a B3 responde com selloff.
O JPMorgan reduziu a recomendação para ações brasileiras de overweight para neutra, citando volatilidade eleitoral, desaceleração econômica e proximidade do fim do ciclo de cortes.
A pesquisa CNT/MDA mostrou Lula com 48% contra 39,1% de Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno, enquanto a Futura apontou disputa mais apertada.
O ponto não é uma pesquisa isolada.
O mercado começou a exigir prêmio para a incerteza de outubro. Quando eleição entra no preço antes do fluxo voltar, a volatilidade deixa de ser evento e vira regime.
Quase R$ 6 bilhões deixaram a B3 em uma semana.
O estrangeiro retirou aproximadamente R$ 5,5 bilhões da Bolsa até o dia 7 de agosto, com saídas fortes nos últimos pregões.
Ontem, o Ibovespa caiu 2,50% para 167.875 pontos, no pior nível em sete meses, com volume maior justamente em um pregão vendedor.
Isso muda a leitura técnica.
Volume aumentando na queda com estrangeiro saindo é muito diferente de correção com mercado vazio. Para o índice reagir de verdade, precisa parar de perder fluxo antes de recuperar preço.
Depois da indústria fraca, o mercado quer saber se a desaceleração chegou ao setor mais resistente.
O volume de serviços deve cair 0,2% em junho, depois de recuo de 0,4% em maio.
Se confirmado, será o segundo mês consecutivo de contração e reforçará a leitura de moderação da atividade apresentada na ata do Copom.
Esse dado importa mais que parece.
Serviços fracos ajudam o argumento para corte em setembro. Mas serviços fracos demais também começam a contaminar projeções de crescimento e resultado corporativo.
A maioria espera mais 25 pontos, mas a dispersão aumentou.
Entre 36 instituições consultadas, 23 projetam novo corte para 13,75% em setembro.
O BC reconheceu que a restrição monetária está desacelerando atividade e inflação, mas manteve dependência dos dados e preocupação com expectativas e choques de oferta.
O cenário-base ainda é corte.
Mas o petróleo, o Fed e o risco eleitoral estão tornando esse trade muito menos confortável. Setembro continua aberto não contratado.
Dólar a R$ 5,16 mostra que o problema de ontem foi doméstico.
O real teve o pior desempenho entre as principais moedas globais, mesmo com Treasuries recuando e dólar praticamente estável no exterior.
A combinação de saída estrangeira, eleição e rebaixamento da recomendação para Brasil dominou o câmbio.
Quando o dólar sobe sem ajuda do DXY, o mercado está precificando Brasil.
O fluxo cambial de hoje ganha importância para mostrar se essa pressão está acelerando ou começando a estabilizar.
A campanha estuda limitar ainda mais o gasto à medida que a dívida sobe.
Segundo a Reuters, a equipe de Flávio Bolsonaro trabalha em uma proposta na qual o crescimento real das despesas poderia chegar a zero caso a dívida aumente.
Os parâmetros ainda estão em discussão e a plataforma econômica deve ser divulgada até 15 de agosto.
Para o mercado, esse será um tema relevante da campanha.
A reação dependerá menos do discurso de austeridade e mais de como a regra seria implementada, quais despesas seriam atingidas e qual seria a viabilidade política.
Agronegócio, provisões e rentabilidade colocam o BB sob pressão.
O mercado espera lucro próximo de R$ 3,6 bilhões, com qualidade de crédito ainda deteriorada, principalmente no agronegócio.
Provisões devem permanecer elevadas e o ROE tende a continuar em um dígito.
O lucro não será suficiente.
O papel vai negociar custo de risco, inadimplência e eventual revisão de guidance. Depois da queda forte de ontem, qualquer surpresa pode gerar reação amplificada.
Lucro cresce mais de 28% mesmo com o Ibovespa perdendo fluxo.
A B3 reportou lucro líquido de aproximadamente R$ 1,7 bilhão, avanço de 28,2% em um ano.
Receita e Ebitda também cresceram, apesar de um ambiente recente de volumes mais fracos no mercado à vista.
O balanço olha para trás; o papel olha para frente.
Com estrangeiro saindo e volume da Bolsa sob pressão, o mercado vai querer saber se a melhora operacional consegue atravessar um segundo semestre eleitoral.
CoreWeave e Super Micro reacendem a narrativa de crescimento.
CoreWeave disparou após receita crescer 122% e carteira de pedidos chegar perto de US$ 100 bilhões.
Super Micro também avançou forte depois de superar as expectativas de lucro.
A IA voltou a entregar o que o mercado exige: crescimento.
Enquanto resultado sustentar capex e valuation, Nasdaq consegue conviver com juros altos. O problema começa quando investimento cresce mais rápido que monetização.
CPI forte: Treasury ↑, dólar ↑, emergentes pressionados.
CPI fraco: alívio global, mas Brasil ainda depende do fluxo.
DI curto: serviços podem reforçar setembro.
DI longo: eleição, fiscal e petróleo mantêm prêmio.
Dólar: fluxo cambial virou indicador central.
Ibovespa: saída estrangeira é o principal problema técnico.
BB: crédito e provisões definem a reação.
B3: resultado forte versus ambiente de negociação mais fraco.
Petróleo: Ormuz continua determinando o prêmio de inflação.
O Brasil entregou IPCA melhor e uma ata que manteve setembro aberto e mesmo assim o mercado caiu forte. Isso diz muito: agora o problema não é apenas juros, é fluxo e eleição. Hoje o CPI decide o Fed, Serviços testam o Copom e o câmbio mostra se o estrangeiro continua saindo. Lá fora, inflação decide setembro. Aqui dentro, outubro já começou a ser negociado.